Meu Brasil, brasileiro – parte II

Acredito que voce já tenha lido a parte I, certo? Entao agora vamos ao que realmente interessa e que motivou esse post a ser escrito: as perguntas!

Será que eu vou me sentir em casa?
Assim que cheguei na minha casa, em Bauru, eu me senti em casa, mas foi um “em casa” meio mais ou menos, já que eu sabia que estava de férias e o quarto que fiquei, que já foi meu quarto um dia, é hoje o quartinho de bagunca da casa. Minhas roupas ficaram na mala e o espaco do quarto estava limitado, reforcando o sentimento de “estou de férias na casa da minha mamys”.

Será que eu não vou querer voltar?
Eu queria ficar mais alguns dias, pois 15 dias é muito pouco, mas em nenhum momento me passou a ideia de voltar a morar lá.

Será que eu me sentirei deslocado com meus amigos?
Esse assunto renderia um post enorme que poderia até conter indiretas, mas nao vai valer a pena. Me senti deslocado sim. Nao entendia dos assuntos que falavam, nao estava por dentro das conversinhas, piadinhas e briguinhas e acima de tudo, aprendi que ninguém é insubstituível. A vida continua e mais dia, menos dia, alguém substítui uma posicao que voce usufruia antes. Nao culpo ninguém, porque afinal quem foi embora fui eu, mas que doeu, doeu.

Será que eu vou achar tudo muito diferente?
Eu sempre achei que era papo essa coisa de falar que voltar pro Brasil depois de um tempo fora assusta, mas assim que saí da área de desembarque do aeroporto eu assustei e pude comprovar que é verdade. Nao foi um assustar de violencia, foi um assustar de “nossa, que diferente”. As pessoas andam diferente, falam diferente, gesticulam diferente, a sujeira na rua parece que pula na cara, o caos constante (que no caso é uma característica de Sao Paulo) dá vontade de correr pra casa e o transporte público dá vontade de nao ter saído de casa.

Será que vão achar que eu mudei demais?
Mudar eu mudei, mas acho que ninguém percebeu. Ou se perceberam, nao me trataram diferente por isso. Como nao mudei fisicamente nem uma simples grama, pra muita gente eu sou o mesmo de sempre. Isso foi bem bom, porque nao tive que lidar com comentarios do tipo “voce nao era assim”.

A minha visita pro Brasil, como eu previ, serviu também pra me mostrar que realmente eu nao quero voltar a morar lá tao cedo. Nao descarto a possibilidade de voltar, porque nunca sei o dia de amanha e o único lugar do mundo que é casa, pátria e que vai me receber de bracos abertos é lá, mas por ora, farei o possível pra adiar esse reencontro permanente.

Ps: derreti de verde e amarelo TODOS OS DIAS!

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14 comentários sobre “Meu Brasil, brasileiro – parte II

  1. Ó, blog bombando, hein?!!!

    Cara, eu tive algumas sensações diferentes agora nas férias no Brasil. Alguns pontos em comum, claro: a sujeira, caos e trânsito pulam aos olhos mesmo, mas no geral, não senti que a vida continuou sem mim… Bom, mas isso rende assunto e também quero escrever logo a respeito lá no blog!

    O bom de ir pra casa é que rever todo mundo recarrega nossas energias, né?

  2. Eaê Rick, viu só o sucesso que seu blog faz? Parabéns!!! Continue sempre nos passando o seu modo brasileiro de ver o mundo (já te falei para você escrever um livro, não??)
    Também penso como vc de que todos deveriam ao menos uma vez sair do BR, para verem que existe “um mundo melhor”. Eu vi isso quando fiz meu intercâmbio há 4 anos atrás para a Nova Zelândia. Me incomoda (e muito) essa sensação de conformismo da população com essa “sugeirada” no Brasil.
    Sabe ler seu blog me motiva a fazer uma coisa que sempre sonhei que é morar fora do BR (e já comecei a colocar em prática meus planos para que isso se realize – obs.: vou montar um blog também quando estiver lá rsrsrs).
    Chega uma hora que qualidade de vida fala mais alto. Do que adianta pagar preços absurdos nas coisas aqui em função de impostos e tributos sendo que o retorno que você tem é praticamente nulo? Enfim… não vou aprofundar aqui nesse assunto, “bem-vindo” de volta Rick!!!

    1. Oi, Rafael! obrigado, caro! Nao sabia que vc ja tinha feito intercambio pra NZ. COmo é a vida lá? E pra onde vai ser o proximo intercambio!?

      Sim, faca um blog!!

  3. Ahhhh que saudades que eu estava do seus post!

    Sabe essa coisa de amizade é complicado eu só conheço dois estados RJ e SP porém fiquei no vai e vem de lá pra ca por um tempo, então essa coisa de não entender piadinhas, briguinhas, e perceber que ninguém é insubstituível eu sei bem, e sinceramente é a vida, a mentalidade muda, as prioridades mudam, e independente de você mudar de país ou não um dia a amizade vai sofrer algum tipo de choque, seja por um namoro, filho ou qualquer outra coisa, o importante é que pra sua família você é insubstituível. Eu não fui pra outro país (AINDA!) mais eu acho que vou querer voltar correndo pra o Brasil, isso aqui é um caos mais eu gosto daqui (ou talvez eu acho que gosto por não conhecer outras formas de viver).

    Bom fiquei feliz pela sua volta!

    1. Ahhhhhhhhhhh que legal receber um comentário desses!

      Eu estava com saudaes de escrever também, hehehe. Já acabei com as férias e voltei com tudo! Sobre amigos, é mesmo né…a vida pede isso e pra família, ngm nunca vai me substituir! Olha, acho que todo brasileiro tinha q ter a oportunidade de sair do Brasil, nem que seja só por um tempinho curto…ver outras formas de viver (mais simples e leves do que a nossa) muda a gente!

      Beijão!

  4. Rick, Boa tarde. Assiduamente acesso seu blog com o objetivo de conhecer um pouco das coisas da Irlanda. Gosto das informações contidas no seu blog e confesso que fico aguardando a próxima inserção. Minha filha vai para aí no mês de agosto e passará (longos) 10 meses estudando. Uma situação que me deixa apreensivo é esta pergunta: Será que vale a pena voltar para o Brasil? Tomara que ela vá, goste, trabalhe e/ou até fique algum tempo, mas que sempre volta para casa e de preferência mais de uma vez por ano (será que é pedir demais, rsrsrs).
    Forte abraço e que continue tendo inspiração e motivação para continuar escrevendo, pois assim estamos vendo com teus olhos as coisa belas da Irlanda.

    1. Oi, Antonio! Poxa, que bom saber que vc sempre acessa o blog! Isso é muito motivador, obrigado! Sobre a sua perguta, bom..isso depende de muitos fatores. No meu caso, não compensa voltar. Não compensa pq eu tnho um emprego bom, na minha área, tenho cidadania italiana (o que facilita tdo em relacao a ser 100% legal no país) e coisas assim… pra algumas pessoas, compensa voltar sim! Tem gente qu depois de um tempo aqui e de um UP no ingles, volta com posições maiores no Brasil..

      Essa pergunta, depois de um tepo aqui, a sua filha será a melhor pessoa a responder.

      E toda a boa sorte do mundo pra ela! Acredite, 10 meses VOAM!

  5. Olá!
    já leio o blog a um tempo mas dessa vez acho que vale um comentário.
    Me vi em vários pontos ao voltar e passar férias na casa dos pais. Mistura muitos sentimentos e saudades. O interessante, é que não moro em outro país. Moro só em outro estado. Pelo que eu li, vc nunca havia morado fora de Bauru, certo? BOm, eu estou no 7º estado desse Brasil e sinto as mesmas coisas que vc sentiu a voltar a cidade de parentes e a minha própria cidade. Claro, tem toda a parte de infraestrutura e tal, mas num país desse tamanho, acredite, vemos de tudo.
    Acho que é natural da parte como vamos nos adaptando de acordo com a atual realidade. Sempre será diferente. Independente de onde. Isso nos faz crescer. Nos torna mais maduros (ou deslumbrados, depende de que lado vc vai. rs!)
    Ah, sobre as amizades, acho que a distancia faz um “filtro natural” e claro, os melhores sempre ficam. Independente do país 🙂

    1. Oi, Maira! Obrigado pelo seu comentario!

      Olha, o Brasil devia ser uma continente!!! Imagino que realmente exista muita diferenca de estado pra estado. Sim, eu nunca morei fora de Bauru e quase nao conheco o Brasil..so sai de Sao Paulo uma vez, qdo fui pro Parana. Ja passei por RJ e BA, mas foi de navio, nao conta, ne?

      Sera que vai ser assim pra sempre?

      Dos amigos, ah…acontece, ne!

  6. Nossa mano! Ler isso me fez passar um filme na cabeça de quando passei uma semana no Brasil antes de embarcad para a Austrália…

    Logo logo tô de volta ao Brasil, mas com tempo determinado…

    medo!

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