Knockarea

Na última sexta-feira, Zoe me fez um convite inusitado: escalar uma montanha! Na hora eu já imaginei que eu ia vestir equipamentos de escalada e dar uma de Jon Snow na muralha de gelo. Percebendo a minha empolgação, ela explicou direito e acabou com minhas pretensões aventureiras.

Nós iríamos apenas nos juntar a um grupo de pessoas e subir montanha acima (pela trilha), a Knockarea – uma das montanhas da cidade – pra lá em cima, assistir a uma peça de teatro.

A ideia me pareceu muito interessante e claro, aceitei.

Nos encontramos no centro, compramos umas comidinhas na Katie’s Kitchen (ela merece post) e ganhamos uma carona do pai dela até o ponto de encontro, que era na base da montanha.

Já tinha bastante gente lá quando chegamos, por volta de 13h30. Como o “play” estava marcado para começar às 15h, precisamos nos apressar.

A subida começou bem leve, mas o caminho era cheio, cheio, cheio de pedras. Então, logo nos primeiros 5 minutos, eu já estava agradecendo a Deus por ter comprado meu tênis heteronormativo. Enquanto subíamos, Zoe me contou uma pouco da história da montanha.

Vacas.
Vacas.

Existe uma lenda a respeito da montanha que diz que, quem leva uma pedra até o topo da montanha e a deixa lá, passa a levar consigo a “sorte dos irlandeses” (luck of the Irish). É como se fosse uma troca da montanha com você.

Legal, né?

O caminho foi algo assim, bem Irlanda. Muito verde, algumas ovelhinhas, muitas vacas, muito coco e muito, mas muito vento. Graças a Deus o tempo estava relativamente bom. Não estava chovendo, estava com quase sol e eu estava vestindo bermuda e moletom. No meio do caminho eu tirei o moletom, por que eu estava suando. SIM DA PRA SUAR AQUI GENTE

A subida durou pouco mais de 1h e chegamos lá em cima PODRES e reclamando do quanto estávamos fora de forma. Ainda bem que a vista compensava!

Eu sou um fotógrafo de merda
Eu sou um fotógrafo de merda

Sentamos pra comer nossas comidinhas e descansar um pouquinho. Foi aí que, morrendo de sede, eu percebi que a garrafinha do meu suco, que era de vidro, precisava de um abridor para ser aberta. CADÊ A SORTE DOS IRISH? Tive que pegar uma pedra por ali mesmo e abrir na raça. Quem me conhece sabe que não sou muito bom com essas coisas. Resultado? Abri a garrafa, mas amassei meu dedo umas 3x.

Claro, foi essa pedra que eu levei até o topo da montanha! Vale ressaltar que o topo da montanha é uma outra montanha, de pedras. E todo mundo sobe essa montanha de pedras pra deixar a sua lá em cima. Quando chega lá em cima, ainda tem outra (que tá só começando).

Montanha de pedras no topo da montanha
Montanha de pedras no topo da montanha
Montanhinha de pedras no topo da montanha de pedra, no topo da montanha
Montanhinha de pedras no topo da montanha de pedra, no topo da montanha

Depois de receber a “sorte dos irlandeses”, chegou a hora de assistir a peça. A peça encenada foi “Purgatory” (Purgatório) de, quem mais poderia ser, William B. Yeats.

Me senti naquelas livros de Wycka, misturado com gente natureba, misturado com interior da Inglaterra. Sei lá, foi diferente. Todo mundo ficou em silêncio absoluto (até as crianças e os cachorros) e pelos próximos 25 minutos, só ouvimos a voz dos 2 atores.

Me surpreendi a perceber que eu entendi boa parte da peça, que era uma tragédia. Não tragédia de ruim. Tragédia de tragédia mesmo.

Platéia
Platéia

Depois do fim da peça, descemos a montanha (que fui muito mais fácil do que subir) e ganhamos uma carona de uma amiga da Zoe até Strandhill.

Mas isso fica pra próxima.

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4 comentários sobre “Knockarea

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