Os idiomas do Reino Unido

Para os olhos do restante do mundo, o Reino Unido é um país cujo idioma é o inglês e a capital é Londres. Para o Reino Unido, porém, o Reino Unido é uma uniao formada por 4 países, 4 capitais e com 6 idiomas, se contarmos a Ilha de Mann, que nao é parte do Reino Unido mas é uma província oficial.

Pode ser supresa pra muita gente, mas o inglês nao é a única língua oficial da Gra-Bretanha. Além dele, no Reino Unido cada um dos 4 países que formam a uniao (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) possuem o seu próprio idioma e sao extremamente orgulhosos dele. No País de Gales, o galês é língua oficial; na Escócia, o escocês; na Irlanda do Norte, o irlandês; em Cornwall (Inglaterra), cornês e na Ilha de Mann, manx.

O que eles tem em comum? Todas as 5 línguas sao celtas e estao entre as línguas mais velhas do mundo, datando 3 mil anos atrás!

Aqui no País de Gales, por exemplo, o galês é presente em todos os lugares. Nao apenas em órgaos do governo, mas também em lojas do comércio, em comerciais na TV, nos correios, nas propagandas do Spotify, nos caixas eletronicos, no Tesco, na Primark, nos bancos…a lista vai longe.

Reino Unido e Irlanda em seus respectivos nomes célticos

Reino Unido e Irlanda em seus respectivos nomes celtas

O inglês, obviamente, é falado em todos os lugares do Reino Unido, mas é possível encontrar vilas e cidades pequenas em várias partes das ilhas que falem galês, escocês, cornês ou irlandês fluentemente! O País de Gales é o país que mais preservou o seu idioma original, o galês. O interior e o norte do País de Gales é praticamente “English free“.

Dias atrás eu conheci uma galesa, do norte, que aprendeu inglês apenas depois dos 7 anos, pois era obrigatório na escola, já que em sua casa o galês é o idioma oficial. Minhas housemates também, quando vao para casa, ambas do sul do país, tem que falar em galês com os avós.

Séculos atrás, quando a uniao nao era tao estabelecida e conflitos aconteciam o tempo todo, a Inglaterra proibiu o uso dos outros idiomas na ilha, com o intuito de proteger o inglês e torná-lo o idioma oficial. Deu certo, mas nos últimos 30 anos, o Reino Unido, com a ajuda da Uniao Européia, tem se esforcado para recuperar e reviver os outros idiomas originais da ilha, pois finalmente entendeu que mais línguas faz o Reino Unido ainda mais rico culturalmente!

O número de falantes do idiomas celtas na Gra-Bretanha e na Irlanda ainda nao é enorme, mas vem crescendo a cada dias gracas a quantidade de novas escolas bílingues e `a investimentos do governo na preservacao dos idiomas.

Fontes:
http://www.englishmonarchs.co.uk/celts_22.html
http://www.fr.brezhoneg.bzh/136-a-few-information-for-english-people.htm

Afinal, porque o País de Gales não está na Union Jack?

A Union Jack, nome da famosa bandeira azul, branca e vermelha que representa o Reino Unido para o restante do mundo, nem sempre foi como a conhecemos hoje. A história da bandeira comecou em 1606, quando os entao Reino da Inglaterra e Reino da Escócia, depois de décadas de batalhas sem nenhum vencedor, decidiram se juntar politicamente e criar o Reino da Grã-Bretanha.

Para oficializar a união, eles decidiram juntar as duas distintas bandeiras em uma só. E foi assim que a primeira Union Jack foi criada. Porém, foi só em 1707, através de uma proclamacao da Rainha Anne, que a bandeira foi oficializada como bandeira oficial da Grã-Bretanha.

Primeira bandeira da Grã-Bretanha

Primeira bandeira da Grã-Bretanha

Pulando quase um século para frente, em 1801, a Irlanda, até então apenas domínio do reino britanico, tornou-se parte do reino, ganhando “voz” no parlamento pela primeira vez desde a invasao, em 1169. Para celebrar a nova uniao, a Irlanda foi incorporada `a Union Jack e a bandeira ganhou o design que conhecemos hoje.

Union Jack como conhecemos hoje

Union Jack como conhecemos hoje

Mas e o País de Gales, por que nao faz parte da bandeira, mesmo sendo um membro oficial do Reino Unido?

A resposta é simples, tanto a Escócia, como a Irlanda, foram incorporadas ao Reino Unido por meio de uma uniao política, com os dois lados concordando e assinando um documento. O País de Gales nao teve essa sorte, já que foi conquistado por forca pela Inglaterra em 1277, tornando-se entao uma regiao da Inglaterra, ao invés de um país.

Mais ou menos como aconteceu com a Catalunya, na Espanha.

O status de país só foi devolvido ao País de Gales no século XIX, quando o reino britanico estava no seu auge, com domínio sobre 1/4 do planeta, tornando a Union Jack uma das bandeiras mais temidas e respeitadas do mundo, razao pela qual não fazia nenhum sentido alterá-la.

Inclusive, a bandeira do País de Gales (abaixo) só foi reconhecida oficialmente pelo governo britanico em 1959, até esse dia, os galeses eram oficialmente representados pela bandeira da Inglaterra, mesma que a bandeira galesa já estivesse na ativa desde 1806.

I'm the mother of DRAGONS - Bandeira do País de Gales

I’m the mother of DRAGONS – Bandeira do País de Gales

E assim é até hoje.

Harry Potter tour em Edimburgo

Uma das coisas que me levou até Edimburgo foi o fato da cidade ter sido inspiração para várias coisas, lugares e personagens de Harry Potter. Sim, isso mesmo. J.K. Rowling morou lá por alguns anos e aproveitou o clima sombrio e medieval da cidade pra se inspirar enquanto criava a série.

Cheguei na cidade com um roteirinho em mente, mas assim que cheguei no hostel fui surpreendido com um flyer do pessoal do Potter Trail. O Potter Trail é um grupo mantido por alguns harrymaníacos em Edimburgo e que promove GRATUITAMTENTE um walking tour pelos lugares onde J.K se inspirou. Por sorte, era um sábado e iria rolar um walking tour no fim da tarde. Abandonei meu roteiro e resolvi, antes de fazer o walking tour do hostel (que falei no outro post), começar o dia bem e fui tomar café da manhã no Elephant House, café onde J.K supostamente escreveu Harry Potter.

Elephant House

Elephant House

O Elephant House é um café charmozíssimo bem no centro de Edimburgo e que tem esse nome porque o dono ama elefantes. Tem elefantes por toda a parte. Na área comercial do café não tem nada muito representativo de Harry Potter, um ou outro aviso na parede e só. Já no banheiro…

Harryfrases de banheiro, ha!

Harryfrases de banheiro, ha!

A galera que vai ali deixa uma mensagem na parede e que pelo jeito, são super bem aceitas pela gerência do estabelecimento. Risos.

No fim do dia, depois do walking tour do hostel e de tudo que falei no outro post, fui até o local de encontro do walking tour Harry Potter. Tinham mais ou menos umas 20 pessoas esperando pela guia, que chegou um pouco atrasada vestindo uma túnica preta e carregando uma bolsa com algumas varinhas. Ela começou dando uma breve introdução sobre a história de J.K. e Edimburgo, distribuiu as varinhas e pediu para que a seguíssemos.

A primeira parada foi o Cemitério do Greyfriars, onde J.K. pegou o nome Riddle emprestado para nosso querido e amado Tom Riddle aka Lord Voldemort. É no Greyfriars também que fica a tumba de um antigo professor e escritor escocês cujo sobrenome é McGonagall, que foi a inspiração para o sobrenome da headmaster da Grifinória, Minerva McGonagall, que tem sotaque escocês no filme. O visual do cemitério também inspirou a cena do 4º filme “O Cálice de Fogo”, em que Harry encontra Voldemort pela primeira vez depois de 13 anos.

Riddle e McGonagall

Riddle e McGonagall

Dentro do Greyfrias tem um portão que dá nos fundos da George Heriot’s School, escola que inspirou a criação de Hogwarts. Vou explicar porque. Long, long time go aquela escola era conhecida (e é até hoje) como uma escola somente para garotos MUITO ricos. Mas muito ricos mesmo. Como a maioria das crianças não poderiam estudar ali, elas começaram a fantasiar coisas a respeito da escola e uma delas era que os professores voavam em vassouras e os alunos usavam varinhas para fazer as lições.

A escola, por coincidência, também era/é dividida em 4 casas distintas, separando os alunos e os organizando melhor.

Escola que inspirou Hogwarts

Escola que inspirou Hogwarts

As histórias macabras a respeito das pessoas que morreram na época do Rei James também inspiraram J.K. a criar os fantasmas do castelo de Hogwarts.

Dali passamos pelo Elephant House, que segundo a guia, não foi o local de nascimento do Harry Potter, mas sim o café onde ela encontrou pela primeira vez com o editor que aceitou publicar o livro. Há! O café onde ela escreveu as primeiras páginas do livro, depois de sua viagem entre Londres e Manchester, foi o Black Medicine Café, no centro, que não tem nada falando sobre Harry Potter.

Black Medicine Café

Black Medicine Café

Dali fomos para a cidade velha, próximo ao Castelo de Edimburgo, na City of Chambers. É ali que fica a mão da J.K. no chão (tipo calçada da Fama de Hollywood), pois ela é vista como uma grande personalidade em toda a Escócia e também a estátua de Alexander, cujo sobrenome era Lockhart e teve uma história meio “turbulenta”, como nosso querido professor de Defesa Contra as Artes das Trevas do 2º ano.

De frente para a City Chambers, tem uma igreja e na frente da igreja, tem a escultura que inspirou o design da entrada da Câmara Secreta no 2º filme “Harry Potter e a Câmara Secreta”.

Câmara Secreta

Câmara Secreta

Dali partimos para o final do walking tour que era na Victoria Street, famosa rua do comércio de Edimburgo, que foi a inspiração para a Diagon Alley. Isso porque, a Victoria Street sempre foi conhecida por ter lojas de tipos muito diferente e até bizarros, como loja de magia e até de “poções”. Era ali que um professor de Edimburgo vendia uma suposta “Poção do Amor”, professor esse que inspirou a criação de Severo Snape.

Diagon Alley

Diagon Alley

O walking tour terminou ali, com todos felizes e saltitantes por aprender tanta coisa legal a respeito do universo perfeito criado pela J.K. e claro, com todo mundo contribuindo no chapéuzinho da guia que foi a coisa mais linda do mundo o passeio todo.

Vale lembrar também que Hogwarts não fica na Inglaterra e sim nos Highlands da Escócia.

Fala sério, J.K. ama ou não ama Edimburgo?

Próximo post: Harry Potter em Londres!

Edimburgo, a cidade medieval da Escócia

Quer um conselho? Vá pra Edimburgo. A cidade tem um “que” medieval e sombrio que deixa qualquer um boquiaberto. Você vai se apaixonar, acredite em mim.

Cheguei em Edimburgo sexta de manhãzinha, antes das 8h. Fui abençoado pelos deuses e estava um dia quente e ensolarado – bem diferente dos dias relatados nos blogs que li, ha! Edimburgo não é tão grande (450mil habitantes) e dá pra fazer tudo a pé com tranquilidade. O hostel que fiquei, o mais legal do mundo, fica localizado bem no centro, pertinho do castelo.

Comecei o dia com o walking tour oferecido pelo hostel, que por sinal, foi sensacional. Passamos por vários lugares interessantes, entre eles: o Greyfriars (onde fica a estátua do cachorro Bob), o Monumento Escocês no Prince Gardens, o Prince Gardens, a Universidade de Edimburgo e o Calton Hill.

Ah, o Calton Hill.

O Calton Hill é uma colina que fica no topo de Edimburgo e que – em dias ensolarados como o que dei sorte de pegar – proporciona uma vista magnífica da cidade. É lá que fica o Calton Monument, um monumento que imita o Partheon de Atenas, na Grécia e que dá ótimas fotos também.

Calton Hill

Calton Hill

Do Carlton Hill também dá pra ver o Arthur’s Seat, a montanha que abriga um vulcão adormecido e que cerca Edimburgo. O Calton Hill e a sua vista fantástica me impressionaram muito, mas eu sabia que ainda iria me encantar mais.

Depois do walking tour almocei Subway (minha saúde mandou um salve) e fui subir a ladeira rumo ao meu próximo objetivo: o castelo.

O Castelo de Edimburgo fica na região da cidade velha, que tem um clima mais medieval ainda do que o resto. Cheia de ruelinhas de paralelepípedo, disformes, tortuosas e tal. Daquele tipo que cansa até atleta olímpico.

Castelo de Edimburgo

Castelo de Edimburgo

De frente pro castelo não pude conter a empolgação. Mesmo sozinho, eu não parava de falar. Foi uma das coisas mais lindas que vi na vida. O castelo ali, na minha frente, imponente, poderoso. Uma sensação foda de explicar. Paguei £16 e entrei. Caro? Não! Foram muito bem investidos.

Logo na entrada já dava pra ver a muralha e eu já consegui imaginar uma fila de elfos arqueiros prontos pro ataque! Não vou ficar narrando aqui tudo que vi lá, porque…né, não quero reescrever a Bíblia.

Fiquei 2h30 lá dentro. Fucei em cada cômodo que pude, tirei fotos à beça, ri sozinho, agradeci a Deus por cada tijolinho cinza que eu via. Foi sensacional! Dentro do castelo também tem alguns museus, entre eles o Museu da Guerra, que entrei também, mas não me impressionei tanto.

Falando em museu, deixei pra visitar o Museu Nacional no 2º dia, logo cedo.

Assim como o de Liverpool, o museu de Edimburgo me surpreendeu. Não só pela riqueza de material, mas também pela interatividade do lugar. Em todas as salas tinham telas interativas, jogos, vídeos e coisas do gênero.

O último andar do museu é aberto e claro, tem uma vista linda da cidade e do castelo. Lá também tem um binóculo gigante pra apreciar a cidade. É muito lindo!

Vista do museu

Vista do museu

Sem contar que o museu tem um T-Rex. Um T-REX GRRAARRGGHH! Nem preciso dizer que morei lá até meu estômago resolver que iria começar a digerir seus órgãos vizinhos.

T-Rex!

T-Rex!

Comi Subway de novo (não briga mãe) e fui turistar. Entrei na Galeria de Arte Nacional, passei 1h30 “fazendo o gringo” e tomando sol no parque, andei pela cidade e vi um monte de escocês sendo lindo e usando kilt, comprei shortbread fingers da Walkers e desejei todos os souvenirs que vi. Depois fui ao Museu The Mound, o museu do dinheiro.

Esse museu é mantido pelo Banco da Escócia e é bem pequenininho, mas é bastante legal. Tem até uma caixa com 1 milhão de libras de verdade!

Thanks a million!

Thanks a million!

Fiz mais algumas coisas em Edinburgo, mas como são relacionadas a Harry Potter, elas vão ficar pra depois.

No fim do 2º dia peguei o ônibus e fui pra Glasgow, mas fiquei menos de 5h na cidade (entre 18h30 e 22h30) e não vi nada de muito interessante pra relatar. Por outro lado, posso afirmar com toda a certeza do mundo que Edimburgo ficou marcado no meu coração e os escoceses então, nem se fala.

Próximo post: Londres!