San Marino, a República mais velha do mundo – parte II

No primeiro post eu contei pra voces os fatos que fazem San Marino ser tão especial e diferente, nesse post eu vou contar o que fiz e o que tem pra fazer por lá.

Cheguei na Cidade de San Marino por volta das 10h da manhã em um sábado ensolarado e com meu mapa nas mãos, fui em busca de explorar o ponto turístico mais famoso do país, as Tres Torres Vigias. No caminho para a Prima Torre, passei em frente ao Escritório de Turismo, onde é possível (por €5), ganhar um carimbo no passaporte do país. Como San Marino fica no território italiano, eles não tem imigração, mas oferecem o visto de turismo como um souvenir.

O caminho para as torres é árduo e cheio de subidas íngrimes, mas vale muito a pena. A vista lá do alto é impressionamente! Um mundo de verde, de montanhas e de lagos, sem contar que a vista do mar Adriático é fascinante demais.

Visto do alta da Prima Torre

Visto do alta da Prima Torre

A Prima Torre é aberta ao público e o ingresso custa €4,50. Lá de cima, além da vista privilegiada de San Marino, também dá pra ver a Seconda Torre, que foi minha próxima parada. No caminho para a Seconda Torre, existe uma espécie de muralha de protecao, que chega a lembrar a Grande Muralha da China. Da Seconda Torre, a vista da Prima Torre é de tirar o folego!

Muralha pra chegar na Seconda Torre

Muralha pra chegar na Seconda Torre

Segui a trilha até a Terza Torre, que é bem menor que a Prima e Seconda, mas é tao bela quanto. As torres foram construídas entre 1.100 e 1.600 e serviram como proteção principal de San Marino na período medieval. Depois de visitar as torres, fui até o Palácio Público, onde fica a Estátua da Liberdade Sammarinese, símbolo da liberdade tão valorizada do povo de San Marino. No topo de sua coroa, é possível ver as Tres Torres.

Estátua da Liberdade

Estátua da Liberdade

Além disso, San Marino é recheada de museus interessantes e peculiares, como o Museu da Tortura, Museu dos Vampiros, Museu das Armas de Guerra, Museu de Cera, Museu da Imigração e também o Museu de História Natural e o Museu do Estado.

Pra mim, o melhor de San Marino não foram as atraçoes em si, mas sim a atmosfera do país, com suas ruelinhas de paralelepípedo, suas placas de pedra maciça e sua cara medieval. Como eu tinha minha camera comigo, resolvi gravar tudo que vi e preparei um vídeo pra voces. Dá o play e vem comigo!

San Marino, a República mais velha do mundo – parte I

Sou super fã de day-trips e sempre que fico mais de 3 dias em algum lugar, incluo pelo menos uma no roteiro. Como estou temporariamente morando em Rimini, uma day-trip pra San Marino, um dos 6 microestados europeus e a República mais velha do mundo, me pareceu uma ótima ideia.

Para chegar em San Marino saindo de Rimini é bem fácil, já que existe um shuttle bus que saí da estacao de trem e vai direto até a capital do país, a Cidade de San Marino. O ticket ida-e-volta custa €10 e o percurso todo leva aproximadamente 45 minutos.

Mas antes de ir pra parte turística de San Marino, eu preciso transportar voce pra parte histórica.

Em 301 D.C, o dalmátiano-croáta Saint Marinus, procurando por asilo religioso, fundou uma pequena vila no topo do Monte Titano, essa vila cresceu e tornou-se a Cidade de San Marino, capital do país. San Marino é um país independente que fica localizado dentro do território italiano, assim como Lesotho fica localizado dentro da África do Sul. À primeira vista, parece difícil de entender, mas é bem fácil e é por isso que estou aqui.

Mapa de San Marino

Mapa de San Marino

Antes da unificação italiana (1870), o território que hoje conhecemos como Itália era formado por vários reinos e cidades-estado independentes um do outro. Muitos eram auto-governados, outros eram governados pelo Vaticano e tantos outros eram governados pelos áustriacos e pelos franceses.

Devido a sua localização geográfica privilegiada (no topo do Monte Titano), San Marino nunca foi de fato conquistado por nenhum outro reino vizinho, embora tenha lutado inúmeras batalhas com eles, especialmente contra o reino de Rimini, governado pela família Malatesta.

Durante a expansão de Napoleão, San Marino continuava isolado e independente, tanto das tropas francesas, quanto do domínio do Vaticano. Para evitar conflitos, o país manteve-se neutro enquanto Napoleão conquistava todo o território norte da península itálica. Porém, no ano de 1797, San Marino teve que tomar uma decisao e decidiu aliar-se ao franceses, com a condição de continuar independente. Napoleão aceitou e prometeu San Marino sua independencia e soberania, independente do resultado da guerra.

Tal acordo, conhecido como Tratado de Tolentino, foi a carta na manga que San Marino usou para dizer não a unificação italiana, anos depois em 1870. Hoje, o país é formado por 9 pequenas cidades e algumas cidades menores, distribuídas em 61km2 ao longo do Monte Titano e de outras áreas montanhosas ao redor do monte. San Marino também é reconhecido como um estado único do tipo em todo o território europeu e é tombado como Patrimonio Mundial pela UNESCO.

Saindo de Rimini é possível sentir, mesmo sem nenhuma placa gigante anunciando, quando entra-se no território sammarinese, pois o onibus comeca a subir, como se estivesse subindo uma serra. É um sobe, desce e curva danado que só acaba quando chega-se no topo, na Cidade de San Marino. Lá, a vista é incrível e é possíver ver todo o território de San Marino, a cidade de Rimini, o mar Adriático e em dias claros, a costa da Croácia!

Vista do topo de San Marino

Vista do topo de San Marino

O que fiz a partir de lá, conto no próximo post.