Atenas, a cidade dos deuses – parte II

O caminho para a Àgora Grega é bem tortuoso, cheio de pedras escorregadias e de subidas e descidas, mas vale super a pena.

A Ágora Grega, assim como a Romana está bem em ruínas, mas ainda preserva colunas, pedras, esculturas e até alguns altares, entre eles um a Zeus! Lá fica também o Museu da Ágora, que tem várias coisas de muito, muito tempo atrás. Uma coleção que me chamou bastante a atenção foram os vasinhos gregos, iguais os do desenho do Hércules. Cheguei a ficar esperando as ninfas cantarem, mas elas não se mexeram.

O templo de Hefaesto fica em cima de uma colina, bem lá no alto e é o templo mais preservado de todos (se pá porque Hefaesto é o deus construtor). Todas as colunas são originais, mas o templo já passou por algumas restaurações ao longo dos anos.

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Pra variar, a vista lá de cima é fantástica.

Depois do templo conhecemos também a casa do presidente, o Jardim Botânico Nacional e o Estádio Olímpico de Atenas, que é muito massa!

No 2º dia em Atenas voltamos ao ticket Acrópolis e fomos ver o que faltava: o Museu Acrópolis.

Cara, o que é o Museu Acrópolis! Ele não é nada interativo, não tem telas touch-screen, não tem jogos e nem áudio-guia, mas é tão legal que você nem percebe.

Basicamente o museu tem as esculturas e obras de arte que ficavam nos templos de Atenas e na área da Acrópolis e claro, isso inclui o Parthenon.

E claro, isso é fantástico.

Cada estátua, escultura, réplica, maquete e/ou obra de arte tem uma placa em grego/inglês explicando sua história e é isso que faz o museu ser muito legal.

Pelo que entendi dos banners e cartazes espalhados pelo museu, ele tem um pegada “passe o dia” e é voltado para crianças e adolescentes, o que dá pra perceber pelo inglês simples e direto usado nas placas de explicação.

As relíquias por si só já são super legais, mas com a história fácil, fácil de entender ali do lado, fica ainda mais legal.

Em um dos andares é passado um filme de uns 15 minutos sobre a história do Parthenon e é simplesmente impressionante. Foi nesse vídeo que eu aprendi metade das coisas que vocês leram no outro post.

Depois de conhecer o museu, eu tive que comprar um livro fodão de mitologia grega e uma túnica grega! #fantasiagarantida

O resto do 2º dia foi usado só pra ficar de boa na lagoa, filosofando sobre os tempos gregos, visitando lojinhas e claro, comendo.

A Grécia foi o país com a comida mais gostosa e parecida com a brasileira que visitei. Passou anos luz na frente das iguarias italianas. E o melhor é que é tudo baratinho.

O próximo e último destino dessa trip será a ilha de Malta, país que já foi dominado pelos gregos, romanos e recentemente pelos britânicos.

Deve ser legal, né?

Atenas, a cidade dos deuses – parte I

Deixamos o hostel em Roma por volta das 09h30, mas até pegarmos o ônibus pro aeroporto, encontrarmos nosso terminal e nosso vôo, já passava das 11h30. Nosso vôo saiu do Fiumicino às 13h e chegamos no aeroporto de Atenas às 16h do horário local (vôo de 2h + 1h de fuso).

O trem do aeroporto pra estação Monastiraski só saiu as 16h30 e nos custou € 8. Da Monastiraki seguimos a pé pro hostel, que ficava a algumas ruas. Chegamos no hostel já mais de 17h30 e a escuridão total já reinava, ou seja, primeiro dia perdido.

O “Zeus”, hostel que ficamos hospedados em Atenas é muito massa. As paredes são todas decoradas com guerreiros e deuses, os andares são temáticos e os quartos tem nomes. Ficamos no andar “Under World” e nosso quarto chamava Hades. De frente pra nós tinha Deméter e do nosso lado Perséphone e Cérberus. O andar de baixo chama-se “Sparta” e o de cima “Troy”.

Fera, né?

Estávamos famintos e fomos procurar algo pra comer e aí meu amigo (a), eu morri de amores pela Grécia. Comemos um tal de “suvlake”, que “se pá” era a comida dos deuses. A iguaria é tipo uma panqueca de massa de esfiha enrolada em cone, recheada com frango, pernil ou carne moída + salada, batata-frita e molho. A maravilha custa só € 2. Comida boa, gostosa e baratíssima!

No outro dia de manhã, fomos em direção a Acropólis, que ficava bem pertinho do hostel.

A Acrópolis de Atenas é algo similar ao Foro Romano de Roma. Era lá que os gregos cultuavam os seus deuses, faziam seus discursos e claro, filosofavam e estudavam. Hoje em dia a Acrópoles também está em ruínas, mas ainda é possível ver detalhes e templos quase inteiros.

O ticket pra Acrópolis custa € 12 e dá direito a várias atrações em Atenas, entre elas: Biblioteca de Adriano, Ágora Grega, Àgora Romana, Museu Acrópolis, Templo de Zeus e Acrópolis (Parthenon).

Pelo número de atrações o custo super compensa, mas ainda tem a facilidade de estudante de países da UE não pagarem e nós vimos tudo free.

Nosso primeiro contato foi com a Biblioteca de Adriano que fica bem na entrada e ali já pude me impressionar. A biblioteca foi fundada pelo Imperador Romano Adriano em 132 ac e ainda preserva 3 colunas originas e algumas inscrições.

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Em seguida vimos a Àgora Romana, que fica bem do lado da Biblioteca e que não impressiona muito depois de ter conhecido a de Roma. São apenas ruínas bem destruídas e uma espécie de templo/igreja, que foi colocada lá ~apenas~ a dois séculos atrás.

Por ali, entramos no caminho da Acrópolis, que abriga além do Parthenon: o Teatro de Dionísio, o Templo de Hefaesto, a oliveira de Atenas, a Colina Filopapo e a Ágora Grega.

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Dá pra passar o dia, e foi o que fizemos.

Começamos pelo Teatro de Dionísio que é simplesmente lindo e impressionante. As arquibancadas preservam as inscrições em grego de mais de 2,5 mil atrás, a arquitetura é fascinante e é impossível não pensar em quão lindo deveria ser vê-lo cheio de gente.

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Diz a lenda que Dionísio era um dos deuses mais famosos e adorados da Grécia, pois ele era o deus do vinho, dos bêbados e também deus do drama/teatro. Aliás, o teatro nasceu na Grécia e foi bem ali, no teatro de Dionísio que ele apareceu pela primeira vez e se desenvolveu.

Lembro que quando fiz teatro nós tínhamos o módulo “drama grego” e estudamos bastante sobre Dionísio, até as competições dramáticas a gente fazia. Fiquei imaginando uma competição dessas ali, no teatro mais importante de todos.

Subimos um pouco mais as escadas e passamos por mais algumas colunas gregas que representam a entrada para o Parthenon e a oliveira de Atena.

A oliveira tem uma participação muito importante na história da Grécia, diz a lenda que Atena e Pôseidon brigavam para decidir quem seria o patrono (e nome) da cidade e que pra decidir cada um deveria presentear a cidade com algo. Pôseidon deu a Atenas uma rocha e Atenas deu a cidade a primeira oliveira do mundo. Atena venceu e Pôseidon não curtiu, desde então ele tem uma rixa com a deusa da sabedoria.

Em volta da oliveira, que ainda está lá (fake) foi construído o templo de Erechteion, que era usado para a adoração de vários deuses, inclusive Pôseidon. Ele tem uma espécie de “cicatriz” em uma das colunas e diz a lenda que o próprio Pôseidon a fez em um momento nervosinho.

Típico de deus mimado.

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Já o Parthenon foi erguido em adoração à própria Atena, patrona da cidade, deusa da sabedoria e da estratégia de guerra. É enorme, lindo e poderoso. Aquele tipo de construção que dá pra sentir uma coisa diferente emanando dela.

Era dentro do Parthenon que ficava a estátua de 13 metros da deusa, feita de mármore e ouro e que se perdeu ao longo da história. O Parthenon era cheio de esculturas em sua lateral, cada uma delas contava um pouco da história da Grécia. As esculturas iam de Hércules, Ulisses e Theseu à Tróia, e Sparta.

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Ao longo dos séculos o Parthenon já foi de tudo. Quando os romanos dominaram ele foi convertido aos deuses romanos; na vez dos persas, aos deuses persas e até em templo cristão, que foi o povo que mais destruiu o templo. Foram eles que destruíram o Parthenon e o deixaram como conhecemos hoje em dia, em ruínas.

A vista de lá de cima é absurdamente linda e impressionante. Bateu a vista de Roma e de Firenze. Scusa, Italia, scusa.

Deixamos a Acrópolis por algumas horas e fomos em direção ao templo de Zeus, que fica à uns 10 minutos a pé de lá. Na área onde fica o templo fica também o Arco de Adriano, homenagem ao Imperador que regeu a Grécia por alguns anos.

Não encontrei palavras pra descrever o templo de Zeus. Foi sem dúvida a coisa mais legal que vi na vida. O templo do deus mais poderoso, forte e sábio de todos; o deus dos céus e pai de todos os deuses; o cara dos raios, ali na minha frente.

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Era emoção demais pra um coração só.

Admirei o templo por um bom tempo e seguimos o caminho de volta pra Acrópolis. Agora a missão era conhecer a Àgora Grega e o Templo de Hefaesto, mas isso fica pro próximo post.