North West Pride – Sligo

As usual, teve evento rolando em Sligo nesse fim de semana. Dessa vez foi a vez da ‘North West Pride‘ tomar as ‘ruas’ da cidade e deixar todo mundo feliz, colorido e molhado.

Um dos meus amigos é um dos organizadores do evento, então acabei por tabela acompanhando a preparação de algumas coisas e participando um pouco mais (bem pouquinho, quase nada).

Os eventos começaram na quinta-feira e se estenderam até o sábado. O primeiro deles, na quinta-feira, foi a exibição de dois documentários sobre a tentativa dos gays irlandeses que moram em Nova York conseguiram um espaço oficialmente LGBT no desfile de Saint Patrick’s Day de lá. O primeiro documentário era de 1992 e o segundo de 1997, em ambos eles não conseguem participar do desfile na 5ª Avenida.

Os documentários possuem algumas entrevistas e uma das coisas mais marcantes é a entrevista de uma irlandesa que diz algo mais ou menos assim: “nós imigramos da Irlanda pra América, pra Nova York, porque aqui é o melhor lugar do mundo pra ser gay e é engraçado que lá, na Irlanda, que é extremamente conservador, nós temos espaço gay no Saint Patrick’s de Cork, Galway e Dublin. Aqui, em Nova York, na 5ª Avenida, nós não temos. É frustrante!

Depois dos documentários rolou um pequeno debate (eu fiquei bem caladinho) e uma das coisas ditas foi que até hoje os gays irlandeses de Nova York não tem seu espaço no dia de Saint Patrick. Eles até podem participar da parada, mas sem bandeiras LGBT e sem dizerem “nós somos gays”.

Na sexta-feira a noite foi a vez da ‘Queer Prom’. A ideia do evento vem dos bailes de formatura que rolam aqui no Hemisfério Norte (o garoto convida a garota para juntos irem ao baile de fim de ano da escola) que SEMPRE aparecem em filme americano.

O objetivo da ‘Queer Prom’ era proporcionar esse momento de novo pra todo aquele que, nessa época da vida, queria ser um avestruz pra não ser obrigado a convidar alguém para ir ao baile (insira aqui o conceito sublimar de que quem vai ao baile com você é seu/sua namorado/a) e que de certa forma sofreu com isso.

O baile contou com tapete vermelho, fotógrafo fotografando os casais (sem distinção de gêneros), bebidas, banda, DJ e claro, ‘back and tie’. Não necessariamente todos estavam de black and tie, o tema era livre e cada um improvisou o seu. Foi MUITO divertido!

O auge de tudo foi a parada que aconteceu no sábado a tarde. Estava chovendo, o que pode ter atrapalhando um pouco as coisas, mas mesmo assim foi bem interessante. Não tinha muito gente, na verdade tinha bem pouco, chutando bem alto 120.

Mas esse 120 fizeram barulho! Muitas bandeiras, muitos apitos, alguns tambores, um megafone e muitos gritos. A galera da cidade, que estava no centro na hora, mas não estava marchando, reagiu (ao meu ver) de uma forma bem aceitável. Tiraram fotos, sorriam, cantavam junto e em nenhum momento eu vi caras de reprovação.

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Sei que você está pensando que 120 é um número muito pequeno, mas não podemos esquecer que até 20 anos atrás ser gay na Irlanda era crime (coisa que nunca foi no Brasil) e que tirando Dublin, Cork e Galway, todas as outras ‘cidades’ da Irlanda são pequenas, bem pequenas e nós sabemos o quanto cidades pequenas podem ser cruéis no que diz respeito ao ‘diferente’, né?

A parada terminou em frente ao ‘City Council’ (prefeitura) com todo mundo cantando ‘Over the Rainbow‘. Foi lindo!

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