Um dia na Suécia

Olhando na mapa, a Dinamarca parece uma Grécia invertida. Um pedacao de terra conecatado ao resto continente (fronteiro com a Alemanha) e um monte de ilhas, uma bem pertinho da outra. E é em uma dessas ilhas, que fica Copenhagen, capital do país.

A ilha onde fica Copenhagen fica bem perto do extremo sul da Suécia, onde fica a cidade de Malmo, terceira maior cidade do país. Como as duas cidades sao muito próximas e os dois países possuem relacoes ótimas (independente da UE), eles construíram uma ponte ligando Copenhagen á Malmo, trajeto que leva apenas 25 minutos de trem!

No 4o dia em Copenhagen, que por sorte estava super ensolarado (ainda frio da porra), resolvi, acompanhado de um grupo de 4 amigos indianos, pegar o trem e ir passar o dia na Suécia. Saímos de Copenhagen de manha e pegamos o trem, que saí do aeroporto, para a cidade de Malmo.

25 minutos depois, estávamos na Suécia! Malmo é uma cidade super charmosa, com cerca de 350 mil habitantes, mas com poucas atracoes turísticas. Passamos a manha toda lá, andando meio sem rumo e acabamos visitando o Castelo de Malmo, o famoso Torso (um prédio todo esquisito) e o Jardim Botanico, onde fica o Malmo Mill.

Almocamos em Malmo e seguimos viagemo rumo a Lund, uma cidadezinha de interior, que segundo os funcionários do hostel, é bem mais suéca do que Malmo. Ficamos impressionados com a beleza da cidadezinha, cheia de casinhas coloridas e ruas de paralelepípedo. É lá que fica uma das Casas do Rei, que mais parece uma igreja.

Lund

De lá seguimos até a cidade de Helsingborg, onde pegamos o barco pra voltar a Dinamarca. De Helsingborg dá pra ver perfeitamente a costa da Dinamarca, em Helsingor.

Suécia pra Dinamarca

A day-trip da Dinamarca pra Suécia é tao comum que eles criaram um ticket integrado só pra isso. O ticket de compramos, que nos custou 249 kr dava direito a fazer o trajeto saindo ou de Copenhagen de trem, ou de Helsingor de ferry e voltar pelo outro lado, fazendo uma volta completa, como no mapa abaixo.

Devido a quantidade de tempo que passamos indo de lugar a lugar, nosso dia na Suécia foi bem corrido. Foi super gostoso, estava ensolarado e super frio, mas foi corrido. Achei a Suécia ainda mais cara que a Dinamarca, coisa de centavos, mas mais cara.

De volta à terra dos Vikings: Copenhagen, Dinamarca

Viajar no feriado de Páscoa já virou tradição: em 2013 eu fui pra Belfast, em 2014 eu fiz um mochilão na costa oeste e norte da Irlanda, em 2015 eu viajei pra França, Holanda e Alemanha e em 2016, pra Praga.

Não podia deixar 2017 passar em branco e resolvi viajar também. A Ryanair ajudou e encontrei passagens pra Copenhagen, na Dinamarca, por um preço super camarada. Pesquisando sobre a cidade, vi que dava pra fazer um day-trip pra Malmo, na Suécia, e bati o marmelo! Dois países em uma viagem só, fechando o rolê Escandinávia/Terra dos Vikings.

To de costas pro sol, eu sei

Saí de Londres na sexta-feira santa e cheguei em Copenhagen por volta das 15h, de um dia nublado e bem feio. Copenhagen não é uma cidade gigante, então chegar no hostel foi super sussa. Como eu tinha 5 dias no total, resolvi sair sem rumo na sexta e sentir a cidade. Estava um frio do cacete, bem estranho pra meados de abril, mas tudo bem.

Voltei pro hostel por volta das 18h, jantei uma comida pronta de supermercado e aproveitei o happy hour do hostel (2 pelo preço de 1) pra fazer amigos. Sentar numa mesa com indianos, americanos, canadenses, australianos e espanhóis é uma das coisas que só um hostel te oferece, então tem que aproveitar (eu aproveitei todos os dias!)

Olha a pequena sereia aí, gente

No sábado, acordei cedo e a ideia era sair com a ‘lista’ de lugares pra ver nas mãos e ir ticando tudo, mas Thor não ajudou e o tempo estava feio, chovendo por bosta! Lá pelas 10h30, já entendiado até as tampas, resolvi ser corajoso e enfrentar a chuva, pelo menos até chegar nos museus. Enfrentei a chuva com sucesso e visitei o Museu Nacional da Dinamarca, que me custou 75kr (£9). Passei umas 3h lá dentro, porque o museu é muito interessante, especialmente o andar sobre os diferentes povos, culturas e religiões do mundo. É aquele choque de realidade de que o mundo não é apenas feitos de cristãos (sem contar que todas as outras religiões são bem mais bacanas).

De lá, ainda debaixo de chuva, segui até o Museu do Design, que é gratuito para estudantes. Se você não gosta de design, provavelmente você vai achar esse museu meio sem graça, mas se você curte, vai achar um prato cheio. Só acho que eles poderiam falar mais de outras áreas, não só design de cadeiras, marca registrada do design dinamarquês.

Museu do Design

Depois dos museus, a chuva já tinha passado e pude sair pra andar. Passeei pelo centro, conheci a Strøget Street, rua de comércio mais cumprida do mundo; visitei Nyhavn, o cartão postal de Copenhagen; visitei o Town Hall e a Dragon Fountain; e subi até o topo da Round Tower, onde pude ver Copenhagen do alto! Com algumas horas de luz do dia sobrando, fui bater a perna em direção à famosa estátua da Little Mermaid, que segundo fontes seguras (Wikipedia) é a segunda maior disappointing do mundo das estátuas. Ela é tão pitica!

Reservei domingo para o day-trip na Suécia, mas isso conto pro próximo post.

No 4o dia em Copenhagen, me rendi a outra tradição e fui visitar a cervejaria da Carlsberg! Assim como Guiness e Heineken, o tour é bem simples e mostra como a cerveja é criada e claro, dá direito a um pint no final! Passei a manhã lá, almocei e segui até a atração mais famosa de Copenhagen, o Tivoli Gardens.

O parque é tão incrível que inspirou ninguém menos que Walt Disney, em uma vista a Copenhagen, a crise algo parecido nos EUA, a Disneyland!

Um americano que estava no hostel, que também estava sozinho, quis me acompanhar e fomos os dois crianças grandes aproveitar o dia no parque de diversões. Não tinha filas e pude andar pelos menos 3 vezes em cada brinquedo, especialmente o The Dragon, uma montanha russa curtinha mas com dois super loops e o Vertigo, um kamikaze em formato de avião que vai tão rápido que é difícil respirar!

Passei a manhã do 5o e último dia, que estava super ensolarado, revisitando alguns pontos, como Strøget e Nyhavn, e andando pelo bairro de Christiania, que parece uma mini Amsterdam dentro de Copenhagen (com cheio de maconha e tudo!) Depois do almoço, peguei o trem pro aeroporto e o mais inesperado aconteceu, começou a nevar e foi assim, com pouquinho de neve, que me despedi da Dinamarca, esse país caro da porra, mas muito incrível.

Um mundo de oportunidades

Quase 9 meses se passaram desde que comecei a busca incessante de emprego em Cardiff e como até agora nao encontrei nada, fui obrigado a comecar a cogitar e explorar possíveis futuros pra mim, que infelizmente nao envolvem Cardiff.

O contrato da casa que moro no momento termina no dia 30 de junho desse ano, e a agencia está nos pressionando pra renovar o contrato para o próximo ano (1 julho 2017 / 30 junho 2018) desde novembro. Na minha cabeca, quando esse momento chegasse, eu já estaria trabalhando em Cardiff e nao teria problema em renovar o contrato. Aconteceu o contrário. Sem um emprego local, acho arriscado demais me comprometer a viver aqui até 2018 e decidi nao renovar.

Decidir nao assimar o contrato foi um decisao muito difícil, porque eu quero MUITO ficar em Cardiff. Sem contar que a casa que moro é boa demais pra perder, mas tive que ouvir a voz da razao e dizer nao. Com isso, um mundo de possibilidades se abriu. Livre do contrato, comecei a cogitar a possibilidade de procurar emprego em outras cidades do Reino Unido, da Europa e até mesmo voltar pra Dublin.

As aulas do meu mestrado terminam no final de maio, deixando os meses de junho, julho e agosto pra gente trabalhar apenas no projeto final, que nao exige presenca. Posso trabalhar nele de Cardiff ou da China, nao importa. Só preciso estar de volta em Cardiff no comeco de setembro, quando apresentaremos o resultado do projeto final em uma exibicao, que fecha o curso.

Com o fim das aulas, sem casa a partir do dia 30 de junho, e o fato de poder trabalhar no projeto final sem precisar estar em Cardiff, e claro, poder trabalhar remoto, resolvi fazer o que já deveria ter feito há tempos atrás…vou botar o pé na estrada!

Dia 30 de junho, é o meu último dia na minha casa em Cardiff, mas também é o primeiro dia da minha maior viagem da vida! Vou comecar por Faro, em Portugal, e passar pela Espanha e Franca, até chegar na Itália. A viagem termina em Roma, no dia 26 de agosto e como preciso estar em Cardiff nas duas primeiras semanas de setembro, vou ficar por aqui um pouquinho mais.

O que vai acontecer depois disso eu nao sei, mas estou ansioso pra descobrir!

Brexit: a contagem regressiva começou

Desde o dia 24 de junho de 2016, Brexit tem sido pauta diária na mídia britanica. Independente de que lado as pessoas estejam, Remainers ou Brexiteers, o assunto está em todos os lugares. Com a enchurrada de conteúdo sobre o Brexit, um assunto em particular tem tirado o sono de muita gente, o tal do Artigo 50, artigo que trata da saída de um país da União Européia.

Expliquei nesse post tudo sobre o Artigo 50, dá uma lida antes de continuar.

Pois bem, hoje, 29 de marco de 2017, a Primeira Ministra Theresa May, assinou a carta que oficialmente notifica a União Europeia da decisao do Reino Unido de deixar o bloco economico e que, oficialmente inicia o período de dois anos de negociacoes previsto no Artigo 50 da constituicao da UE.

Como o Artigo 50 preve dois anos de negociacoes, a saída oficial do Reino Unido da Uniao Européia será dia 29 de marco de 2019. Essa data pode ser alterada caso os 27 países remanescentes concordem, mas isso é muito improvável.

Nos próximos dois anos, o governo britanico vai brigar com a UE pra conseguir, nas palavras da PM, “o melhor acordo possível para todos os cidadaos do Reino Unido”.

Mas e ai, o que muda agora que o Artigo 50 foi gatilhado?

Teoricamente, nada. Todas as regras, leis e benefícios da UE continuam valendo no Reino Unido e vice-versa. Nenhum cidadão europeu será deportado e continua totalmente legal imigrar para o Reino Unido utilizando um passaporte europeu. A UE já informou que o ‘cut off date‘ pra acabar com a lei de movimento livre será o dia da saída, ou seja, 29 de marco de 2019. O Reino Unido pode querer mudar isso, mas só saberemos conforme as negociacoes caminharem.

Azul: UE / Cinza: AAE / Amarelo: nada

O divórcio entre o Reino Unido e a União Européia vai ser extremamente complicado, afinal sao 45 anos de casamentos e muita, mas muita coisa mesmo está em jogo. Porém, 3 coisas sao extremamente prioritárias nas negociacoes, para os dois lados.

1. Acesso ao single market
O Reino Unido quer sair da UE, mas quer continuar tendo acesso ao mercado livre europeu, que vale bilhoes e possui uma populacao de 500 milhoes de pessoas. Nas leis atuais, para ter acesso ao mercado livre, o país tem que aceitar o livre movimento também, assim como fazem Suica, Noruega e Islandia. O Reino Unido nao quer isso, mas quer acesso ao mercado livre, ou um novo acordo completamente novo, como o que foi feito com o Canadá.

2. Great Repeal Bill
Desde a entrada do Reino Unido na União, muitas leis válidas aqui foram na verdade desenhadas em Bruxelas. O Great Repeal Bill é a tarefa árdua de organisar todas essas leis e uma a uma, decidir o que fica e o que sai. O que fica, deverá ser ratificado como lei britanica, o que pode levar anos. Um dos problemas aqui é que as leis trabalhistas, por exemplo, sao UE e os trabalhadores podem, caso o governo queira, perder todos esses direitos.

3. Cidadãos UE no Reino Unido e vice-versa
Atualmente, existem 3 milhoes de cidadaos europeus no Reino Unido e 1,5 milhoes de britanicos vivendo no resto do continente. Ambos Reino Unido e UE querem que um acordo seja estabelecido logo no comeco, permitindo que todas as pessoas mantenham os seus direitos. Nao sabemos como isso vai acontecer, que tipo de sistema será colocado em prática, mas pelo menos podemos dormir tranquilos que nao iremos ser deportados e que nao perderemos nosso direito de trabalhar livremente.

Além disso, também existe o fator Irlanda do Norte x República da Irlanda e claro, a Indepedencia Escocesa, que assim como a Irlanda do Norte, votou pra ficar na União Européia.

Irlanda do Norte x República da Irlanda

Como voces sabem, a Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido, mas fica na mesma área que a República da Irlanda, que continuará sendo um membro da União Européia. Caso a saída do Reino Unido da UE seja uma saída ruim, a Irlanda do Norte estará numa situacao muito complicada, pois será a única área do Reino Unido com borda física com o UE. O que adianta abolir o movimento livre se as pessoas todam livremente chegar da Grécia na Irlanda e de lá, entrar no Reino Unido pela porta dos fundos?

O problema é tao sério que a União Européia já afirmou que, caso a Irlanda do Norte vote por reunificar-se com a República da Irlanda, ela passará automaticamente a ser um membro da UE de novo, já que se juntou a um, assim como aconteceu com as Duas Alemanhas na década de 90. O governo britanico também afirmou que, honrará o Good Friday Agreement de 1998, em que diz que caso a Irlanda do Norte vote por unificacao, o governo britanico nao irá vetar.

Ou seja, a unificacao irlandesa nunca esteve tao presente.

Independendia Escocesa

O resultado do referendo de junho mostrou claramente a divisao do Reino Unido: irlandeses e escoceses pensam mais parecido, enquanto galeses e ingleses sao mais parecidos. A Escócia votou ficar em todos os colégicos eleitorais e desde entao, tem pressionado a PM a tomar uma posicao em relacao a Escócia. A PM é punho de ferro e disse que a Escócia nao terá nenhum tratamento especial, pois o voto foi em nível Reino Unido e nao nacoes do Reino Unido. Essa resposta fez com que a PM da Escócia ressuscitasse um assunto que deveria ter morrido em 2014, a Independencia Escocesa.

Nicola Sturgeon, PM da Escócia, já consegui que Edimburgo votasse a favor do seu referendo e já está mexendo os pauzinhos pra ter um outro referendo de independencia pouco depois da data de saída da UE. O pedido ainda precisa ser ratificado pela PM do Reino Unido, Theresa May, mas já acenda uma esperanca na Escócia. Caso o voto seja sim, a Escócia terá que ir atrás de um novo acordo com a União Européia, embora ministros já tenham afirmado que a entrada será rápida e indolor, pois a Escócia já cumpre todas as exigencias pra ser um membro.

Futuro das Ilhas Britanicas

Um outro ponto interessante que surgiu hoje veio do Parlamento Europeu, que afirmou que independente do resultado das negociacoes, o Reino Unido terá tres anos pra adaptar-se a nova realidade. Tal afirmacao deu uma acalmada no medo de, da noite pro dia, ter que mudar tudo dentro de um país. O governo britanico havia pedido pelo menos 5 anos, mas de novo, isso pode mudar durante as negociacoes.

Particularmente, eu odeio Brexit. Acho o maior tiro no pé! Entendo que a Uniao Européia precisa mudar muito e que nao é perfeita, mas nao acredito que sair seja a saída. O que deixa a coisa menos feia é a possibilidade de ver uma Irlanda unida e uma Escócia independente.

Em busca do sucesso

Em setembro do ano passado, quando fiz aniversário de 1 ano em Cardiff, postei aqui no blog, e disse que eu estava procurando emprego e que sentia falta da vida de escritório. Pois bem, estamos no fim de fevereiro e a busca continua.

Já fiz uma porrada de entrevistas, cheguei até a dizer nao pra uma vaga que, mesmo sendo na área de design gráfico, nao era muito meu perfil e continuo na mesma, trabalhando remoto pra empresa da Irlanda. Que diga-se de passagem, é um emprego maravilhoso! Eu amo meu trabalho e amo a empresa pra qual trabalho. De verdade! Decidi correr atrás de outro porque depois de refletir bastante sobre o rumo que minha vida está tomando, quis retomar as rédeas.

E é nesse ponto que esse texto comeca a fazer sentido.

Desde que essa busca por emprego comecou, eu tenho me sentido um fracasso, um verdadeiro impostor! Foram tantos naos, tantas rejeicoes, tantos emails nao respondidos, que comecei a repensar a minha vida toda. Será que escolhi a profissao certa? Será que eu sou bom no que faco? Porque diabos estou fazendo um mestrado em uma área que tem tanta gente MUITO MELHOR do que eu? Será que já cheguei no ápice da minha carreira e daqui pra frente é só ladeira á baixo?

Além de todas essas questoes, estar de volta dentro de uma universidade é uma bencao e uma maldicao. Uma bencao porque estou aprendendo, estudando e me desenvolvendo mais, mas também é uma maldicao porque é impossível nao se comparar com a galera de 20/21 anos se formando, que já saem da faculdade melhor ou no mesmo nível que eu e vao concorrer ás mesmas vagas comigo.

Quando me mudei pra cá e encasquetei que queria um emprego, meu motivo era bem simples: sentia que minha carreira nao iria progredir mais na empresa que estou e que, se eu quisesse crescer, teria que mudar de ares. E continuo pensando assim.

Mas, e se a vida está me dizendo “nao, voce está errado! Fique onde voce está porque lá fora voce nao tem vez!”?

Conheco pessoas, mais novas e na mesma faixa etária que eu, que estao abrindo empresas, contratando pessoas e penso “eu nunca poderia ser um empresário”. Vejo pessoas sendo contratadas pra trabalhar em empresas grandes, estúdios importantes e penso “isso nunca vai acontecer comigo”. Vejo pessoas investindo na compra da primeira casa, casando, tendo filhos e penso “nao sei nem onde vou morar em 6 meses”.

Há uns dias atrás, em um dia particularmente forte no quesito WTF AM I DOING WITH MY LIFE?, comecei a conversar com um amigo e, gracas a algumas perguntas chave que ele fez, acabei citando algumas de minhas conquistas – que é por si só um feito, porque eu odeio falar de mim dessa maneira. Se tem uma coisa que eu nao quero me tornar nessa vida, é um cara cheio de si mesmo, “se achao” e na minha cabeca, ficar contando, mostrando, compartilhando trófeis e conquistas, é ser esse cara.

Porém, tempos difíceis requerem solucoes difíceis e pra acalmar minha alma, comecei a listar todas as coisas que conquistei até agora, uma a uma.

Ao terminar a lista, olhei pra minha vida e pra minha história com um olhar diferente. Talvez, algumas pessoas olhem pra mim do mesmo jeito que eu olho tantas outras. Afinal, a grama do vizinho é sempre mais verde.

Daqui pra frente, vou tentar me cobrar menos e relaxar mais. Continuarei procurando emprego, mas nao apenas em Cardiff. Continuarei fazendo o meu trabalho da melhor forma que posso. Vou aproveitar mais do fato de trabalhar remoto e viajar mais. Vou focar minhas energias na reta final do mestrado e o mais importante, vou me amar mais.

Chipre, a Ilha de Afrodite – parte II

Agora que voce já sabe onde o Chipre fica e aprendeu um pouquinho sobre a situacao política do país, vamos falar de atracoes turísticas e coisas pra ver e fazer? Vamos!

Nós chegamos em Paphos, cidade no oeste da ilha, por volta das 18h da tarde do sábado, mas até pegar o onibus do aeroporto (apenas €1.50) e chegar no hotel, já passava das 20h da noite. Tudo que a gente queria era comida, banho e cama.

Como eu tinha que trabalhar 4 horas por dia e o Chipre fica 2h á frente da Irlanda/Reino Unido, eu nao podia sair desbravando tudo de uma vez. Tinha que ver um pouquinho de manha, voltar pro hotel pra trabalhar, depois voltar a bater perna. Nesse esquema, domingo foi o único dia que passamos o dia todinho fora batendo perna e turistando.

Ficamos hospedados em um hotel resort, de frente pra praia, e cerca de 20 minutos de caminhada de duas das atracoes turísticas mais famosa de Paphos, o Castelo de Paphos e o Parque Arqueológico de Paphos. Levantamos cedo no domingo e fomos visitar o primeiro da lista, o castelo. Que nao é bem um castelo, mas sim um forte construído no século XVI e que nao é muito impressionante. Pagamos €2.50 pra entrar, admiramos a bela paisagem da praia lá do alto e tiramos algumas fotos.

Castelo de Paphos

Castelo de Paphos

Já o Parque Arqueológico, que custou apenas €4.50, é impressionante! Logo ao entrar, já me senti na Acrópolis, de Atenas. Isso porque o Parque Arqueológico tem a mesma “pegada” da Acrópolis, é uma área aberta grande e que preserva várias ruínas dos tempos gregos e romanos. É lá que ficam as impressionantes Casas de Dionísio e Aeon, que preservam mosaicos desenhados há mais de dois mil anos atrás. Pra quem ama mitologia, (como eu) é emocionante demais!

Casa de Dionísio - mosaíco antigo da porra

Casa de Dionísio – mosaíco antigo da porra

Outra coisa incrível foi o Saranta Kolones, ruínas de um castelo construído pelos Otomanos, logo no comeco do reinado sobre a ilha. Tudo que sobraram foram ruínas e um arco, que se parece muito com os arcos romanos de Rimini.

Saranta Kolones

Saranta Kolones

Com algumas horas sobrando no domingo, e com um clima super ensolarado, resolvemos enfrentar uma longa caminhada até as Tumbas dos Reis, uma outra área de ruínas, há cerca de 1 hora de caminhada do Parque Arqueológico. Chegamos lá quase no fim da tarde, o que fez a visita ser ainda mais especial, porque o sol estava mais baixo e iluminando tudo lindamente. Lá, nós aprendemos que nenhum rei foi enterrado nas tais Tumbas dos Reis, mas sim muitos lordes ricos e importantes, que gabavam-se realeza.

Tumbas dos Reis e eu!

Tumbas dos Reis e eu!

Voltamos pro hotel super cansados, já na hora do jantar, que de certa forma foi a única coisa ruim dessa viagem. Nao estou dizendo que a comida era ruim, porque nao era! A comida era ótima, porém britanica demais pro meu gosto. Nao tinha nada muito diferente e acabei passando 5 dias lá sem provar nada da culinária local, nem mesmo um queijinho Halloumi. Como estávamos pagando o sistema all inclusive, nao queríamos comer fora e abrimos mao das delícias locais.

Na segunda-feia, acordamos cedo de novo, tomamos um café-da-manha super reforcados e fomos conhecer o centro da cidade, que ficava há uns 40 minutos de caminhada do hotel. O centro nao tinha nada demais, centro de cidade comum, cheio de lojas e com muita coisa em reforma.

Como já tínhamos visitado as atracoes históricas de Paphos, aproveitamos a tarde de segunda, depois do trabalho, pra ficar andando pela costa mesmo. O mar do Chipre é lindo demais, uma água transparentíssima e que, mesmo no meio do inverno, estava numa temperatura agradável.

Praia de frente pro hotel

Praia de frente pro hotel

A manha de terca-feira foi, sem dúvida, o ponto alto da viagem ao Chipre! Levantamos super cedo, pegamos o primeiro onibus e fomos conhecer a famosa Rocha de Afrodite!

Na mitologia grega, Afrodite é a deusa do amor, da beleza e do sexo. Segundo a lenda, ela nasceu dos genitais de Urano, pai dos deuses, que foi castrado por Cronos, seu filho mais velho. Depois de castrá-lo, Cronos jogou as “partes” do pai no mar, que borbulharam ao entrar em contato com a água. Das bolhas, Afrodite emergiu.

Como Cronos era bem forte, as “partes” chegaram no Chipre e o primeiro pedaco de terra que a deusa do amor pisou, foi a ilha, mais precisamente, na costa oeste, perto de Paphos. Pra marcar presenca, ela deixou uma pedra enorme por lá. Desde entao, o Chipre é conhecido como a Ilha de Afrodite.

Rocha de Afrodite

Rocha de Afrodite

O resto da viagem foi bem simples: role na costa, cerveja na praia e coquetéis na piscina.

Chipre, a Ilha de Afrodite – parte I

Comecei a trabalhar remotely logo que me mudei pra Cardiff, em setembro de 2015, porém só fiz a minha primeira viagem com o laptop á tira colo em junho de 2016, quando fui pra Itália. O motivo de nao – literalmente – viver com o pé na estrada é um só: o mestrado.

Cerca de duas semanas atrás, fui convidado pelo meu amigo J. – que tinha uma semana de férias programada no trabalho e queria viajar – a ir viajar com ele. Aceitei o convite e, gracas a EasyJet Holidays, encontramos um deal ótimo pra ir pro Chipre. Por apenas £249 por pessoa, reservamos voos de ida e volta, estadia em hotel 3 estrelas e o melhor, no estilo all-inclusive! Se voce nunca ouviu falar do Chipre, ele é um país-ilha entre a Turquia e o Egito, bem no meio do Mar Mediterrâneo.

Chipre (Cyprus) - ponto vermelho

Chipre (Cyprus) – ponto vermelho

A ilha de Chipre, como todo país europeu, é riquíssima no quesito história. Devido a sua proximidade com a Grécia, o Chipre sempre esteve envolvido nos affairs do Império Grego – falam a mesma língua, possuem costumes parecidos e compartilham da mesma mitologia.

Depois dos Gregos, a ilha foi tomada pelos Romanos, que governaram por muitos séculos, até a chegada dos Otomanos (hoje Turquia), que governaram até 1878, quando a ilha passou a ser governada pelo Império Britanico, da qual tornou-se independente em 1960, criando a moderna República do Chipre.

Os anos de independencia nao duraram muito, nao. Em julho de 1974, a ilha foi invadida novamente, dessa vez pela Turquia. Os turcos invadiram a ilha pelo lado norte, parte mais próxima á Turquia, e devido ao exército fraco do Chipre e da Grécia, que veio socorrer a ilha-irma, eles lá permaneceram. Do dia pra noite, a ilha foi divida entre norte e sul, turca e grega, e assim ela está até hoje.

Em 2002, quando o Chipre comecou a negociar sua adesao a Uniao Européia, cogitou-se a hipótese de reunificar a ilha. O projeto conseguiu o apoio da ONU, dos governos grego e turco, e também dos Estados Unidos. Em 2004, quando a ilha enfim juntou-se a UE, o governo turco arreou e nao cedeu controle, deixando apenas a parte grega da ilha entrar na UE.

Hoje, a parte sul, ou a República do Chipre, faz parte da UE e usa o euro como moeda oficial, enquanto a parte norte, ou República Turca do Norte do Chipre, continua ligada á Turquia e usa a lira. A imagem abaixo mostra perfeitamente onde os territórios se dividem.

cyprus-divided

Pra compensar essa história turbulenta, a ilha do Chipre é um lugar incrível! Eu nao pude deixar de notar as semelhancas da ilha com coisas que vi na Grécia e em Malta, mas isso é devido ao fato deles todos serem geograficamente próximos.

Tá, e o que tudo isso tem a ver com a deusa Afrodite?

Diz a lenda que Afrodite nasceu na Ilha do Chipre, mas precisamente na cidade de Paphos (círculo vermelho no mapa acima), mas essa estória – e tudo que fiz por lá – fica pro próximo post.