Vamos pescar?

Sligo é uma cidade pequena, com atmosfera de cidade minúscula. Sabe aquela coisa de todo mundo se conhecer, todo mundo se encontrar no mercado, todos os jovens frequentarem os mesmos bares e a igreja ser o “point” da moçada? Então, Sligo tem isso.

Caminho todo os dias 30min pra chegar no escritório e faço um caminho que praticamente corta a cidade (ao menos os pontos mais importantes dela). No meio do caminho, sempre vejo as mesmas carinhas e depois de um mês fazendo o mesmo trajeto, já começo a receber os “hi”, “hello”, “good morning”, “have a nice day”, das pessoas que cruzam comigo.

É estranho, mas é legal.

Sou de Bauru, uma cidade que em proporções brasileiras, principalmente paulistas, é pequena. Mas em proporções irlandesas, é uma metrópole! Nunca imaginei que me daria bem em uma cidade menor que a minha, mas ta aí, mordi minha língua.

Assim como em Dublin, Sligo tem um rio que divide a cidade. O grande e bonito rio Garavogue. Costumo dizer que o rio é meu quintal, já que se eu sair da porta de casa eu jé posso vê-lo e só preciso caminhar uns 20 metros pra chegar até ele. A parte do rio que fica perto de casa é uma parte mais calma, cheia de barquinhos e redes de pesca.

Barquinhos
Barquinhos

Ou seja, se tem barquinhos e redes, tem pescadores. Eu nunca os vejo porque nunca acordo cedo o suficiente pra vê-los começar o dia e volto tarde demais pra vê-los chegar da pescaria. De vez em quando até dá pra ver um outro atrasado ou organizando algo pro dia posterior, mas nada interativo if you know what I mean.

Recentemente comecei a reparar que sempre tem um, dois, três, quatro carros estacionados na beira do rio, ali perto de casa. Fui investigar o porque e tcharam! As pessoas vão até ali, no meu quintal, pra pescar! Os carros sempre estão equipados com varas de pesca, isopores gigantes e alguns dos pescadores aproveitam pra tirar uma soneca enquanto a varinha ta no rio.

Andando um pouquinho pela orla do rio, tem uma ponte, mas não é uma ponte qualquer. É uma ponte bizarra, que mais parece uma passarela. Ao invés de cruzar o rio na vertical, ela faz uma curva muito doida por cima dele. No fim, pra atravessar o rio, você andou “sobre as águas” um bom pedaço.

Ponte-passarela e meninos pescando
Ponte-passarela e meninos pescando

Ali também é um “point” de pesca para os “pescadores” menos profissionais. E muito comum ver jovens empunhando suas varinhas de pesca ali e tentando pescar o jantar alguma coisa.

A primeira vez que eu os vi pescando, pensei: “mas que diabos esse povo tá fazendo nesse frio na beira do rio?”, mas agora já acostumei e tenho achado interessante esse costume Sligueano de pescar no Garavogue.

Agora, no verão, a pescaria aumentou significativamente e tem dia que é quase impossível cruzar a ponte de tanta molecada pescando.

Nao, eu nao pesquei.
Nao, eu nao vou pescar.

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4 comentários sobre “Vamos pescar?

  1. Levei um susto ao descobrir que, depois de tanto tempo acompanhando o seu blog, estava lendo textos de um outro fruto da terra do sanduíche! Mesmo que era só ter lido a sessão “Myself” antes para descobrir…
    Abaraços e parabéns pelo blog!

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