Bucareste, a Paris do leste

Antes de visitar a Romênia, tudo que eu sabia em relação ao país era que a Transilvânia, da estória do Conde Drácula, é por lá, e que os ciganos europeus são, em sua maioria, romenos. E com esse conhecimento chinfrim, bookei vôos pra Bucareste, capital da Romênia e fui passar 4 dias na cidade.

Meu amigo J. veio comigo e nossa aventura começou logo ao desembarcar no aeroporto, solicitando um Uber pra ir pro nosso AirBnb. Geralmente, Ubers são carros relativamente novos, bem cuidados e convidativos, mas esse era um Uber de raíz e o carro estava caindo aos pedaços, cheio de coisas no porta-malas e com um motorista nem um pouco simpático.

Entrei no Uber achando que ia virar estatística, mas tudo deu certo no fim e chegamos no apartamento são e salvos e pagando muito, mas muito pouco.

No primeiro dia fizemos um walking tour muito interessante onde aprendemos um monte sobre a história da cidade e da Romênia, o que ampliou consideravelmente o pouco conhecimento que eu tinha do país. A Romênia é um país novo e com um história bem turbulenta. Já foi parte do Império Áustro-Húngaro, depois do Império Otomano, do Império Russo e por fim, foi por anos um país comunista. As cicatrizes do regime comunista estão por toda a parte, desda arquitetura aos monumentos, na política e no estilo de vida.

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O último ditador, Nicolae Ceausescu, depois de uma visita a Coréia do Norte na décade de 80, resolveu construir o maior prédio governamental do mundo e construiu o Palácio Nacional da Romênia, que é o segundo maior prédio governamental do mundo, atrás apenas do Pentágono dos Estados Unidos. Além da fortuna investida pra construção do prédio, cerca de 7km2 da cidade em volta do prédio foi demolida. Casas, igrejas, bancos, estátuas, escolas e até um monastério foram demolidos pra dar espaço a uma avenida super larga que conecta o palácio à cidade.

Ainda no primeiro dia, fizemos um outro walking tour, dessa vez focado nas diferenças e similaridades entre Bucareste, Paris e Berlim, chamado ‘Bucareste: Pequena Paris ou Nova Berlim?’.

No século 18, a França era o país europeu que mais florescia, com arte, língua, música, moda e era muito copiada pelos outros países do continente, mas Bucareste foi além e resolveu copiar tudo, tornando-se conhecida como a ‘Paris do leste’. O resultado é que hoje, especialmente no centro da cidade, a gente fica confuso se está em Paris ou em Bucareste, vide o título do post.

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As similaridades com Berlim são mais recentes, pós-queda do muro, e são devidas a quantidade de arte de rua, ruelas estreitas e constraste entre comunismo com capitalismo, pois ambas capitais deixaram de ser comunistas no mesmo ano e Bucareste espelhou-se em Berlim pra protestar com arte.

Depois de dois walking tours ‘pesados’ como esses, aproveitamos pra comer a comida local e comi um prato com polenta, ovo frito, queijo e carne de panela com frango, linguiça e bife. J. comeu o típico prato de folhas de repolho com carne moída, arroz e polenta. Muito bom, muito barato, mas muito pesado!

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Levantamos cedo no segundo dia e fomos com um day-tour pra Transilvânia, conhecer o ‘Castelo de Drácula’.

Drácula é um personagem de Bram Stoker, um autor irlandês, que mesmo escrevendo sobre a Transilvânia, nunca veio a Romênia. Ele se inspirou nas estórias que ouviu a respeito de um cara chamado Vlad Dracul, conhecido como o ‘Empalador’. Empalador porque sua forma favorita de tortura era o empalhamento, que consiste em enfiar um pau do ânus até a boca da vítima e pendurá-los no alto do pau, o corpo desce aos poucos e por não perfuram nenhum órgão vital, morte é lenta e dolorosa.

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Vlad usava esse tortura nos turcos, que atacavam a Romênia pelo sul e nos áustro-húngaros, que atacavam pelo norte. Bram Stoker ficou impressionado com a estória e o utilizou como inspiração pra criar o Conde Drácula. No livro, Bram descreve um castelo no meio da floresta, na estrada da Transilvânia e de estilo medieval, o que coincidentemente encaixou com a descrição do Castelo de Bran, que ficou conhecido como Castelo de Drácula.

O castelo por dentro não tem nada de macabro, mas por fora ele parece mesmo um castelo vampiresco.

Além do castelo, visitamos também o Palácio de Peles e a cidade de Brasov, que é completamente diferente de Bucareste, pois sua inspiração foram as cidades alemãs.

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Voltamos pra Bucareste extremamente cansados e só queríamos cama, porque o último dia da viagem foi reservado pra passar horas e horas relaxando no maior parque aquático indoor da Europa, o Therme Bucareste. Sao 3 ambientes, várias piscinas de água aquecida, duas praias artificiais, diversas saunas, tobogas e foi incrível!!!

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Deixamos Bucareste bem felizes, mas sem aquela sensacao de ‘eu moraria aqui‘, que geralmente rola quando eu amo demais uma cidade ou país.


4 comentários sobre “Bucareste, a Paris do leste

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