Eu, eu mesmo e as aranhas

A Bárbara já falou sobre isso no blog dela, mas eu acho que esse assunto é muito importante e deve ser abortado por todos os blogs sobre a Irlanda, acho até que a Tarsila tem que criar uma categoria no ‘Vida Na Irlanda’ pra tratar disso. Afinal, as pessoas tem que ser alertadas sobre a quantidade de aranhas que elas vão trombar nessa ilha.

É, aranhas.

Mas vamos do começo.

Eu tenho pavor de aranhas. Não sei de onde esse medo surgiu, mas tenho um leve feeling que veio daquele filme maldito chamado ‘Aracnofobia‘ e das brincadeiras idiotas do meu irmão quando éramos crianças. A gente era metido a machão e adoravámos ver os filmes de terror da Band e do SBT e um dia o filme foi esse.

Acho que nunca mais a minha vida foi a mesma.

Desde então, qualquer aranha que eu vejo eu acho que é assassina, que vai me matar, que vai gritar, que tem veneno pra matar um estádio de futebol e claro, eu paraliso quando vejo.

Sou tipo Rony Weasley, mas mais cagão porque eu não me enfiaria em um ninho de aranhas nem pela minha mãe (sorry mummy). Me lembro que quando assisti ‘O Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei‘, fechei os olhos e me revirei na cadeira por uns 5 minutos ao ver a Laracna em ação.

É tenso o negócio, gente.

Além disso, eu tenho Murphy, que tem uma relação bacana com a minha pessoa e fez, ao longo da minha vida, eu ter tido (olha o have had aí gente) várias experiências desagradáveis com essas criaturas.

Teve vez que uma passou na minha mãe, teve um episódio que me joguei no meio de um lago porque uma aranha d’água sai de dentro do pedalinho que eu estava e foi parar nas costas do meu amigo, teve o caso da aranha armadeira que resolveu pular no meu braço na caça-ao-tesouro e alguns outros episódios tensos.

Antes de vir pra Irlanda, sério, eu achei que uma das últimas coisas que eu iria ver seriam aranhas, porque né, é frio. E de fato, até mudar pra Sligo, eu nunca tinha visto nenhuma, em lugar nenhum.

Daí eu mudei pra Sligo.

Mudei pra uma casa que, se eu fosse uma aranha, eu iria morar aqui, criar meus filhos e ainda trazer a minha mãe e meus irmãos pra morar comigo. A casa é o paraíso (pra elas). É úmida, com carpete, com sótão, com janelas pequenas e com 10% da floresta amazônica no fundo (de frente pro meu quarto).

Assimilou? Então, desde que me mudei pra Sligo, perdi a conta da quantidade de aranhas que eu encontrei pela casa e sem contar as que eu encontro no meu quarto. Já achei dentro do guarda-roupa, já vi saindo da mochila, já vi entrando embaixo da cama, já vi na porta e no teto.

Todas eu consegui matar.

Primeiro eu paralisava. Eu pensava na minha mãe, no meu irmão, no meu cachorro e até no Obama, pra então eu perceber que eu tinha que matar sozinho. Mesmo que só depois de jogar 3 pares de tênis e 2 pares de chinelo e ainda ser obrigado a olhar pra cara dela triunfante (ainda VIVA), ela morria.

Mas essa semana aconteceu algo inédito, eu estava no quarto, vendo alguma coisa no Netflix e por isso, com as luzes apagadas. Resolvi ir na cozinha tomar água e ao acender a luz do meu quarto, quem eu vejo?

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Uma aranha do tamanho de uma mão humana me olhando como se eu fosse um chester de Natal. Paralisei, respirei, chorei, invoquei os deuses do Olimpo, falei com minha mãe no Skype, postei no Facebook e ela ainda estava lá, me olhando.

Devia estar pensando quantas vezes ela poderia se alimentar da minha carne magra.

Num ímpeto de coragem extrema (sábios dizem que só precisamos de 7″ de coragem pra fazer algo grandioso na vida) corri pra fora do quarto, respirei fundo e gritei:

“Someone at home?”
“Yup. What do you need”
“I need you to kill a spider, she is BIG”
“She? Not is she, its it”
“No, it is SHE. It’s like a person”.
“Holy shit, it’s really big”.

[barulho de aranhas gritando e morrendo]

E assim, o dia foi salvo graças ao housemate polonês matador de aranhas, que agora me zoa toda vez que me tromba e pergunta se as aranhas me deixaram em paz.

Ps: Agora eu sinto coisas estranhas andando na minha perna a noite e acordo meio que no jiraya procurando aranha.

Se você não gosta de aranhas, reveja a sua vontade de vir pra Irlanda (mas não vá pra Austrália).

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15 comentários sobre “Eu, eu mesmo e as aranhas

  1. Meu deus pq fui pesquisar sobre isso, tenho pavor de Aranhas,mas é um pavor tenso mesmo, paralisante. Vou para Dublin daqui 3 meses, estou revendo isso aí. Tô nervosa até.

    1. HAHAH, nao pira, nao! Se voce sobreviveu mais de 18 anos no Brasil, voce vai sobreviver a Irlanda. As aranhas la nao tem veneno ! Elas podem ficar grandes no verao, mas se voce nao morar em casa velha e com jardim, voce nunca vai ve-las!

  2. Eu sei que esse post é antido, talvez vc nem veja o comentáriom mais to aqui pra dizer que amei seu blog e que ja li vários post e dei risadas mais esse da aranha é o melhor, a começei um pouco (não tudo) de trás pra frente pq eu curti tanto os últimos post que resolvi voltar um pouco, por isso que estou nesse das aranhas. Parabéns!

    1. Oi, Aline! É claro que eu leio todos os comentários, até dos textos mais antigos. Eu tb gosto desse do da aranha…mas graças a Deus eu não as tenho visto mais…vai ver pq entrou o inverno…se pá agora no verão elas voltam.

      #medo

      Obrigado pelos elogios e obrigadooooooooooo por ler o blog! Eu tô meio sumido, mas tô aqui com força total!

  3. Oi Rick! Aqui em Cork também encontramos essas danadinhas em todo o canto! Nas grades que ficam na beira do rio não tem um canto que não tenha teia (e a noite vemos nao só 1, mas 2 ou 3 disputando a teia!), ouvi falar que canfora afasta elas, mas não sei se tem pra vender aqui.
    Bjss

    1. Eu convivo bem com as do banheiro, sao peqeunas e tal.. tao sempre ali, ams no meu quarto nao da!
      Ontem matei uma assim como vc falopu, cheguei perto e paa! Mas ela era menor que meu dedao!

  4. “Holy shit, it’s really big”. ahuahauhau. Morro de medo tb Rick. Qd vejo uma teia aqui eu já destruo logo tudo que é pra ela nem aparecer de novo. Passo vassoura no teto, nos cantinhos, onde der… espero nunca trombar com uma gigante. E obrigada por avisar, não morarei em Sligo never!

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