Programa de indío em Londres

Sabe aqueles programas de índio que de vez em quando a gente se mete? Entao, eu me meti em um dos grandes, daqueles que poderia virar roteiro de filme B, no final de semana passado em Londres.

Tudo comecou porque dois grandes amigos meus estavam vindo pra Europa, mas como a Irlanda nao estava incluida no roteiro deles, o lugar mais próximo pra ve-los seria Londres. Resolvi ser um ótimo amigo (F. e I. se voces estiverem lendo, me amem pra sempre) e marquei de visita-los por lá.

Bookei meus tickets pela Ryanair do aeroporto de Knock, perto de Sligo, para o aeroporto de Luton, em Londres. Foi aí que comecou o programa de índio. Meu voo sairia de Knock pro Luton as 12h30 no sábado e saíria do Luton pro Knock as 16h50 no domingo.

Tipo, pouco mais de 24h em Londres. Eu sabia que o tempo seria pouco, mas a ideia era otimizar e claro, aproveitar com meus amigos.

O grande sabado finalmente chegou e tive que acordar cedinho pra pegar o onibus das 10h de Sligo, para o Knock. O onibus chegou lá por volta de 11h30 e eu logo fui pra área de embarque, foi quando eu tive a primeira surpresa: uma taxa de € 10, dedicada a “taxa de desenvolvimento” é cobrada de todos os voos que saem de Knock. Paguei a taxa e embarquei.

Devido à alta neblina, meu voo demorou HORRORES pra chegar em Luton e ao invés de chegar as 14h05 como previsto, o voo só aterrizou as 15h, me fazendo perder meu transfer do aeroporto pra cidade, que estava marcado para 14h55.

Dei uma de joao-sem-braco e embarquei no onibus das 15h30 fingindo que era meu horário e gracas a Deus, ninguém falou nada.

Por conta do atraso, combinei com meu amigo de encontrá-lo no hostel e foi aí que a aventura comecou de fato!

Cometi o erro básico de nao pegar as coordenadas do hostel, pois eu iria pra lá com meu amigo e ele sabia. Um imprevisto aconteceu, nos desencontramos e tudo que eu tinha era o endereco do hostel, nada mais.

Perguntei pro guiche de informacao como chegar no hostel de depois de muita pesquisa, me informaram o nome de uma estacao, da Circle Line. Comprei dois tickets single, um pra ir pro hostel e outro pra ir embora no outro dia e fui pro metro.
Desci na estacao que me disseram e surpresa, nao tinha hostel lá. Eu estava na rua do hostel, mas eu estava no comeco dela, o hostel era no final. Perguntei em um pub como chegar lá e fui aconselhado a pegar um onibus, pois a caminhada seria bem longa. Fui pro ponto e quando o onibus chegou, aprendi que em Londres o onibus é igual Dublin: sem moeda ou cartao, nao anda.

Eu nao tinha nenhum dos dois e tive que andar.

O primeiro desafio foi atravessar um túnel escuro que a calcadinha do “pedestre” ia ficando mais estreita a cada passo que eu dava. Rezei pra caralho alí.

Assim como o moco do pub disse, a caminhada era mesmo longa. Nao chegava nunca. O número do hostel era 639 e eu ia olhando o número das casas e estabelecimentos e nunca chegava no 600. Quando finalmente chegou no 600, virou 700 logo depois e nada do hostel.

Eu estava olhando só à minha direita, pois à minha esquerda eu ainda estava no 400 e pouco. Andei ainda mais e cheguei no fim da rua, que era um cemitério. Nada do hostel. Voltei algumas quadras e perguntei em um café, cuja garconete me salvou e disse que o hostel era depois do cemitério.

Andei mais um tico e no fim de 2h de caminhada, cheguei no hostel. Tinha lido as reviews do hostel na internet e já sabia que seria um hostel bem, mas bem ruim mesmo. Me supreendi, pois era pior do que eu esperava.

Paguei a estadia, o depósito da chave e fui atrás de uma toalha, que me causou muita dor de cabeca. Ninguém tinha troco pra me dar, mas ninguém queria me dar a toalha sem depósito. Depois de um pouquinho de discussao, acharam alguém com troco e peguei minha toalha.

Cheguei no quarto e surpresa: todas as camas estavam baguncadas, logo, ocupadas. Comecei a rir e falar “this is a joke”, quando um menino do quarto me disse o seguinte:
“That bed is free, the guy who was there has left today. They just didn’t clean it.”

Pra nao ir lá de novo, aceitei a cama zoada mesmo.

Tomei banho, desestressei e fui aproveitar meus amigos. Jantamos no restaurante do hostel, que era muito bom e bem barato e depois fomos tomar uma pint e jogar conversa fora em dos pubs próximos do hostel.

No pub, usei a internet e vi que meu amigo havia me mandado as coordenadas certinhas, o que teria me salvo 2h de caminhada, mas eu estava sem internet e nunca recebi. Fail.

Acordamos cedo no outro dia, tomamos café da manha e pegamos o metro na frente do hostel. Foi ai que vi que o ticket single que eu havia comprado no sábado nao me seria util, pois tinha data. Tive que comprar outro.

Fomos entao pra King’s Cross pra eles tirarem foto na Plataforma 9 ¾ , que foi super legal e depois fomos passear no British Museum. Vimos múmias, gregos, romanos e muita coisa legal. Nisso já deu 13h00 da tarde e fomos almocar. Depois do almoco, dei tchau e fui pro metro, pra ir pra estacao de onibus e entao, aeroporto.

Cheguei na estacao de onibus 2min depois do meu onibus, das 14h, ter saído. Esperei dar 14h30 e, como no sábado, usei o mesmo ticket. O onibus cehgou no aeroporto às 16h, meu portao de embarque fechava as 16h20 e eu ainda tinha que passar pela seguranca.

Fiz tudo na correria, mas 16h30 eu já estava no aviao e como previsto, 17h50 eu estava no Knock. Fui pro ponto de onibus e – supresa – o ultimo onibus do dia do aeroporto pra Sligo tinha saído as 17h45.

Tive que pegar um taxi do aeroporto até a cidade mais próxima, Charlestown e esperar 2h pelo próximo onibus, que era só as 20h.

Cheguei em Sligo só as 21h e com duas certezas na vida:
1) Londres em um final de semana nao vale a pen
2) Eu sou um ótimo amigo

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17 comentários sobre “Programa de indío em Londres

  1. Eu sei que a história não é engraçada, mas dava vontade de rir a cada trapalhada!
    E eu diria mais: um final de semana não é suficiente em Londres e dificilmente é suficiente para qualquer lugar deste mundo que seja considerado “turístico”.

    • Concordo! Mas eu só fui pra ver meu amigo, nem queria ver as coisas de Londres…já fui 3 vezes hahaha! Mas mesmo nao vendo nada, foi apertado demais e so me fudi!!!

  2. Pingback: Retrospectiva 2014 | Livin' La Vida…Rick!

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