A Irlanda e o álcool

Antes de começar a desenrolar sobre esse tema, eu queria deixar claro que este blog expressa única e exclusivamente a minha opinião e minhas experiências, e que eu não tenho nada contra quem bebe, quem fica bêbado ou whatever (até porque seria hipocrisia, porque eu também bebo), eu só quero expressar a minha percepção sobre o álcool na Irlanda, comparado com o Brasil.

Uma das coisas mais famosas – se não a mais famosa de todas – da Irlanda é a sua cerveja, a Guinness. A Guinness foi inventada aqui e é o orgulho de qualquer irlandês, que dizem os estereótipos por aí: são “bons de copo”.

BEER

Estereótipos. Muita gente torce o nariz quando ouve essa palavra e vem com o discurso de que “julgar” pelo estereótipo é errado e blábláblá. Em relação a Brasil, eu não gosto quando alguém “julga” o Brasil baseado no estereótipo caricoca. Isso é errado, porque o estilo de vida carioca só existe no Rio de Janeiro, não existe em São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Paraná…mas dizer que o estereótipo carioca é mentira, é pedir demais, né? O mesmo vale para o estereótipo paulista, mineiro e etc.

Se existe, é porque tem fundamento e muita gente – tipo, a maioria – daquele lugar pensa e age da maneira como o estereótipo diz. É assim que eles se criam, se fortalecem e se espalham.

Tudo isso pra dizer que o estereótipo de irlandês bom de copo beberrão é verdade sim.

Aqui, assim como no Brasil, tudo tem álcool no meio. A diferença é a maneira como nós, brasileiros, lidamos com o álcool e a maneira como eles, os irlandeses, lidam. Pra gente, álcool é um meio pra se divertir, não um fim. Pra eles é um fim.

Nós, na grande maioria, sabemos ir pro pub, tomar algumas cervejas e voltar pra casa ok. Eles, na grande maioria, não. Pra eles, ir pro pub e não ficar fudidamente bêbado, não é ir pro pub. Já cansei de ouvir de amigos/conhecidos/colegas que ir pro pub e não ficar bêbado é “pointless”. Isso me irrita um pouco, porque eu sei ir pro pub, tomar algumas e voltar pra casa. Eu não preciso ficar bêbado. Não é uma obrigação.

Eu não julgo a minha “night out” baseado no quão bêbado eu fiquei. Eu julgo a minha noite baseado na quantidade de amigos que vi, na quantidade de risadas que dei, na quantidade de gafes que cometi, na quantidade de gente que paquerei e por aí vaí. Eles julgam como ótima uma noite que eles ficaram bêbados. Bem bêbados. Quanto mais bêbado, mais legal foi a noite. Mesmo que eles não lembrem PORRA nehuma do que eles fizeram.

Aqui, o álcool deixa de ser vendido nos supermercados às 22h, o que é nada mais é do que uma prevenção do governo pra essa juventude não se matar. Se o álcool fosse vendido 24h por dia, como é no Brasil, esses jovens iriam morrer, porque eles não sabem a hora de parar. Eles não tem aquele filtro que a gente tem, o de parar. Eles nunca falam “nossa, tá na hora de parar agora”. Eles continuam, continuam, continuam…

A balada aqui acaba as 3h da manhã e acreditem, 01h30 da manhã 80% dos jovens da balada estão bêbados de não saber mais o nome, de trombar em todo mundo, de ser chato, de vomitar e tudo mais. O que aconteceria com 30% das pessoas de uma balada brasileira às 04h30 da manhã, aqui acontece às 01h30 com 80% da balada.

Se a balada aqui fosse até as 06h como é no Brasil, eu não sei o que sobraria desse povo, não.

Eu gosto de fazer uma comparação que, acredito eu, vai fazer sentido pra você tambêm. No Brasil eu sempre saia com meus amigos pra balada, churrascos, bares, festas de república e por aí. A lei era: vamos nos divertir. No fim da noite, dos 4/5 amigos que saíram juntos, 2 deram PT. Aqui, a lei é: vamos ficar bêbados e todos deram PT.

No Brasil, o consumo de álcool não é incentivado e a sociedade brasileira tem um pé atrás com ele. Tipo, é feio dizer pro seu chefe o quão bêbado você ficou no sábado e é “meio estranho” a sua mãe cuidar de você na sua ressaca. Por aqui é ok.

Eu entendo que isso é cultural e não os julgo, apenas não me adaptei. Quando saio com meus amigos, os vejo ficarem bêbados, mas eu bebo até o meu ponto e paro. Assim como eu não me adaptei ao álcool na Irlanda, se um dia eles forem ao Brasil, eles podem se escandalizar ao ver os peitos da Juliana Paes na TV por 5 minutos, coisa que pra gente é absolutamente normal.

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Um comentário sobre “A Irlanda e o álcool

  1. Rick, perfeito. Você conseguiu descrever com perfeição a atitude dos irlandeses em relação à bebida. Sempre ouço esse tipo de comentário, que uma night out não é night out se a pessoa não ficou bêbada. E parece que têm orgulho em dizer que não lembram de nada porque ficaram muito bêbados!

    Chefe, mãe, todo mundo leva na boa o fato de você estar de ressaca. Acho isso MUITO BIZARRO, mas como você disse, é cultural. Eu nunca fui fã da cultura da bebida no Brasil, imagine aqui! Me sinto um peixe fora d’água.

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