Brexit: a contagem regressiva começou

Desde o dia 24 de junho de 2016, Brexit tem sido pauta diária na mídia britanica. Independente de que lado as pessoas estejam, Remainers ou Brexiteers, o assunto está em todos os lugares. Com a enchurrada de conteúdo sobre o Brexit, um assunto em particular tem tirado o sono de muita gente, o tal do Artigo 50, artigo que trata da saída de um país da União Européia.

Expliquei nesse post tudo sobre o Artigo 50, dá uma lida antes de continuar.

Pois bem, hoje, 29 de marco de 2017, a Primeira Ministra Theresa May, assinou a carta que oficialmente notifica a União Europeia da decisao do Reino Unido de deixar o bloco economico e que, oficialmente inicia o período de dois anos de negociacoes previsto no Artigo 50 da constituicao da UE.

Como o Artigo 50 preve dois anos de negociacoes, a saída oficial do Reino Unido da Uniao Européia será dia 29 de marco de 2019. Essa data pode ser alterada caso os 27 países remanescentes concordem, mas isso é muito improvável.

Nos próximos dois anos, o governo britanico vai brigar com a UE pra conseguir, nas palavras da PM, “o melhor acordo possível para todos os cidadaos do Reino Unido”.

Mas e ai, o que muda agora que o Artigo 50 foi gatilhado?

Teoricamente, nada. Todas as regras, leis e benefícios da UE continuam valendo no Reino Unido e vice-versa. Nenhum cidadão europeu será deportado e continua totalmente legal imigrar para o Reino Unido utilizando um passaporte europeu. A UE já informou que o ‘cut off date‘ pra acabar com a lei de movimento livre será o dia da saída, ou seja, 29 de marco de 2019. O Reino Unido pode querer mudar isso, mas só saberemos conforme as negociacoes caminharem.

Azul: UE / Cinza: AAE / Amarelo: nada

O divórcio entre o Reino Unido e a União Européia vai ser extremamente complicado, afinal sao 45 anos de casamentos e muita, mas muita coisa mesmo está em jogo. Porém, 3 coisas sao extremamente prioritárias nas negociacoes, para os dois lados.

1. Acesso ao single market
O Reino Unido quer sair da UE, mas quer continuar tendo acesso ao mercado livre europeu, que vale bilhoes e possui uma populacao de 500 milhoes de pessoas. Nas leis atuais, para ter acesso ao mercado livre, o país tem que aceitar o livre movimento também, assim como fazem Suica, Noruega e Islandia. O Reino Unido nao quer isso, mas quer acesso ao mercado livre, ou um novo acordo completamente novo, como o que foi feito com o Canadá.

2. Great Repeal Bill
Desde a entrada do Reino Unido na União, muitas leis válidas aqui foram na verdade desenhadas em Bruxelas. O Great Repeal Bill é a tarefa árdua de organisar todas essas leis e uma a uma, decidir o que fica e o que sai. O que fica, deverá ser ratificado como lei britanica, o que pode levar anos. Um dos problemas aqui é que as leis trabalhistas, por exemplo, sao UE e os trabalhadores podem, caso o governo queira, perder todos esses direitos.

3. Cidadãos UE no Reino Unido e vice-versa
Atualmente, existem 3 milhoes de cidadaos europeus no Reino Unido e 1,5 milhoes de britanicos vivendo no resto do continente. Ambos Reino Unido e UE querem que um acordo seja estabelecido logo no comeco, permitindo que todas as pessoas mantenham os seus direitos. Nao sabemos como isso vai acontecer, que tipo de sistema será colocado em prática, mas pelo menos podemos dormir tranquilos que nao iremos ser deportados e que nao perderemos nosso direito de trabalhar livremente.

Além disso, também existe o fator Irlanda do Norte x República da Irlanda e claro, a Indepedencia Escocesa, que assim como a Irlanda do Norte, votou pra ficar na União Européia.

Irlanda do Norte x República da Irlanda

Como voces sabem, a Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido, mas fica na mesma área que a República da Irlanda, que continuará sendo um membro da União Européia. Caso a saída do Reino Unido da UE seja uma saída ruim, a Irlanda do Norte estará numa situacao muito complicada, pois será a única área do Reino Unido com borda física com o UE. O que adianta abolir o movimento livre se as pessoas todam livremente chegar da Grécia na Irlanda e de lá, entrar no Reino Unido pela porta dos fundos?

O problema é tao sério que a União Européia já afirmou que, caso a Irlanda do Norte vote por reunificar-se com a República da Irlanda, ela passará automaticamente a ser um membro da UE de novo, já que se juntou a um, assim como aconteceu com as Duas Alemanhas na década de 90. O governo britanico também afirmou que, honrará o Good Friday Agreement de 1998, em que diz que caso a Irlanda do Norte vote por unificacao, o governo britanico nao irá vetar.

Ou seja, a unificacao irlandesa nunca esteve tao presente.

Independendia Escocesa

O resultado do referendo de junho mostrou claramente a divisao do Reino Unido: irlandeses e escoceses pensam mais parecido, enquanto galeses e ingleses sao mais parecidos. A Escócia votou ficar em todos os colégicos eleitorais e desde entao, tem pressionado a PM a tomar uma posicao em relacao a Escócia. A PM é punho de ferro e disse que a Escócia nao terá nenhum tratamento especial, pois o voto foi em nível Reino Unido e nao nacoes do Reino Unido. Essa resposta fez com que a PM da Escócia ressuscitasse um assunto que deveria ter morrido em 2014, a Independencia Escocesa.

Nicola Sturgeon, PM da Escócia, já consegui que Edimburgo votasse a favor do seu referendo e já está mexendo os pauzinhos pra ter um outro referendo de independencia pouco depois da data de saída da UE. O pedido ainda precisa ser ratificado pela PM do Reino Unido, Theresa May, mas já acenda uma esperanca na Escócia. Caso o voto seja sim, a Escócia terá que ir atrás de um novo acordo com a União Européia, embora ministros já tenham afirmado que a entrada será rápida e indolor, pois a Escócia já cumpre todas as exigencias pra ser um membro.

Futuro das Ilhas Britanicas

Um outro ponto interessante que surgiu hoje veio do Parlamento Europeu, que afirmou que independente do resultado das negociacoes, o Reino Unido terá tres anos pra adaptar-se a nova realidade. Tal afirmacao deu uma acalmada no medo de, da noite pro dia, ter que mudar tudo dentro de um país. O governo britanico havia pedido pelo menos 5 anos, mas de novo, isso pode mudar durante as negociacoes.

Particularmente, eu odeio Brexit. Acho o maior tiro no pé! Entendo que a Uniao Européia precisa mudar muito e que nao é perfeita, mas nao acredito que sair seja a saída. O que deixa a coisa menos feia é a possibilidade de ver uma Irlanda unida e uma Escócia independente.

Os idiomas do Reino Unido

Para os olhos do restante do mundo, o Reino Unido é um país cujo idioma é o inglês e a capital é Londres. Para o Reino Unido, porém, o Reino Unido é uma uniao formada por 4 países, 4 capitais e com 6 idiomas, se contarmos a Ilha de Mann, que nao é parte do Reino Unido mas é uma província oficial.

Pode ser supresa pra muita gente, mas o inglês nao é a única língua oficial da Gra-Bretanha. Além dele, no Reino Unido cada um dos 4 países que formam a uniao (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) possuem o seu próprio idioma e sao extremamente orgulhosos dele. No País de Gales, o galês é língua oficial; na Escócia, o escocês; na Irlanda do Norte, o irlandês; em Cornwall (Inglaterra), cornês e na Ilha de Mann, manx.

O que eles tem em comum? Todas as 5 línguas sao celtas e estao entre as línguas mais velhas do mundo, datando 3 mil anos atrás!

Aqui no País de Gales, por exemplo, o galês é presente em todos os lugares. Nao apenas em órgaos do governo, mas também em lojas do comércio, em comerciais na TV, nos correios, nas propagandas do Spotify, nos caixas eletronicos, no Tesco, na Primark, nos bancos…a lista vai longe.

Reino Unido e Irlanda em seus respectivos nomes célticos

Reino Unido e Irlanda em seus respectivos nomes celtas

O inglês, obviamente, é falado em todos os lugares do Reino Unido, mas é possível encontrar vilas e cidades pequenas em várias partes das ilhas que falem galês, escocês, cornês ou irlandês fluentemente! O País de Gales é o país que mais preservou o seu idioma original, o galês. O interior e o norte do País de Gales é praticamente “English free“.

Dias atrás eu conheci uma galesa, do norte, que aprendeu inglês apenas depois dos 7 anos, pois era obrigatório na escola, já que em sua casa o galês é o idioma oficial. Minhas housemates também, quando vao para casa, ambas do sul do país, tem que falar em galês com os avós.

Séculos atrás, quando a uniao nao era tao estabelecida e conflitos aconteciam o tempo todo, a Inglaterra proibiu o uso dos outros idiomas na ilha, com o intuito de proteger o inglês e torná-lo o idioma oficial. Deu certo, mas nos últimos 30 anos, o Reino Unido, com a ajuda da Uniao Européia, tem se esforcado para recuperar e reviver os outros idiomas originais da ilha, pois finalmente entendeu que mais línguas faz o Reino Unido ainda mais rico culturalmente!

O número de falantes do idiomas celtas na Gra-Bretanha e na Irlanda ainda nao é enorme, mas vem crescendo a cada dias gracas a quantidade de novas escolas bílingues e `a investimentos do governo na preservacao dos idiomas.

Fontes:
http://www.englishmonarchs.co.uk/celts_22.html
http://www.fr.brezhoneg.bzh/136-a-few-information-for-english-people.htm

Afinal, porque o País de Gales não está na Union Jack?

A Union Jack, nome da famosa bandeira azul, branca e vermelha que representa o Reino Unido para o restante do mundo, nem sempre foi como a conhecemos hoje. A história da bandeira comecou em 1606, quando os entao Reino da Inglaterra e Reino da Escócia, depois de décadas de batalhas sem nenhum vencedor, decidiram se juntar politicamente e criar o Reino da Grã-Bretanha.

Para oficializar a união, eles decidiram juntar as duas distintas bandeiras em uma só. E foi assim que a primeira Union Jack foi criada. Porém, foi só em 1707, através de uma proclamacao da Rainha Anne, que a bandeira foi oficializada como bandeira oficial da Grã-Bretanha.

Primeira bandeira da Grã-Bretanha

Primeira bandeira da Grã-Bretanha

Pulando quase um século para frente, em 1801, a Irlanda, até então apenas domínio do reino britanico, tornou-se parte do reino, ganhando “voz” no parlamento pela primeira vez desde a invasao, em 1169. Para celebrar a nova uniao, a Irlanda foi incorporada `a Union Jack e a bandeira ganhou o design que conhecemos hoje.

Union Jack como conhecemos hoje

Union Jack como conhecemos hoje

Mas e o País de Gales, por que nao faz parte da bandeira, mesmo sendo um membro oficial do Reino Unido?

A resposta é simples, tanto a Escócia, como a Irlanda, foram incorporadas ao Reino Unido por meio de uma uniao política, com os dois lados concordando e assinando um documento. O País de Gales nao teve essa sorte, já que foi conquistado por forca pela Inglaterra em 1277, tornando-se entao uma regiao da Inglaterra, ao invés de um país.

Mais ou menos como aconteceu com a Catalunya, na Espanha.

O status de país só foi devolvido ao País de Gales no século XIX, quando o reino britanico estava no seu auge, com domínio sobre 1/4 do planeta, tornando a Union Jack uma das bandeiras mais temidas e respeitadas do mundo, razao pela qual não fazia nenhum sentido alterá-la.

Inclusive, a bandeira do País de Gales (abaixo) só foi reconhecida oficialmente pelo governo britanico em 1959, até esse dia, os galeses eram oficialmente representados pela bandeira da Inglaterra, mesma que a bandeira galesa já estivesse na ativa desde 1806.

I'm the mother of DRAGONS - Bandeira do País de Gales

I’m the mother of DRAGONS – Bandeira do País de Gales

E assim é até hoje.

Uma aventura pela Costa Oeste da Irlanda – Giants Causeway

O último dia da aventura pela costa norte-oeste foi o mais emociante e cansativo de todos. Meu dia começou às 08h da manhã em Derry, onde peguei um trem (10 libras ida e volta) para a cidade de Coleraine e de lá um ônibus para o Giants Causeway.

A viagem de trem entre Derry e Coleraine merece destaque no post porque, segundo guias de viagem e muitos blogs de viagem por aí, é um dos trajetos costeiros de trem mais belos da Europa. Como o dia estava, obrigado Zeus, maravilhoso como nos 3 dias anteriores, eu pude comprovar isso. As paisagens que vi pelo caminho são lindas demais! O trajeto todo é costeiro, ou seja, tem marzinho lindo do lado de fora da janela o tempo todo. Alguns trecos são mais ‘montanhosos’ e parece que o trem vai cair nos cliffs. Se o trem fosse mais rápido, seria uma super montanha-russa.

giants causeway

O ônibus para os Giants sai da estação de trem de Coleraine de 15 em 15 minutos, mas como era feriado na segunda de Páscoa, o horário era de 1 em 1 hora. Dei sorte e assim que desembarquei do trem, vi o ônibus saindo. Saí correndo e o motorista abriu a porta pra mim. O ticket custou só 6 libras ida e volta.

giants causeway

Cheguei na entrada do Giants Causeway pouco antes das 11h e fui direto pra entrada. Dizem que é possível dar a volta e ver tudo sem passar pela entrada principal, que cobra 5,70 libras pra entrar, mas eu não achei. Logo, paguei.

Eles entregam um pequeno mapinha dos Giants e da costa onde eles estão localizados e também um áudio-guia. O áudio-guia é bem interessante e é narrado por um ‘personagem’ da região, o Jerry. Jerry nasceu na região e cresceu ouvindo histórias sobre os gigantes que fizeram as pedras e sobre as outras lendas que cercam o local.

giants causeway

A região onde ficam os Giants Causeway é cheia de lendas, indo desde sereias a serpentes marinhas que foram esquecidas por Saint Patrick, mas sem dúvida a mais famosa é a dos gigantes Finn McCool e Bennandonner. Diz a lenda que o gigante irlandês Flinn, resolveu que iria conquistar as terras do gigante escocês Bennandonner, também conhecido como Red Man. Para isso ele constrói uma enorme calçada de pedras ligando a ponta da Irlanda do Norte com a ponta da Escócia. Quando Finn chegou lá e viu que ‘Red Man’ era bem maior e perigoso do que ele imaginava, ele voltou correndo pra casa.

Quando contou a história à sua esposa, Oonagh, sobre o ocorrido ela teve uma ideia para salvar a vida do seu marido. Ela o vestiu de criança e o colocou em um berço. Quando o gigante escocês chegou na Irlanda procurando por Finn, Oonagh disse que ele havia saído pra caçar e a deixado em casa cuidando do filho deles, que dormia no berço. Quando ‘Red Man’ viu o tamanho do bebê no berço, ela imaginou que Finn poderia ser muito maior e correu pra Escócia.

Legal, né?

Hoje em dia o que sobrou do Giants Causeway, ou ‘Calçada dos Gigantes’ é bem pouquinho, mas ainda muito impressionante. As pedras são perfeitamente lapidadas e parecem uma colméia de abelha!

Toda a costa aos arredores do lugar é increvelmente bela e em um dia lindo, como o que estava fazendo, é muito perfeito! Assim como os Cliffs of Moher, é difícil descerver a sensação de estar lá, por isso deixo as fotos.

giants causeway

Depois dos Giants, almocei por alí eu peguei outro ônibus e fui pra parte mais ousada da aventura, a ‘Carrick-a-rede’ ponte, que fica á uns 15 minutos do Giants. A ponte foi criada por pescadores da região que, em busca de um melhor salmão, construíram a ponte para pegar o salmão ainda mais selvagem.

A entrada para atravessar a ponte custa 5 libras e, assim como a costa onde está o Giants, a vista é maravilhosa. Antes de chegar na ponte é preciso caminhar 1km pela beirada dos cliffs. É uma caminhada muito gostosa e com uma vista fantástica!

carrick-a-rede

A travessia da ponte é bem simples: faz-se uma fila indiana e todo mundo atravessa. A ideia é atravessar, ir até a ponta da ‘montanhinha’ no meio do mar, avistar a sombra da Escócia e voltar.

Eu não tenho medo de altura, mas mesmo assim me senti desafiado ao ver aquele mar bravo debaixo dos meus pés. Não arrisquei tirar selfies, porque a ponte balançava muito e fiquei com medo do meu celular cair ou d’eu cair.

carrick-a-rede

Vale mencionar também que o dia estava super claro e limpo, mas não vi nem sinal da Escócia como dizem ser possível.

Depois da ponte, já era hora de voltar pra casa, mas com uma certeza de que a Irlanda é SIM um dos países mais lindos do mundo. Tão linda, verde e cheia de natureza bela como o nosso Brasil.

Uma aventura pela Costa Oeste da Irlanda – Derry~Londonderry

O 3º dia da minha aventura pela costa norte-oeste foi em Derry~Londonderry, na Irlanda do Norte. Derry é a segunda maior cidade da Irlanda do Norte, com pouco mais de 100 mil habitantes e é também uma das cidades mais importantes da história das duas Irlandas.

Foi em Derry que, em 1972, soldados britânicos abriram fogo contra militantes do IRA, partido que pregava a independência da Irlanda do Reino Unido, matando 31 irlandeses. O fato chocou o país, já que a Guerra Civil já havia acabado há muitos anos e não havia motivos para os soldados britânicos abrirem fogo contra os protestantes.

A música “Sunday Blood Sunday” do U2 é sobre esse dia.


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Derry também é a única cidade da Irlanda e uma das únicas da Europa que preserva 100% dos muros que cercavam a cidade na era medieval. Sabe aqueles muros que a gente vê em Game Of Thrones, que cercam toda a cidade e abrem-se os portões, usam os canhões, arqueiros e etc? Em Derry ainda tem e dá pra ver e caminhar neles. É sensacional!

Muro de Derry

Muro de Derry

Bem perto do muro fica outro muro, o da liberdade. É nele que os famosos dizeres “you are now entering free Derry” (agora você está entrando na Derry liberta) estão escritos. Por ali também ficam os famosos murais sobre a guerra e também o monumento ao Sunday Blood Sunday, que falei acima.

Free Derry

Free Derry

Por conta desses conflitos do passado, Derry~Londonderry carrega (va) um peso e esse é um dos motivos da mudança de nome da cidade.

Derry sempre chamou Derry, mas de uns tempos pra cá a chamada passou a ser chamada também de Londonderry. A ideia veio, claro, do governo britânico e busca revitalizar o nome da cidade e reposicioná-la, além também de apagar as coisas do passado.

Blood Sunday Memorial

Blood Sunday Memorial

Um dos grandes avanços no nome Londonderry, foi a escolha da cidade para ser a “Cidade Cultura do Reino Unido” no ano passado. Todo ano o governo britânico elege uma de suas cidades para ser a “Cidade Cultura” e foca toda a atividade de turismo para essa cidade. Pela primeira vez desde que o projeto existe, uma cidade da Irlanda do Norte foi escolhida.

O nome Londonderry ainda não pegou, mas já dizem por aí que Derry é pra republicano e Londonderry pra britânico. Até que faz sentido.

Derry tem outras coisas legais também, como o Guildhall, que é uma igreja super linda no centro da cidade e o cartão postal mais bonito de Derry, a “The Peace Brigde”, que dança sob o rio.

The Peace Bridge

The Peace Bridge

Particularmente, eu não esperava muito de Derry e fui positivamente surpreendido. E só pra não esquecer, fiquei hospedado no Derry Independant Hostel, que fica pertinho da ponte e jantei no “The Ice Wharf”, que tem promoção de burguer + fritas + qualquer pint por 5,20 libras!

The Color Run – Belfast

Voces ja ouviram falar da ‘The Color Run’? A ‘The Color Run’ è um evento que acontece em varios lugares do mundo ao longo do ano e que tem como slogan: os 5k mais enlouquecidos do mundo!

Nao è um evento com fins sociais, pois a ‘The Color Run’ è uma empresa e lucra (muito) com o evento, mas eles facilitam doacoes para instituicoes de caridade caso voce queira doar. No ato da inscricao, alem de pagar seu ingresso, voce tambem pode escolher uma instuicao de caridade (geralmente da cidade/pais que esta sediando o evento) e fazer uma doacao.

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A Irlanda sediou o evento pela primeira vez, mas de um jeito meio confuso, pois o evento foi em Belfast (Irlanda do Norte) e nao em Dublin (Republica da Irlanda). Belfast, por fazer parte do Reino Unido, estava no calendario dos eventos ‘The Color Run’ de la, junto com Londres, Manchester e Edimburgo. No calendario de eventos da Irlanda deveria estar Dublin (ou outra cidade da Irlanda), mas tambem estava Belfast, como se a cidade fizesse parte dos dois.

O evento è bem local e nao tem uma divulgacao tao massiva. Eu fiquei sabendo atraves do Facebook, porque um amigo daqui de Sligo compartilhou um status da fanpage deles. Fiquei curioso, fui ver e fiquei morrendo de vontade de participar!

Os ingressos custavam €30/£25 e davam direito a um numero de corredor e ao material do evento: uma camiseta, uma faixa, uma capa de chuva e a uma tatuagem de pele. Eu fui sortudo e ganhei o meu ingresso e o da Barbara atraves de um sorteio feito pelo perfil da Vita Coco no Twitter. Yay!

Chegamos na rodoviaria de Belfast no sàbado por volta das 10h e tivemos que andar 30m pra chegar ate o Titanic Museum, local do evento. Sem brincadeira, eu nunca vi tanto irlandes reunido. Eu e Barbara ficamos ate brincando de procurar gente diferente no meio de tanto ruivo/loiro/branquelo. Achamos uns 2 asiaticos e nos mesmos!

Entramos na fila pra apresentar os tickets, pegar nosso numero de corrida (que era da casa dos 22 mil) e nossa camiseta. Antes da corrida comecar a gente estava assim:

Antes

Antes

O pessoal estava muito animado! Tinha um palco com DJ e uma equipe de recreacao animando e colocando todo mundo pra cima e pra ajudar, o dia estava lindo, com sol brilhando. E voces sabem como irlandes adora sol, ne? Ja devidamente caracterizados, entramos na fila pra ‘correr’. Os corredores sairam em blocos e como nos eramos uns dos ultimos, comecamos a ‘correr’ por volta das 11h30.

A Barbara preguicosa nao quis correr, entao a gente resolveu caminhar, o que resultou em sermos praticamente os lanterminhas dos 25 mil corredores!

O 1km foi bem tranquilo e nos ainda estavamos brancos. Entre o fim do 1km e o comeco do 2km teve a primeira remessa de tinta, que foi ROSA! Eu aproveitei que estava branquinho e rolei no chao pra ficar bem sujo. Dali em diante, sò festa! A cada fim de km e comeco de outro, tinha uma remessa de tinta. Comecou com rosa, depois foi roxo, amarela e por ultima laranja.

Nos pensamos que a tinha que seria jogado fosse algo liquido, mas na verdade era um po que impregnava na roupa, no cabelo, na boca, no olho na alma. Nos demorarmos pouco mais de 1h pra fazer o percurso todo, que foi muito animado e terminamos assim:

Depois

Depois

O pessoal que terminava a corrida ja ia direto em direção ao palco. Enquanto o DJ tocava os hits do momento, a equipe do evento fazia brincadeiras, jogava brindes e agitava ainda mais a galera. Sem duvida, a melhor parte do evento foi o depois da corrida.

Como dizem: ‘o sorriso è contagiante’. Nao tinha como ficar parado enquanto todo mundo se divertia, pulava, gritava, dancava e jogava pò colorido pro alto!

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Ficamos por ali ate a animacao acabar e o palco comecar a ser desmontado.

Fomos andando ate a rodoviaria e notamos que: quando estavamos em multidao estar sujinho era legal, mas sozinho todo mundo olha. Pegamos o onibus sujos e chegamos em Dublin sujos! Meu tenis branco agora è rosa, mas sem duvida a ‘The Color Run’ foi uma das experiencias mais legais que eu ja passei!

Game of Thrones: The Exhibition

Pra promover a 3ª temporada da nossa série favorita do mundo, a HBO foi linda e preparou uma exposição fodalhona com muitos itens originais da série de George R. Martin. A exposição, chamada de ‘Game of Thrones: The Exhibition‘, passou só por 5 cidades no mundo todo: Nova York (USA), Toronto (Canada), São Paulo (Brasil), Amsterdam (Holanda) e Belfast (Irlanda do Norte/UK).

Eu falei no outro post que eu havia conseguido um ticket, lembram? Então, meu dia finalmente chegou e no último domingo, eu, Barbara, Eliene e mais dois amigos americanos, Tony e Trinity, cruzamos a fronteira e fomos lá prestigiar.

Saímos de Dublin domingo às 09h30 e chegamos em Belfast quase 12h. Nossos tickets estavam marcados para às 14h, então já fomos direto pro local do evento: o Titanic Museum. Como eles ainda não conheciam Belfast, o caminho até o museu foi mais sossegado, parando em alguns pontos legais da cidade pra tirar umas fotos e tudo mais. Chegamos no museu por volta das 13h10, aproveitamos pra ir no banheiro, comer alguma coisa e esperamos pelo nosso horário.

Não sei se criei muita expectativa a respeito dessa exposição, mas me frustrei um pouquinho ao entrar, já que ela não era tão grande assim como eu imaginei. Mas mesmo assim foi muito legal!

Game of Thrones: The Exhibition

Game of Thrones: The Exhibition

A primeira coisa que vimos foi a história de Westeros, incluindo o mapa original e localização de cada um dos 7 reinos. Seguido pela apresentação da casa Stark, representada pelo lobo, com os figurinos originais dos personagens, a história da casa, vídeos dos atores e a árvore genealógica da família.

Stark's

Stark’s

Da casa Stark, passamos pra casa Lannister, representada pelo leão, que seguiu o mesmo padrão de informações dos Stark’s. Mas como o figurino é outro, a história é outra e os objetos também, dá outro clima. É na casa Lannister que fica a coroa do Rei Jofrey Bitch e a cabeça de Ned Stark!

Lannister's

Lannister’s

A próxima casa é a dos Baratheon, representada pelo veado, que vem seguida pela casa Targaryen, da nossa amada kalisse, Daeneyrs. É na casa dela, representada pelo dragão, que ficam dois dos três ovos originais que aparecem na 1º temporada. Só tem dois por que o terceiro foi dado de presente para George R. Martin. Além dos ovos, os dragões da 1ª e 2ª temporada estão expostos.

Ovos de dragão

Ovos de dragão

A casa dos Greyjoy, representada pelo polvo, é a casa mais pobre de informações, mas não deixa de ser legal. O povo além da muralha também aparece na exposição e podemos ver o figurino de John Snow e de alguns dos homens além-da-muralha.

Além das casas, vários objetos relacionados a série estão expostos, entre eles: os livros citados na série; as armas, escudos, capacetes, espadas e arcos usados nas batalhas; quadros; jóias que os personagens usam; o broche da Mão do Rei e as peças de guerra do Rob Stark.

A exposição se encerra com o Trono de Ferro e claro, com fila pra tirar foto. Vale ressaltar que nunca me senti tão desafiado na vida ao ler “just one picture per person“.

I am the King!

I am the King!

Mesmo a exposição sendo pequeninha e o fato de não termos visto nenhuma celebridade da série passeando nas ruas de Belfast, a viagem valeu a pena. Vem que vem, 4ª temporada!