Descobrindo minhas raízes – Ancestry DNA

Durante toda a minha vida no Brasil, eu nunca questionei a cor da minha pele, ou quem eu sou. Pra mim, e pra todo mundo a minha volta, eu sempre fui branco. Sempre soube que a família do meu pai era parte italiana, parte portuguesa, e que a família da minha mae era bem mais misturada, com negros, índigenas e portugueses. Mas isso nunca foi importante de verdade, era uma curiosidade sobre mim e nada mais.

Daí eu me mudei pra Irlanda, onde morei por quase 3 anos, e depois pro Reino Unido, onde moro há dois anos e pouco, e desde o primeiro dia, eu venho respondendo a mesma pergunta: what are you?

Por aqui, sou claro demais pra ser considerado fully brown (pardo), mas sou bronzeado demais pra ser considerado branco. Uns me consideram ‘light brown‘, outros ‘olive skin‘, outros ‘partially white‘, outros ‘almost white‘…enfim, todo mundo tem algum tipo de opiniao sobre a cor da minha pele e sobre como eu me identifico.

Já desisti de tentar convence-los que, mesmo eles me rotulando [inserte rótulo aqui], eu sempre vou me considerar branco porque foi assim que cresci, foi assim que me vi durante toda a minha vida e principalmente, entendo os privilégios que tenho e nunca passei por nenhum tipo de preconceito que, infelizmente, já presenciei no Brasil com pessoas de cor.

Mas mesmo assim, vira e mexe eu me encontro em situacoes onde eu tento ‘defender’ a minha identidade, e explico que parte da família é daqui, parte dali, que a família do meu pai é branca e blá blá blá. Pois bem, resolvi bater o martelo de uma vez por todas e encomendei um kit do Ancenstry DNA pra – científicamente – saber de onde eu vim.

Na verdade, eu comprei o kit do MyHeritage DNA em setembro de 2017, mas eles foram incompetentes e perderam meu kit 3 vezes e depois de 6 meses, pedi meu dinheiro de volta e comprei com o AncentryDNA.

Sei que, independente do resultado, a questao de pele vai sempre existir, mas pelo menos eu terei um argumento mais científico na próxima vez que a discussao surgir, sem contar que é super legal saber de onde a gente vem mesmo.

Além do teste, ambos servicos oferecem a possibilidade de criar a sua árvore genealógica, que claro, eu comecei a fazer. Poucas munutos depois, o site encontrou um ‘match‘ com a árvore genealógica do meu primo (parte de pai) e eu pude puxar os parentes em comum da árvore dele, pra minha. Olhando a árvore, dá pra tracar o meu sobrenome italiano ‘Pavan‘ até o ano de 1781, em uma cidadezinha em Veneto.

Paguei £69 no kit, que chegou em uma caixa bem simples, com instrucoes de uso, uma cápsulascom um líquido dentro e um funil de plástico. Utilizei o funil de plástico pra cuspir saliva no tubo, coloquei a tampinha, chacoalhei, coloquei tudo no envelope e despachei para o laboratório pra ser analisado.

Assim que despachei, sentei na frente do computador e escrevi esse post até esse parágrafo, onde chuto os resultados: 50-60% europeu (principalmente italiano e portugues), 10-20% africano, 20-30% povos indígenas da América.

5 semanas depois de escrever o texto acima, os resultados chegaram no meu e-mail e nao foi nada do que eu esperava.

Acabou que sou um pouco mais europeu do que eu imaginava, 75% (Portugal com 43%, Itália com 25%), menos africano do que eu esperava, com apenas 12% e menos indígena do que eu esperava, com apenas 7%.

O restando é espalhado por praticamente todo lugar do mundo, como voces podem ver na imagem abaixo….tem até Ásia e Oriente Médio!

AncestryDNAStory-Ricardo-220418Liguei pra minha mae pra contar os resultados e ver se ela tinha alguma ideia do porque de tanta mistura, mas ela nao soube me dizer muito, a nao ser que uma das bisavós dela era alema, o que nao explica muita coisa.

Enfim, adorei a experiencia e adorei aprender um pouco mais sobre mim. E sobre a questao de branco/negro/pardo do comeco do texto…posso dizer aproximadamente 75% branco?


9 comentários sobre “Descobrindo minhas raízes – Ancestry DNA

  1. Ahh eu fiz tbm, esse ano! Tbm comecei a pensar nisso depois que cheguei aqui, pq aqui a gente nao eh branco.. hahaha apesar de no Brasil a gente mesmo se considerar branco. O meu tbm deu mais ou menos assim, acho que no total foram 70% europa (peninsula iberica, grecia e italia), native american, um pouco Africa… foi legal saber.

  2. Muito interessante, Rick! Principalmente essa parte de juntar árvores genealógicas e descobrir origem do sobrenome, eu adoraria fazer algo assim! O R. tem medo de usarem seus dados contra você no futuro, rs. Tinha alguma cláusula, contrato, algo assim? Eu acho que o meu resultado seria bem ibérico, porque meus avós (pais do meu pai) eram ambos filhos de espanhóis (então meus 4 bisavós paternos eram espanhóis), sendo assim, teoricamente nisso meu pai seria 100% espanhol, e eu no mínimo 50%. Mas aí na família da minha mãe tem mais indígenas e tal, mas também português, já que minha vó materna é Oliveira, ou seja: somos tudo brasileiro misturado mesmo, rs!

    1. Eeles nao podem ursar nossos dados, nao! Eu fiquei surpreso com o resultado.. minha mae é mais misturada do que imaginei, mas tem mais europeu do que eu esperava… esperava uns 25% italia, 25% portugues do meu pais.. mas esperava mais native e african da minha mae e veio mais uns 25% portugues dela! Doidooooo.

  3. Quero muito fazer esse tipo de teste! O MyHeritage parou de enviar para o Brasil por um período, graças a uma mudança da Anvisa, que proibia o envio de material biológico de cidadãos brasileiros para o exterior.
    Agora eles conseguiram reverter isso, mas estou de mudança.
    Bom saber do Ancestry DNA. 🙂

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