Brexit: a contagem regressiva começou

Desde o dia 24 de junho de 2016, Brexit tem sido pauta diária na mídia britanica. Independente de que lado as pessoas estejam, Remainers ou Brexiteers, o assunto está em todos os lugares. Com a enchurrada de conteúdo sobre o Brexit, um assunto em particular tem tirado o sono de muita gente, o tal do Artigo 50, artigo que trata da saída de um país da União Européia.

Expliquei nesse post tudo sobre o Artigo 50, dá uma lida antes de continuar.

Pois bem, hoje, 29 de marco de 2017, a Primeira Ministra Theresa May, assinou a carta que oficialmente notifica a União Europeia da decisao do Reino Unido de deixar o bloco economico e que, oficialmente inicia o período de dois anos de negociacoes previsto no Artigo 50 da constituicao da UE.

Como o Artigo 50 preve dois anos de negociacoes, a saída oficial do Reino Unido da Uniao Européia será dia 29 de marco de 2019. Essa data pode ser alterada caso os 27 países remanescentes concordem, mas isso é muito improvável.

Nos próximos dois anos, o governo britanico vai brigar com a UE pra conseguir, nas palavras da PM, “o melhor acordo possível para todos os cidadaos do Reino Unido”.

Mas e ai, o que muda agora que o Artigo 50 foi gatilhado?

Teoricamente, nada. Todas as regras, leis e benefícios da UE continuam valendo no Reino Unido e vice-versa. Nenhum cidadão europeu será deportado e continua totalmente legal imigrar para o Reino Unido utilizando um passaporte europeu. A UE já informou que o ‘cut off date‘ pra acabar com a lei de movimento livre será o dia da saída, ou seja, 29 de marco de 2019. O Reino Unido pode querer mudar isso, mas só saberemos conforme as negociacoes caminharem.

Azul: UE / Cinza: AAE / Amarelo: nada

O divórcio entre o Reino Unido e a União Européia vai ser extremamente complicado, afinal sao 45 anos de casamentos e muita, mas muita coisa mesmo está em jogo. Porém, 3 coisas sao extremamente prioritárias nas negociacoes, para os dois lados.

1. Acesso ao single market
O Reino Unido quer sair da UE, mas quer continuar tendo acesso ao mercado livre europeu, que vale bilhoes e possui uma populacao de 500 milhoes de pessoas. Nas leis atuais, para ter acesso ao mercado livre, o país tem que aceitar o livre movimento também, assim como fazem Suica, Noruega e Islandia. O Reino Unido nao quer isso, mas quer acesso ao mercado livre, ou um novo acordo completamente novo, como o que foi feito com o Canadá.

2. Great Repeal Bill
Desde a entrada do Reino Unido na União, muitas leis válidas aqui foram na verdade desenhadas em Bruxelas. O Great Repeal Bill é a tarefa árdua de organisar todas essas leis e uma a uma, decidir o que fica e o que sai. O que fica, deverá ser ratificado como lei britanica, o que pode levar anos. Um dos problemas aqui é que as leis trabalhistas, por exemplo, sao UE e os trabalhadores podem, caso o governo queira, perder todos esses direitos.

3. Cidadãos UE no Reino Unido e vice-versa
Atualmente, existem 3 milhoes de cidadaos europeus no Reino Unido e 1,5 milhoes de britanicos vivendo no resto do continente. Ambos Reino Unido e UE querem que um acordo seja estabelecido logo no comeco, permitindo que todas as pessoas mantenham os seus direitos. Nao sabemos como isso vai acontecer, que tipo de sistema será colocado em prática, mas pelo menos podemos dormir tranquilos que nao iremos ser deportados e que nao perderemos nosso direito de trabalhar livremente.

Além disso, também existe o fator Irlanda do Norte x República da Irlanda e claro, a Indepedencia Escocesa, que assim como a Irlanda do Norte, votou pra ficar na União Européia.

Irlanda do Norte x República da Irlanda

Como voces sabem, a Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido, mas fica na mesma área que a República da Irlanda, que continuará sendo um membro da União Européia. Caso a saída do Reino Unido da UE seja uma saída ruim, a Irlanda do Norte estará numa situacao muito complicada, pois será a única área do Reino Unido com borda física com o UE. O que adianta abolir o movimento livre se as pessoas todam livremente chegar da Grécia na Irlanda e de lá, entrar no Reino Unido pela porta dos fundos?

O problema é tao sério que a União Européia já afirmou que, caso a Irlanda do Norte vote por reunificar-se com a República da Irlanda, ela passará automaticamente a ser um membro da UE de novo, já que se juntou a um, assim como aconteceu com as Duas Alemanhas na década de 90. O governo britanico também afirmou que, honrará o Good Friday Agreement de 1998, em que diz que caso a Irlanda do Norte vote por unificacao, o governo britanico nao irá vetar.

Ou seja, a unificacao irlandesa nunca esteve tao presente.

Independendia Escocesa

O resultado do referendo de junho mostrou claramente a divisao do Reino Unido: irlandeses e escoceses pensam mais parecido, enquanto galeses e ingleses sao mais parecidos. A Escócia votou ficar em todos os colégicos eleitorais e desde entao, tem pressionado a PM a tomar uma posicao em relacao a Escócia. A PM é punho de ferro e disse que a Escócia nao terá nenhum tratamento especial, pois o voto foi em nível Reino Unido e nao nacoes do Reino Unido. Essa resposta fez com que a PM da Escócia ressuscitasse um assunto que deveria ter morrido em 2014, a Independencia Escocesa.

Nicola Sturgeon, PM da Escócia, já consegui que Edimburgo votasse a favor do seu referendo e já está mexendo os pauzinhos pra ter um outro referendo de independencia pouco depois da data de saída da UE. O pedido ainda precisa ser ratificado pela PM do Reino Unido, Theresa May, mas já acenda uma esperanca na Escócia. Caso o voto seja sim, a Escócia terá que ir atrás de um novo acordo com a União Européia, embora ministros já tenham afirmado que a entrada será rápida e indolor, pois a Escócia já cumpre todas as exigencias pra ser um membro.

Futuro das Ilhas Britanicas

Um outro ponto interessante que surgiu hoje veio do Parlamento Europeu, que afirmou que independente do resultado das negociacoes, o Reino Unido terá tres anos pra adaptar-se a nova realidade. Tal afirmacao deu uma acalmada no medo de, da noite pro dia, ter que mudar tudo dentro de um país. O governo britanico havia pedido pelo menos 5 anos, mas de novo, isso pode mudar durante as negociacoes.

Particularmente, eu odeio Brexit. Acho o maior tiro no pé! Entendo que a Uniao Européia precisa mudar muito e que nao é perfeita, mas nao acredito que sair seja a saída. O que deixa a coisa menos feia é a possibilidade de ver uma Irlanda unida e uma Escócia independente.

Os idiomas do Reino Unido

Para os olhos do restante do mundo, o Reino Unido é um país cujo idioma é o inglês e a capital é Londres. Para o Reino Unido, porém, o Reino Unido é uma uniao formada por 4 países, 4 capitais e com 6 idiomas, se contarmos a Ilha de Mann, que nao é parte do Reino Unido mas é uma província oficial.

Pode ser supresa pra muita gente, mas o inglês nao é a única língua oficial da Gra-Bretanha. Além dele, no Reino Unido cada um dos 4 países que formam a uniao (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) possuem o seu próprio idioma e sao extremamente orgulhosos dele. No País de Gales, o galês é língua oficial; na Escócia, o escocês; na Irlanda do Norte, o irlandês; em Cornwall (Inglaterra), cornês e na Ilha de Mann, manx.

O que eles tem em comum? Todas as 5 línguas sao celtas e estao entre as línguas mais velhas do mundo, datando 3 mil anos atrás!

Aqui no País de Gales, por exemplo, o galês é presente em todos os lugares. Nao apenas em órgaos do governo, mas também em lojas do comércio, em comerciais na TV, nos correios, nas propagandas do Spotify, nos caixas eletronicos, no Tesco, na Primark, nos bancos…a lista vai longe.

Reino Unido e Irlanda em seus respectivos nomes célticos

Reino Unido e Irlanda em seus respectivos nomes celtas

O inglês, obviamente, é falado em todos os lugares do Reino Unido, mas é possível encontrar vilas e cidades pequenas em várias partes das ilhas que falem galês, escocês, cornês ou irlandês fluentemente! O País de Gales é o país que mais preservou o seu idioma original, o galês. O interior e o norte do País de Gales é praticamente “English free“.

Dias atrás eu conheci uma galesa, do norte, que aprendeu inglês apenas depois dos 7 anos, pois era obrigatório na escola, já que em sua casa o galês é o idioma oficial. Minhas housemates também, quando vao para casa, ambas do sul do país, tem que falar em galês com os avós.

Séculos atrás, quando a uniao nao era tao estabelecida e conflitos aconteciam o tempo todo, a Inglaterra proibiu o uso dos outros idiomas na ilha, com o intuito de proteger o inglês e torná-lo o idioma oficial. Deu certo, mas nos últimos 30 anos, o Reino Unido, com a ajuda da Uniao Européia, tem se esforcado para recuperar e reviver os outros idiomas originais da ilha, pois finalmente entendeu que mais línguas faz o Reino Unido ainda mais rico culturalmente!

O número de falantes do idiomas celtas na Gra-Bretanha e na Irlanda ainda nao é enorme, mas vem crescendo a cada dias gracas a quantidade de novas escolas bílingues e `a investimentos do governo na preservacao dos idiomas.

Fontes:
http://www.englishmonarchs.co.uk/celts_22.html
http://www.fr.brezhoneg.bzh/136-a-few-information-for-english-people.htm

Afinal, porque o País de Gales não está na Union Jack?

A Union Jack, nome da famosa bandeira azul, branca e vermelha que representa o Reino Unido para o restante do mundo, nem sempre foi como a conhecemos hoje. A história da bandeira comecou em 1606, quando os entao Reino da Inglaterra e Reino da Escócia, depois de décadas de batalhas sem nenhum vencedor, decidiram se juntar politicamente e criar o Reino da Grã-Bretanha.

Para oficializar a união, eles decidiram juntar as duas distintas bandeiras em uma só. E foi assim que a primeira Union Jack foi criada. Porém, foi só em 1707, através de uma proclamacao da Rainha Anne, que a bandeira foi oficializada como bandeira oficial da Grã-Bretanha.

Primeira bandeira da Grã-Bretanha

Primeira bandeira da Grã-Bretanha

Pulando quase um século para frente, em 1801, a Irlanda, até então apenas domínio do reino britanico, tornou-se parte do reino, ganhando “voz” no parlamento pela primeira vez desde a invasao, em 1169. Para celebrar a nova uniao, a Irlanda foi incorporada `a Union Jack e a bandeira ganhou o design que conhecemos hoje.

Union Jack como conhecemos hoje

Union Jack como conhecemos hoje

Mas e o País de Gales, por que nao faz parte da bandeira, mesmo sendo um membro oficial do Reino Unido?

A resposta é simples, tanto a Escócia, como a Irlanda, foram incorporadas ao Reino Unido por meio de uma uniao política, com os dois lados concordando e assinando um documento. O País de Gales nao teve essa sorte, já que foi conquistado por forca pela Inglaterra em 1277, tornando-se entao uma regiao da Inglaterra, ao invés de um país.

Mais ou menos como aconteceu com a Catalunya, na Espanha.

O status de país só foi devolvido ao País de Gales no século XIX, quando o reino britanico estava no seu auge, com domínio sobre 1/4 do planeta, tornando a Union Jack uma das bandeiras mais temidas e respeitadas do mundo, razao pela qual não fazia nenhum sentido alterá-la.

Inclusive, a bandeira do País de Gales (abaixo) só foi reconhecida oficialmente pelo governo britanico em 1959, até esse dia, os galeses eram oficialmente representados pela bandeira da Inglaterra, mesma que a bandeira galesa já estivesse na ativa desde 1806.

I'm the mother of DRAGONS - Bandeira do País de Gales

I’m the mother of DRAGONS – Bandeira do País de Gales

E assim é até hoje.

As rochas milenares de Stonehenge

A primeira parada da day-trip promovida pela Uniao Estudantil de Cardiff, nao foi Bath, que contei no post anterior, mas sim as rochas milenares de Stonehenge, no sudoeste da Inglaterra.

Meu primeiro contato com Stonehenge, assim como o de muita gente, foi lá pelos meus 13-14 anos, selecionando fotos pra área de trabalho do meu computador.

Desde entao, Stonehenge me fascina.

Estudos indicam que as primeiras rochas foram colocadas lá há mais de 3 mil anos e que delas, até a construcao final do templo, foram quase mil anos, passando por várias geracoes de pessoas.

Até hoje ainda nao se sabe o porque Stonehenge foi construida. Alguns estudiosos acreditam que as rochas eram usadas como uma espécie de templo de adoracao a deuses, já outros acreditam que devido ao alinhamento perfeito com o sol, especialmente nos solsticios de verao e inverno, Stonehenge era usado como uma espécie de calendário e templo de celebracao as estacoes do ano.

Recentemente foi descoberto que Stonehenge foi também um cemitério de homens, devido a quantidade de restos humanos masculinos encontrados enterrados nas rochas menores que formam o anel de Stonehenge.

Stonehenge foi construido por um povo conhecido como neolitico, que habitavam grande parte da Gra-Bretanha. Os estudiosos afirmam que Stonehenge nao foi construida apenas pelo povo que habitava aquela regiao, mas sim por pessoas de toda a Gra-Bretanha e Irlanda. Alguns artefatos encontrados pelos estudiosos comprovam o envolvimento escoces, irlandes e gale
s na construcao de Stonehenge.

Os galeses, por exemplo, sao os responsáveis pelas grandes rochas que ficam dentro do circulo de rochas maiores, as “rochas azuis”, como sao conhecidas. Esse tipo de rocha, conhecida por seus poderes “curativos” é apenas encontrada no País de Gales, em Pemborkeshire, e foi levada pelos galeses até Stonehenge, acreditam os estudiosos, como uma forma de oferenda.

Enfim, existem diversas teorias sobre Stonehenge e seu misticismo, e se eu for falar um pouquinho de cada uma delas esse post vai ficar enorme, por isso vou parar por aqui. Se voce quiser dar uma pesquisada mais a fundo, indico esse, esse e esse link.

Agora, dá o play no video abaixo e vem conhecer Stonehenge comigo!

Bath, a cidade mais romana da Inglaterra

Uma das vantages de se morar em Cardiff é a proximidade da capital do País de Gales com a Inglaterra – pouco mais de 1h de carro, trem ou onibus e bum, fronteira cruzada e inumeras possibilidades de passeios no ‘big boss‘ do Reino Unido.

Stonehenge (post em breve) estava na minha lista de day-trips saindo de Cardiff desde decidi estudar aqui. Sei la porque, eu achei que Cardiff seria como Dublin e que teriam escritorios de turismos em cada esquina e que todos eles ofereceriam váááááárias opcoes de day-trips no País de Gales e na Inglaterra, mas infelizmente eu estava enganado. Nao encontrei um unico escritorio do tipo no centro de Cardiff e as poucas empresas que oferecem tal servico, apenas o fazem no País de Gales.

Por sorte, a Uniao Estudantil da Universidade de Cardiff promove day-trips, abertas a estudantes de qualquer universidade, durante todo o ano e estava oferecendo um pra Stonehenge e Bath por apenas £28. Super barato se levar em consideracao que o combo trem plus ticket pra lá saem £70.

Depois da visita `a Stonehenge, que falarei no proximo post, seguimos viagem `a cidade de Bath, em Somerset, na regiao sudoeste da Inglaterra.

Bath é uma das cidades mais velhas da Inglaterra, fundada pelos romanos no ano de 70D.C. e que recebeu o nome, Bath, que literalmente significa “banho”, devido a suas fontes de água quente e cristalina, que foram utilizadas por muitos e muitos anos pelos romanos como um spa de relaxamento e também como templo de adoracao a deusa Minerva, que segundo eles era a deusa responsável pelas águas termais de Bath.

O templo de Minerva e as banheiras de água quente, hoje preservadas e nao mais proprias para banho, ainda existem na cidade e podem ser visitadas indo até o Roman Bath Museum.

Roman baths em Bath

Roman baths em Bath

Bath é também conhecida como uma das cidades romanas mais bem preservadas do mundo, titulo que é facilmente reconhecido ao se andar na cidade. Se comparado ao restante da Inglaterra, Bath é bem diferente. A arquitetura dos prédios, as casas, as ruas, as igrejas…tudo lembra Roma.

Bath Abbey

Bath Abbey

O Bath Abbey é sem duvida uma das coisas mais romanas da cidade. Mesmo sendo, nos dias de hoje, uma igreja anglicana, o Abbey de Bath nao perdeu a sua “pompa” romana. Entrar na igreja é como entrar em uma das igrejas de Roma (linda e assustadora).

Um outro monumento super romano de Bath é o Circus, um circulo de casas bem no meio da cidade que foi construido fazendo referencia ao circos romanos.

Circus, Bath

Circus, Bath

Infelizmente eu fiquei apenas 4h na cidade e nao pude desbrava-la totalmente, mas o pouco que vi me deixou com uma vontade enorme de voltar e me aprofundar na historia de Bath.

Copa do Mundo de Rugby em Cardiff

Assim como a Copa do Mundo FIFA de Futebol, a Copa do Mundo RFU de Rugby acontece de 4 em 4 anos e pelo fato d’o rugby nao ser um esporte tao difundido quanto o futebol, ela ganha menos destaque internacional nos paises nao participantes…fato esse que explica o porque de voce – possivelmente – nao saber que a desse ano está sendo sediada na Inglaterra, pais que inventou e difundiu o esporte para outras nacoes que teve contato.

Se a copa esta sendo sediada na Inglaterra, porque diabos o País de Galess está sediando alguns jogos e – claro – jogando em casa?

A resposta volta uns anos no tempo, quando a copa foi em no País de Gales e a Inglaterra sediou quase metade dos jogos em um de seus novos estádios, o Twickenham. Os galeses estao apenas cobrando um acordo definido anos atrás, de que quando a Inglaterra sediasse, o País de Gales também sediaria.

Dito isso, vamos a Cardiff.

Cardiff é casa do Millenium Stadium, um dos maiores e mais modernos estádios de rugby do mundo. O estádio tem capacidade pra várias milhares de pessoas e fica praticamente do lado da minha casa, o que me dá a maravilhosa oportunidade de ouvir e ver, em primeira mao, as coisas que acontecem por aqui em dia de jogo.

Bola gigante no muro do castelo

Bola gigante no muro do castelo

Infelizmente eu nao estava no Brasil na época da copa, mas tenho certeza que Cardiff nao fica nem um pouquinho atrás no quesito loucura e empolgacao. Como a maioria dos jogos sediados em Cardiff involvem Os Dragoes (como a selecao do País de Gales é chamada), da pra imaginar a loucura que a cidade fica, né?

Um mar de vermelho toma conta da cidade desde as primeiras horas da manha e mesmo quando parte dessa multidao se direciona ao estádio para ver o jogo, a outra metade se direciona aos pubs – que competem fortemente no tamanho das TVs – e comecam a beber, gritar, urrar, chorar e todo-o-combo-do-esporte.

Mar vermelho no centro

Mar vermelho no centro

Sem duvida, o jogo mais marcante até agora foi o jogo o País de Gales x Inglaterra, que nao foi sediado em Cardiff mas que teve os galeses vitorioso nos “45 do segundo tempo”. A vitoria foi celebrada em Cardiff como se fosse Dia da Independencia!

Mas enfim, chega de falar…dá o play e veja voce mesmo.

Programa de indío em Londres

Sabe aqueles programas de índio que de vez em quando a gente se mete? Entao, eu me meti em um dos grandes, daqueles que poderia virar roteiro de filme B, no final de semana passado em Londres.

Tudo comecou porque dois grandes amigos meus estavam vindo pra Europa, mas como a Irlanda nao estava incluida no roteiro deles, o lugar mais próximo pra ve-los seria Londres. Resolvi ser um ótimo amigo (F. e I. se voces estiverem lendo, me amem pra sempre) e marquei de visita-los por lá.

Bookei meus tickets pela Ryanair do aeroporto de Knock, perto de Sligo, para o aeroporto de Luton, em Londres. Foi aí que comecou o programa de índio. Meu voo sairia de Knock pro Luton as 12h30 no sábado e saíria do Luton pro Knock as 16h50 no domingo.

Tipo, pouco mais de 24h em Londres. Eu sabia que o tempo seria pouco, mas a ideia era otimizar e claro, aproveitar com meus amigos.

O grande sabado finalmente chegou e tive que acordar cedinho pra pegar o onibus das 10h de Sligo, para o Knock. O onibus chegou lá por volta de 11h30 e eu logo fui pra área de embarque, foi quando eu tive a primeira surpresa: uma taxa de € 10, dedicada a “taxa de desenvolvimento” é cobrada de todos os voos que saem de Knock. Paguei a taxa e embarquei.

Devido à alta neblina, meu voo demorou HORRORES pra chegar em Luton e ao invés de chegar as 14h05 como previsto, o voo só aterrizou as 15h, me fazendo perder meu transfer do aeroporto pra cidade, que estava marcado para 14h55.

Dei uma de joao-sem-braco e embarquei no onibus das 15h30 fingindo que era meu horário e gracas a Deus, ninguém falou nada.

Por conta do atraso, combinei com meu amigo de encontrá-lo no hostel e foi aí que a aventura comecou de fato!

Cometi o erro básico de nao pegar as coordenadas do hostel, pois eu iria pra lá com meu amigo e ele sabia. Um imprevisto aconteceu, nos desencontramos e tudo que eu tinha era o endereco do hostel, nada mais.

Perguntei pro guiche de informacao como chegar no hostel de depois de muita pesquisa, me informaram o nome de uma estacao, da Circle Line. Comprei dois tickets single, um pra ir pro hostel e outro pra ir embora no outro dia e fui pro metro.
Desci na estacao que me disseram e surpresa, nao tinha hostel lá. Eu estava na rua do hostel, mas eu estava no comeco dela, o hostel era no final. Perguntei em um pub como chegar lá e fui aconselhado a pegar um onibus, pois a caminhada seria bem longa. Fui pro ponto e quando o onibus chegou, aprendi que em Londres o onibus é igual Dublin: sem moeda ou cartao, nao anda.

Eu nao tinha nenhum dos dois e tive que andar.

O primeiro desafio foi atravessar um túnel escuro que a calcadinha do “pedestre” ia ficando mais estreita a cada passo que eu dava. Rezei pra caralho alí.

Assim como o moco do pub disse, a caminhada era mesmo longa. Nao chegava nunca. O número do hostel era 639 e eu ia olhando o número das casas e estabelecimentos e nunca chegava no 600. Quando finalmente chegou no 600, virou 700 logo depois e nada do hostel.

Eu estava olhando só à minha direita, pois à minha esquerda eu ainda estava no 400 e pouco. Andei ainda mais e cheguei no fim da rua, que era um cemitério. Nada do hostel. Voltei algumas quadras e perguntei em um café, cuja garconete me salvou e disse que o hostel era depois do cemitério.

Andei mais um tico e no fim de 2h de caminhada, cheguei no hostel. Tinha lido as reviews do hostel na internet e já sabia que seria um hostel bem, mas bem ruim mesmo. Me supreendi, pois era pior do que eu esperava.

Paguei a estadia, o depósito da chave e fui atrás de uma toalha, que me causou muita dor de cabeca. Ninguém tinha troco pra me dar, mas ninguém queria me dar a toalha sem depósito. Depois de um pouquinho de discussao, acharam alguém com troco e peguei minha toalha.

Cheguei no quarto e surpresa: todas as camas estavam baguncadas, logo, ocupadas. Comecei a rir e falar “this is a joke”, quando um menino do quarto me disse o seguinte:
“That bed is free, the guy who was there has left today. They just didn’t clean it.”

Pra nao ir lá de novo, aceitei a cama zoada mesmo.

Tomei banho, desestressei e fui aproveitar meus amigos. Jantamos no restaurante do hostel, que era muito bom e bem barato e depois fomos tomar uma pint e jogar conversa fora em dos pubs próximos do hostel.

No pub, usei a internet e vi que meu amigo havia me mandado as coordenadas certinhas, o que teria me salvo 2h de caminhada, mas eu estava sem internet e nunca recebi. Fail.

Acordamos cedo no outro dia, tomamos café da manha e pegamos o metro na frente do hostel. Foi ai que vi que o ticket single que eu havia comprado no sábado nao me seria util, pois tinha data. Tive que comprar outro.

Fomos entao pra King’s Cross pra eles tirarem foto na Plataforma 9 ¾ , que foi super legal e depois fomos passear no British Museum. Vimos múmias, gregos, romanos e muita coisa legal. Nisso já deu 13h00 da tarde e fomos almocar. Depois do almoco, dei tchau e fui pro metro, pra ir pra estacao de onibus e entao, aeroporto.

Cheguei na estacao de onibus 2min depois do meu onibus, das 14h, ter saído. Esperei dar 14h30 e, como no sábado, usei o mesmo ticket. O onibus cehgou no aeroporto às 16h, meu portao de embarque fechava as 16h20 e eu ainda tinha que passar pela seguranca.

Fiz tudo na correria, mas 16h30 eu já estava no aviao e como previsto, 17h50 eu estava no Knock. Fui pro ponto de onibus e – supresa – o ultimo onibus do dia do aeroporto pra Sligo tinha saído as 17h45.

Tive que pegar um taxi do aeroporto até a cidade mais próxima, Charlestown e esperar 2h pelo próximo onibus, que era só as 20h.

Cheguei em Sligo só as 21h e com duas certezas na vida:
1) Londres em um final de semana nao vale a pen
2) Eu sou um ótimo amigo