Fim do segundo ano de mestrado

Estava olhando no ‘baú’ do blog e notei que postei muito pouco a respeito do mestrado por aqui. Escrevi uns tres posts sobre o assunto e nada mais. Dito isso, venho aqui me redimir e falar um pouco mais sobre o curso, sobre as minhas expectativas, sobre o que aprendi e principalmente, se indico o curso.

Pra quem está chegando agora, eu moro em Cardiff, no País de Gales, onde estou fazendo Mestrado em Com. Gráfica (MA in Graphic Communication) na University of South Wales. Comecei o curso em setembro de 2015 e, por estar cursando part-time, vou acabar em setembro de 2017.

O curso é dividido em 3 partes:

Parte I – 60 créditos de aula e projetos (setembro de 2015 / maio de 2016)
Cheguei a escrever dois posts no blog sobre essa primeira parte, aqui e aqui, onde contei um pouquinho sobre o curso e sobre os trabalhos que fiz.

Parte II – 60 créditos de aula e projetos (setembro de 2016 / maio de 2017)
A segunda parte do curso acabou semana passada, quando entreguei e apresentei o último projeto do curso.

Parte III – 60 créditos de trabalho final (junho a setembro de 2017)
Nao temos dissertacao pra escrever, mas sim um projeto final, chamado de Major Project. O tema do major é pessoal, ou seja, eu tenho que escolher um tema que me interesse e explorar esse tema visualmente. Pode ser qualquer coisa, contando que o resultado final seja visual e que eu tenha material suficiente pra explorar 60 créditos, claro.

Ao invés de banca de defesa, nós organisamos uma exposicao, onde os resultados finais sao apresentados a um grupo de ‘jurados’ da indústria. No momento que esse post foi escrito, eu nao faco a menor ideia do meu tema (prometo escrever um post sobre o major quando ele acabar).

Como nao preciso ir na universidade enquanto trabalho no meu major, resolvi repetir a aventura do ano passado e vou viajar. Trabalhar remoto me permite essa regalia e vou aproveitar, mas esse post nao é sobre isso. Se voce quiser saber pra onde eu vou, clique aqui.

Agora que já expliquei como o curso funciona e em qual etapa dele estou, hora de falar do curso em si.

Se comparado com minhas expectativas antes de comecar o mestrado, achei o curso fraco. Tive pouquíssimas aulas e dessas, menos ainda me foram de fato úteis e me ensinaram alguma coisa. Talvez pelo fato de o curso ter sido ‘desenhado’ pensando nos formandos da própria universidade, que diga-se de passagem, nao fazem o mestrado lá, ou pelo fato de termos um misto muito grande de recém-formados e pessoas com experiencia, o curso acabou deixando a desejar.

Expectativas de lado, aproveitei ao máximo e acredito que eu tenha evoluído e aprendido bastante, principalmente em relacao a técnicas de pesquisa, criacao e desenvolvimento. Sou formado em Publicidade e durante a graduacao, vi muito pouco de pesquisa aplicada a criacao e técnicas de criacao e desenvolvimento, enquanto no mestrado, tais técnicas estavam presentes em cada aula e cada projeto.

No total, o mestrado tem 7 módulos: tres na parte I, tres na parte II e um na parte II. Cada módulo explorou uma certa área do design gráfico (branding, editorial, web, motion graphics, prática profissional e estudo independente) e o conjunto de técnicas aplicadas a cada módulo.

Outro ponto interessante foi que durante o percurso do mestrado, fui ‘forcado’ pelo corpo docente a explorar mais as minhas solucoes e nao me fechar na primeira que encontrei. Também aprendi a vender o meu peixe com embasamento técnico, criativo e de pesquisa, pois cada projeto requeriu uma apresentacao diante de toda a classe, onde éramos bombardeados com perguntas e críticas.

Olhando pra trás, acredito que cresci muito, mas se eu soubesse que o curso seria do jeito que foi, talvez eu teria escolhido um curso um pouco mais academico, como o curso em Portugal, que eu rejeitei porque acreditei que o curso no Reino Unido seria melhor.

Anyway…

…at the end of the day, a British degree is a British degree.

Brexit: a contagem regressiva começou

Desde o dia 24 de junho de 2016, Brexit tem sido pauta diária na mídia britanica. Independente de que lado as pessoas estejam, Remainers ou Brexiteers, o assunto está em todos os lugares. Com a enchurrada de conteúdo sobre o Brexit, um assunto em particular tem tirado o sono de muita gente, o tal do Artigo 50, artigo que trata da saída de um país da União Européia.

Expliquei nesse post tudo sobre o Artigo 50, dá uma lida antes de continuar.

Pois bem, hoje, 29 de marco de 2017, a Primeira Ministra Theresa May, assinou a carta que oficialmente notifica a União Europeia da decisao do Reino Unido de deixar o bloco economico e que, oficialmente inicia o período de dois anos de negociacoes previsto no Artigo 50 da constituicao da UE.

Como o Artigo 50 preve dois anos de negociacoes, a saída oficial do Reino Unido da Uniao Européia será dia 29 de marco de 2019. Essa data pode ser alterada caso os 27 países remanescentes concordem, mas isso é muito improvável.

Nos próximos dois anos, o governo britanico vai brigar com a UE pra conseguir, nas palavras da PM, “o melhor acordo possível para todos os cidadaos do Reino Unido”.

Mas e ai, o que muda agora que o Artigo 50 foi gatilhado?

Teoricamente, nada. Todas as regras, leis e benefícios da UE continuam valendo no Reino Unido e vice-versa. Nenhum cidadão europeu será deportado e continua totalmente legal imigrar para o Reino Unido utilizando um passaporte europeu. A UE já informou que o ‘cut off date‘ pra acabar com a lei de movimento livre será o dia da saída, ou seja, 29 de marco de 2019. O Reino Unido pode querer mudar isso, mas só saberemos conforme as negociacoes caminharem.

Azul: UE / Cinza: AAE / Amarelo: nada

O divórcio entre o Reino Unido e a União Européia vai ser extremamente complicado, afinal sao 45 anos de casamentos e muita, mas muita coisa mesmo está em jogo. Porém, 3 coisas sao extremamente prioritárias nas negociacoes, para os dois lados.

1. Acesso ao single market
O Reino Unido quer sair da UE, mas quer continuar tendo acesso ao mercado livre europeu, que vale bilhoes e possui uma populacao de 500 milhoes de pessoas. Nas leis atuais, para ter acesso ao mercado livre, o país tem que aceitar o livre movimento também, assim como fazem Suica, Noruega e Islandia. O Reino Unido nao quer isso, mas quer acesso ao mercado livre, ou um novo acordo completamente novo, como o que foi feito com o Canadá.

2. Great Repeal Bill
Desde a entrada do Reino Unido na União, muitas leis válidas aqui foram na verdade desenhadas em Bruxelas. O Great Repeal Bill é a tarefa árdua de organisar todas essas leis e uma a uma, decidir o que fica e o que sai. O que fica, deverá ser ratificado como lei britanica, o que pode levar anos. Um dos problemas aqui é que as leis trabalhistas, por exemplo, sao UE e os trabalhadores podem, caso o governo queira, perder todos esses direitos.

3. Cidadãos UE no Reino Unido e vice-versa
Atualmente, existem 3 milhoes de cidadaos europeus no Reino Unido e 1,5 milhoes de britanicos vivendo no resto do continente. Ambos Reino Unido e UE querem que um acordo seja estabelecido logo no comeco, permitindo que todas as pessoas mantenham os seus direitos. Nao sabemos como isso vai acontecer, que tipo de sistema será colocado em prática, mas pelo menos podemos dormir tranquilos que nao iremos ser deportados e que nao perderemos nosso direito de trabalhar livremente.

Além disso, também existe o fator Irlanda do Norte x República da Irlanda e claro, a Indepedencia Escocesa, que assim como a Irlanda do Norte, votou pra ficar na União Européia.

Irlanda do Norte x República da Irlanda

Como voces sabem, a Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido, mas fica na mesma área que a República da Irlanda, que continuará sendo um membro da União Européia. Caso a saída do Reino Unido da UE seja uma saída ruim, a Irlanda do Norte estará numa situacao muito complicada, pois será a única área do Reino Unido com borda física com o UE. O que adianta abolir o movimento livre se as pessoas todam livremente chegar da Grécia na Irlanda e de lá, entrar no Reino Unido pela porta dos fundos?

O problema é tao sério que a União Européia já afirmou que, caso a Irlanda do Norte vote por reunificar-se com a República da Irlanda, ela passará automaticamente a ser um membro da UE de novo, já que se juntou a um, assim como aconteceu com as Duas Alemanhas na década de 90. O governo britanico também afirmou que, honrará o Good Friday Agreement de 1998, em que diz que caso a Irlanda do Norte vote por unificacao, o governo britanico nao irá vetar.

Ou seja, a unificacao irlandesa nunca esteve tao presente.

Independendia Escocesa

O resultado do referendo de junho mostrou claramente a divisao do Reino Unido: irlandeses e escoceses pensam mais parecido, enquanto galeses e ingleses sao mais parecidos. A Escócia votou ficar em todos os colégicos eleitorais e desde entao, tem pressionado a PM a tomar uma posicao em relacao a Escócia. A PM é punho de ferro e disse que a Escócia nao terá nenhum tratamento especial, pois o voto foi em nível Reino Unido e nao nacoes do Reino Unido. Essa resposta fez com que a PM da Escócia ressuscitasse um assunto que deveria ter morrido em 2014, a Independencia Escocesa.

Nicola Sturgeon, PM da Escócia, já consegui que Edimburgo votasse a favor do seu referendo e já está mexendo os pauzinhos pra ter um outro referendo de independencia pouco depois da data de saída da UE. O pedido ainda precisa ser ratificado pela PM do Reino Unido, Theresa May, mas já acenda uma esperanca na Escócia. Caso o voto seja sim, a Escócia terá que ir atrás de um novo acordo com a União Européia, embora ministros já tenham afirmado que a entrada será rápida e indolor, pois a Escócia já cumpre todas as exigencias pra ser um membro.

Futuro das Ilhas Britanicas

Um outro ponto interessante que surgiu hoje veio do Parlamento Europeu, que afirmou que independente do resultado das negociacoes, o Reino Unido terá tres anos pra adaptar-se a nova realidade. Tal afirmacao deu uma acalmada no medo de, da noite pro dia, ter que mudar tudo dentro de um país. O governo britanico havia pedido pelo menos 5 anos, mas de novo, isso pode mudar durante as negociacoes.

Particularmente, eu odeio Brexit. Acho o maior tiro no pé! Entendo que a Uniao Européia precisa mudar muito e que nao é perfeita, mas nao acredito que sair seja a saída. O que deixa a coisa menos feia é a possibilidade de ver uma Irlanda unida e uma Escócia independente.

Retrospectiva 2016

It’s that time of the year again: retrospectiva do ano! Vamos recapitular?

Confira as retrospectivas de 2012, 2013, 2014 e 2015.

Janeiro
O primeiro mes do ano foi bem calmo pra mim, escrevi alguns posts interessantes aqui no blog e infelizmente, nao viajei pra lungar nenhum. Janeiro teria sido calmaria total, se nao fosse pelo fato de eu ter dado a primeira palestra da minha vida em ingles! Isso mesmo, eu fui convidado pra dar uma talk no Design Stuff Cardiff e voce pode conferir o vídeo aqui.

Fevereiro
Em fevereiro, entreguei o primeiro projeto grande do mestrado (que vale dizer, tirei distinction), contei pra voces o porque do País de Gales nao estar na Union Jack, celebrei 3 anos morando fora e viajei para a Finlandia, pra visitar a Bia – e o Papai Noel!

Marco
Comecei o mes celebrando 6 meses em Cardiff, seguido de uma viagem incrível pra Praga, na República Tcheca. Além disso, vi uma das minhas cantoras preferidas, Ellie Goulding, de pertinho e fiz minha tatuagem n.5.

Abril
Olhando na agenda, abril foi paradíssimo! Nada aconteceu. Olhando no blog, acho que eu estava numa crise de identidade e escrevi um post sobre a minha busca por um ninho.

Maio
Infelizmente, nao escrevi nada no blog, mas em maio eu visitei meus amigos e o pessoal da empresa em Sligo. Fiz tudo de surpresa, o que foi super legal! Contei apenas pra um amigo (que me cedeu o sofá) e fui. Também celebrei o fim do primeiro ano do mestrado e anunciei a minha viagem de verao aqui no blog.

Junho
Comecei junho celebrando 9 meses em Cardiff e fazendo as malas para 35 dias de muito sol e calor na Itália. Passei a maior parte desse tempo em Rimini, mas também visitei San Marino, um dos micro-estados europeus, e a Croácia. Viagens que vao ficar no coracao pra sempre. Também celebrei 4 anos de blog, com um sorteio aqui no blog! O mes acabou mal, com a decisao do Reino Unido de deixar a Uniao Européia.

Julho
Tive o prazer de celebrar meu aniversário na Itália, rodeado de novos amigos e num calor #Rio40Graus. Já de volta no Reino Unido, fui extra em uma série de TV filmada em Cardiff e dei uma esticadinha em Londres pra assistir Harry Potter and the Cursed Child, que diga-se de passagem, foi o ponto alto do meu ano!

Agosto
Como de costume, agosto foi dark. De férias do mestrado, sem nenhuma viagem marcada, procurando emprego feito doido – nada de legal aconteceu. Escrevi no blog a minha lista de 30 antes dos 30.

Setembro
Comecei o mes celebrando um ano em Cardiff, com um post super amor e ódio sobre a capital. Visitei os amigos em Sligo mais uma vez, mas dessa vez bem mais bem planejado! Também visite o Brecon Beacons, um dos 3 Parques Nacionais do País de Gales.

Outubro
Se nao fosse pelo Halloween, que me fantasiei de merman e passei muito frio, outubro teria sido mais chato que agosto. Rolou um monte de trabalho do mestrado e apenas um post aqui no blog, a lista de países que quero conhecer.

Novembro
Junto com novembro, o frio, a chuva e a escuradao chegaram em Cardiff. Pra escapar, fui pro Marrocos, no norte da África. Conheci Marrakech e Zagora, na boca do Saara. Também fiz outra tatuagem, que cobriu uma que eu nunca curti.

Dezembro
Comecei o mes voando pra Sligo, pra participar da Christmas Party da empresa. No dia 18, embarco pro Brasil, mas com paradinha de 6h em Orlando, na Flórida. Vou, com certeza, escrever aqui no blog sobre a experiencia.

Parques Nacionais do País de Gales: Brecon Beacons

O Reino Unido é bem parecido com a Irlanda no quesito paisagens naturais, é bem verde, cheio de montanhas, vales, lagos e bosques. Como todo país desenvolvido, eles buscam proteger a sua vida selvagem natural e o fazem mantendo Parques Nacionais espalhados pelo país. No total, existem 15 Parques Nacionais no Reino Unido, a maioria na Inglaterra, alguns na Escócia e apenas 3 aqui no País de Gales.

Snowdonia, que fica no norte do país; Pembrokeshire, no sudoeste; e Brecon Beacons, aqui no sul.

Antes de me mudar pra Cardiff, eu já havia pesquisando bastante sobre os Parques Nacionais do País de Gales e coloquei na cabeca que queria conhece-los. Olhando no mapa, Brecon Beacons é bem próximo de Cardiff, mas impossível de chegar com transporte público – o mesmo vale para Pembrokeshire e Snowdonia.

Parques Nacionais em Gales

Parques Nacionais em Gales

Um ano depois, a oportunidade de conhecer Brecon Beacons surgiu!

Os pais de um amigo meu queriam subir a montanha Pen-Y-Fan, montanha mais alta do Brecon Beacons e ele me convidou pra ir junto. Saímos de Cardiff de manha, munidos de água e comida pra fazermos um picnic, e fomos até a base da montanha de carro.

Base da Pen-Y-Fan

O dia estava relativamente ensolarado á hora que chegamos, mas conforme fomos subindo a montanha, as nuvens foram abaixando e o vento ficava cada vez mais forte. Demoramos cerca de 1h20min pra subir até o topo, que em dias claros, oferece uma visao maravilhosa do sul de Gales. Infelizmente a gente nao conseguir ver tanto, mas o pouco que vimos foi incrível!

Durante todo o percurso eu sentia uma forte sensacao de deja-vu com tudo aquilo, afinal é tudo tao parecido com a Irlanda que meu cérebro achava que eu estava em Sligo, subindo a Knocknarea. Foi um experiencia muito legal and I can’t wait to go nos outros dois Parques Nacionais.

No topo da montanha

Eu e os migos no topo da montanha ❤

1 ano em Cardiff

Se alguém tivesse me perguntado, há 3 ou 6 meses atrás, como eu imaginava a comemoracao do meu primeiro ano morando em Cardiff, eu provavelmente teria dito algo completamente diferente do que está acontencendo hoje.

No post de 9 meses, comentei que Cardiff enfim tornou-se my home e que eu consigo me ver morando aqui por um período maior do que os dois anos de mestrado. A única coisa que me assustava, back there, era a possibilidade do Brexit (que infelizmente aconteceu, mas que nao discutiremos nesse post).

Pois bem, hoje eu completo um ano morando em Cardiff, essa cidade que, nesse exato momento, eu amo e odeio.

A amo porque me sinto bem aqui, me sinto acolhido e sinto que posso escrever um futuro bem interessante aqui. Fiz grandes amigos, amo localizacao da minha casa, amo poder passear pelos jardins do castelo, amo o Bute Park, amo morar na esquina do Rio Taff, amo fazer tudo a pé ou de skate, amo a bahia da cidade, amo as Arcades. Enfim, sao muitas razoes que me fazem amar Cardiff e todo esse amor me fez tomar uma decisao que, sinto ser a cereja que está faltando nesse bolo.

Cardiff Bay <3

Cardiff Bay ❤

Quero conseguir um emprego aqui.

Quando saí de Sligo, a ideia de me tornar um nomade digital/remote worker me parecia um sonho muito maravilhoso. Poder trabalhar e viajar ao mesmo tempo é realmente uma experiencia incrível, minha (maravilhosa, diga-se de passagem) estadia na Itália me provou isso…mas, infelizmente, eu nao me adaptei.

Por conta do mestrado, eu preciso estar em Cardiff por dois anos, o que me impede de sair viajando por aí com meu laptop e trabalhando com os pés enfiados na areia. Preciso trabalhar de casa, todos dias. No comeco foi legal, diferente, inovador…mas agora cansou. Nao aguento mais passar tanto tempo sozinho, quero me arrumar bonitinho pra ir pro trabalho, quero voltar a ter colegas de trabalho, quero falar mal do chefe com outras pessoas e coisas do tipo.

Sem contar que, na minha percepcao, só fazemos parte mesmo de uma sociedade quando interagimos com ela em todos os seus ambitos. E trabalhar de casa estava me deixando de fora do ambito trabalho. Por mais que Cardiff seja incrível e que eu sinto que aqui seja my home, sinto que está sempre faltando algo.

Cardiff City Hall

Cardiff City Hall

Pra resolver esse dilema, resolvi arregacar as mangas e procurar emprego. Atualizei o currículo, atualizei o portfolio e no comeco de julho, comecei a madar CV pra vagas que me interessavam. Já apliquei pra muitaaaaaaaaaas vagas e so far, fiz apenas 3 entrevistas, que nao rolaram, e recebi uns 2138918954954363 emails do tipo ‘sorry but your application has been unsuccessful‘.

Razao pela qual, nesse momento, odeio Cardiff a little bit.

Sei que é fase, sei que vai passar, sei que no final vai dar tudo certo…mas I can’t help thinking que Cardiff está me rejeitando, que Cardiff nao quer que eu fique aqui. Estou vivendo mais um amor nao correspondido e it sucks!

Espero que as águas mudam nas próximas semanas.

Celebrando 4 anos de blog

Hoje é um dia super especial, pois é o aniversário de 4 anos do blog.

4-anos-de-blog

Quando eu comecei, nao imaginava que o blog iria vingar, pra mim, eu estava apenas criando um diário e usando-o como válvula de escape para a ansiedade em embarcar para a Irlanda.

4 anos se passaram e o Livin’ La Vida…Rick! cresceu. Hoje o blog recebe em média 200 visitas por dia, um total de 1.400 por semana e 5.600 visitas por mes! Pra tantos outros blogs na ~interwebs~ esse numero nao é nada. Pra mim on the other hand esses numeros significam um montao de gente linda se entretendo com o blog e eu fico super feliz! O problema, amigos, é que a média de comentários do blog é de apenas tres, quatro…as vezes cinco comentários por post.

Daí eu pensei, como celebrar os 4 anos do blog e convencer voce, querido leitor que nao comenta nunca, a investir dois minutinhos do seu tempo e comentar? O resultado do meu brainstorm foi esse post.

Vou montar um kit Union Jack, com algumas coisinhas típicas do País de Gales e do Reino Unido.

Pra concorrer ao kit, voce precisa fazer tres coisas:
1) cadastrar seu email no blog (canto direto, embaixo de “Mais lidos”)
2) comentar o motivo de voce ler o blog e o que voce mais gosta de ler aqui.
3) me falar de onde voce é.

Vou ler e responder todos os comentários e vou usar o Random.org pra sortear o vencedor, que receberá, em qualquer lugar do mundo (que seja acessivel pelo Royal Mail) o kit e um cartao. Vou te contatar por email, entao cadastra ele bonitinho, tá?

Ótimo! Agora chega de conversa fiada, quero ver todo mundo interagindo.

Como é a vida em Cardiff

Um monte de gente vem me perguntar como anda a minha em Cardiff, como ‘coisa X’ funciona em Cardiff, quanto custa ‘Z’ em Cardiff, quanto custa ‘Y’ em Cardiff e por aí vai. Pra responder todo mundo, resolvi escrever esse texto.

Cultura
Cardiff, mesmo sendo pequena, é uma capital e como toda capital, tudo acontece por aqui. A cidade possui dois grandes teatros, o New Theatre e o Millennium Centre, ambos com uma agenca de atracoes bem interessantes e que vira-e-mexe contam com espetáculos do West End de Londres.

Além do teatro, sao 3 casas de show, com show de várias bandas ao longo do ano. Eu já vi Ellie Goulding e Stereophonics, e Beyoncé vai tocar aqui esse mes. A cidade também várias galerias de arte, museus nacionais e recentemente inaugurou o Royal Mint (que ainda nao conferi), uma espécie de museu da moeda.

Rolam também muitos festivais locais e tem sempre alguma coisa acontecendo nos parques, nas Arcades e claro, em Cardiff Bay.

Millennium Centre

Millennium Centre

Noite de Cardiff
Sair á noite em Cardiff é uma experiencia incrível! Nos últimos anos, Cardiff se tornou uma espécie de cidade hub para as famosas hen & stag parties. Hen party é a despedida de solteira da mulher e stag party, do homem.

Aos finais de semana a cidade é tomada por grupos de homens e mulheres fantasiados, vestindo camisetas personalisadas, cheios de acessórios e etc. Em uma night out em Cardiff é super normal trombar com Spider Man, Superman, bailarinas, vacas e canudos em formato fálicos. Sem contar que Cardiff é casa para mais de 30 mil estudantes, fazendo com que a cidade nao pare nem na segunda-feira.

Ser estrangeiro em Cardiff
Por ser a capital, Cardiff é bem cosmopolita (nao tanto quanto Dublin ou Londres) e é super normal ver gente diferente nas ruas e ouvir sotaques e idiomas variados ao andar nas ruas. Na minha universidade, sao cerca de 4 mil estudantes internacionais apenas esse ano, entao dá pra ter uma idea. Eu nunca sofri preconceito por ser estrangeiro e nunca fui mal-tratado ou recebi privilégios por isso. Totalmente normal.

Cardiff Bay

Cardiff Bay

Segurança
Nunca vi policial correndo ou viatura buzinando em Cardiff. Embora um dia eu tive que abrir a porta de casa para duas policiais que receberam uma denúncia de que um foragido estava na nossa área e elas queriam ver se do fundo da nossa casa, que é de esquina, dava pra ver as outras casas.

Turismo em Cardiff
Cardiff é bastante turística, mas apenas nos pontos ao redor do castelo. Por ali, é sempre uma muvuca e sempre lotado de gringo. Saiu daquela área, a cidade volta a ser bem local. Como um local, acho que a convivencia entre os turistas e nós é bem sossegada.

Torre Romana

Torre Romana

Custo de vida
Se comparada com o restante do País de Gales, Cardiff é cara, mas se comparada com Londres, Dublin e muitas outras capitais européias, Cardiff é uma pechinha. Distrinchei (eita palavra feia) meus gastos pra voces terem um ideia melhor.

Aluguel: pago £285 mes, mas tenho cama de casal e moro em uma área super boa e central, é possível achar quartos singles por £200-250.

Comida: meu gasto semanal é de £30 em média, um pouco caro, mas eu compro muita proteína (que é caro), suco natural, frutas e nao me prendo mais a ‘marca do mercado’.

Contas: energia, gás, água e internet gira em torno de £60 por mes para cada um de nós. Somos em 3, logo, £180 mes. O que aperta o orcamento é a council tax, que é obrigatória no Reino Unido todo. É uma taxa residencial, de aproximamdente £100 por casa, por mes. Esse ano a gente nao paga, mas ano que vem pagaremos e vamos ter que acrescentar £33 nas contas.

Telefonia celular: uso EE mobile e com £10 mes, tenho 1GB de internet, SMS ilimitado e ligacoes ilimitadas.

Lazer e baladas: aqui a coisa fica mais feia, porque beber nos pubs e bares é bem caro. Dependendo de onde voce for, cobra-se £6 por uma pint. Claro que existem lugares, como Wetherspoons, que cobra £3. Minha dica é, pre-drink em casa e beba menos no pub. A vantagem é que, tirando as baladas, pubs e bares nao cobram para entrar. Eu gasto uns £20 quando saio, na média.

Cinema: o ticket geral no VUE é £4 e no Cineworld é £9, porém o Cineworld tem desconto de estudante e sai por £3. Eu vou umas 5x por mes no Cineworld, que é mais próximo.

Transporte: eu nao uso transporte público, mas quando preciso, nunca pago mais do que £2 por um single ticket.

Total: £570 (incluindo 4 nights outs por mes, 5 idas ao cinema e 4 semanas de mercado)