Talentos de Sligo – Gary Reddin

Quando pensamos na Irlanda, pensamos em fazendas, ovelhas, vacas, paisagens incríveis, muito verde, castelos e claro, em Dublin. Pra muita gente, a Irlanda se resume à Dublin e nada mais. Todo o resto é apenas countryside e, com exceção das características clichês que já citei, não tem nada de interessante acontecendo.

É verdade que Dublin, além de capital da Irlanda, é a cidade onde tudo acontece. É em Dublin que nascem os movimentos, que as coisas se aperfeiçoam, que a maioria das empresas vão e que é investido quase todo o orçamento irlandês.

Mas a Irlanda é mais do que Dublin.

Como vocês sabem, eu moro em Sligo, no norte-oeste da ilha e por viver aqui e conviver com pessoas daqui eu aprendi a olhar pra Irlanda do jeito que eles olham. Por aqui, a maior reclamação dos irlandeses em relação ao governo é que ele (o governo), se esquece que existem outras cidades e que essas cidades também tem potencial pra crescer.

A empresa que eu trabalho é um belo exemplo disso. Nos últimos meses a Good4U tem alcançado uma visibilidade enorme na Irlanda e foi parar até no Irish Times, o jornal mais importante da ilha. O motivo? A Goo4U vai criar 25 novos empregos esse ano na Irlanda e eles não serão criados em Dublin, serão criados em Sligo.

A Good4U não é a única empresa dos lados de cá que resolveu mostrar que a Irlanda vai além de Dublin, algumas outras empresas do norte-oeste tem alcançado tanta visibilidade quanto nós e como fruto dessa visibilidade nasceu o Swell Sligo, uma rede de network envolvendo os representantes dessas empresas. A ideia do Swell Sligo é motivar e ajudar os empreendedores daqui a se lançar no mercado sem precisar deixar Sligo.

Legal, né?

Foi através do Swell Sligo que eu conheci o trabalho do Gary Reddin, a estrela desse post.

O Gary, junto com mais uns dois ou três, é um dos designers/ilustradores aqui de Sligo. Eu me encantei com o trabalho dele e resolvi mandar um e-mail parabenizando-o. Conversa vai, conversa vem e resolvemos marcar um café. O resultado você vê na entrevista abaixo.

Como você se tornou designer?
Eu fiz faculdade de Arquitetura em Dublin, me formei em 2010. A faculdade de arquitetura é muita rica no quesito arte e eu me sentia muito livre e criativo, mas quanto ao trabalho de arquiteto no escritório eu acho chato, foi aí que resolvi ilustrar. Morei um ano em Copenhaguen, na Dinamarca e foi lá que me desenvolvi mais.

Gary Reddin

Como foi trabalhar em Copenhaguen?
A Dinamarca é uma país muito rico, que praticamente não precisa se preocupar com o que acontece com o resto do mundo. Eles tem tempo pra usufruir de boa arte, de bom design e de boas ideias e isso reflete na maneira como as coisas são feitas lá. Os jovens não estão sofrendo pra conseguir emprego, eles tem como viver bem e fazer arte. Isso me fez crescer e trazer um pouco disso pro meu trabalho.

E depois de Copenhaguen, o que você fez?
Me mudei pra Londres e trabalhei lá por dois anos. Londres é uma cidade incrível e é lá que tudo acontece. É lá que todos os movimentos nascem, se desenvolvem e é muito bom pro potencial criativo de qualquer pessoa, mas mesmo assim eu sentia falta de casa.

Strandhill

Strandhill

Já que você disse de voltar pra casa, como você vê o design na Irlanda e em Sligo?
Eu fiquei longe de casa (Sligo) por quase 10 anos e senti que era hora de voltar. Quando penso no design na Irlanda é um pouco complicado, pois os nossos talentos estão deixando a Irlanda. Os talentos do interior vão pra Dublin e os de Dublin vão pra América, Austrália, Canadá ou Reino Unido. Eu acredito que quando a crise passar e todos esses irlandeses que estão longe de casa quiserem voltar pra casa, eles vão voltar muito ricos, com muita bagagem, com muita influência e a cena do design na Irlanda vai mudar muito. Já está mudando, hoje temos o OFFSET, que é um dos eventos de design mais importantes da Europa, temos o Illustrators Ireland, que reúne muita gente boa da Irlanda e tantas outras coisas, mas mesmo assim é difícil pra nós sair da sombra do Reino Unido. É muito perto e tudo acontece lá, mas eu acredito que isso vá mudar.

E sobre Sligo? O que te trouxe de volta?
Sligo é minha casa, Sligo me inspira e eu acredito no potencial de Sligo, no potencial das empresas daqui. Pode ser que eu não fiquei aqui pra sempre, mas por hora, aqui é lar.

O que te inspira?
Eu me inspiro pelas coisas que eu gosto e que estão ao meu redor. Sligo me inspira, meu surf me inspira e eu tento trazer isso pra minha arte.

Uma das suas criações que eu gostei foi o “I HEART TRAVEL”, acredito que você tenha viajado muito, como você aproveita isso no seu trabalho?
Viajar muito é bom porque em cada país novo que você pisa é como se fosse um mundo totalmente novo e é incrivel ver as diferenças na arte e no design. Incrível ver como o grafitti é forte na França, como a Itália é forte na arte, como a Bélgica usa o cartoon e coisas assim.

I HEART TRAVEL

I HEART TRAVEL

Um recado pros novos designers?
Faça aquilo que você goste e nunca desista. Peça sempre a opinião de outras pessoas, designers e não designers. Design não é acadêmico, design resolve problema pra quem é leigo.

Anúncios

2 comentários sobre “Talentos de Sligo – Gary Reddin

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s