Uma noite no deserto do Saara

Nunca, nem nos meus sonhos e devaneios mais non-sense, eu imaginei que um dia iria passar uma noite no deserto do Saara. Mas como a vida dá voltas, isso aconteceu e vou contar tudo pra voces nesse post.

Assim que reservei os voos pra Marrakech, a ideia de passar uma noite no deserto comecou a tomar corpo e comecei a pesquisar. Cheguei a hesitar na ideia, afinal, eu só tinha 4 dias e gastar 2 pra ir no deserto me parecia uma ideia meio maluca. No fim, me convenci e nao me arrependi nem um milésimo!

O deserto do Saara
Fica no norte da África e passa pelos territórios da Argélia, Chade, Egito, Líbia, Mali, Mauritânia, Marrocos, Níger, Saara Ocidental, Sudão e Tunísia. Para ter uma ideia de sua dimensão, o Brasil tem uma área em torno de 8.500.000 km² e o deserto 9.065.000 km².

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O tour
Existem vários tours diferentes saindo de Marrakech e indo para o deserto. Pra quem tem vários dias a disposicao, o melhor tour é o que vai para Mergouza, bem ‘dentro do Saara‘, quase na fronteira com a Algéria. Pra quem tem menos dias, como eu tinha, a melhor opcao é o tour pra Zagora, que fica no comecinho do Saara, em território marroquino. Pra nao ter problema nenhum, reservei o tour pela internet, com o GetYourGuide, parceiro do Booking e a companhia que nos levou foi a Ando Travel.

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O trajeto
Quando reservei o tour, pedi pra me buscarem no hostel (de graca) e o motorista do tour apareceu lá as 6:30 da manha em ponto. Do hostel, andamos pela medina até encontrar o restante do grupo e botamos o pé na estrada. Foram 7 longas horas de viagem, mas que valeu muito a pena pela paisagem. Eu nao fazia a menor ideia, mas o território do Marrocos nao é feito apenas de deserto ou áreas mais áridas. Tem canyons, tem floresta, tem rios e tem áreas muito verdes.

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Isso sem contar as inúmeras vilas no meio do caminho, que parecem terem parado no tempo. Vi gente carregando bode na mao e trocando por sacos de frutas! Quando chegamos na área onde, oficialmente, comeca o deserto, a van parou e montamos nos camelos – que sao enormes. Caminhamos com os camelos por cerca de 1h e finalmente, chegamos no acampamento.

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A experiência no deserto
Chegamos lá por volta das 18:00 e fomos direto para as acomodacoes. Tinham várias cabanas, com cama quentinha e tudo. O acampamento estava cheio de homens com vestes típicas (turbantes, roupas largas e etc) e eles nos recepcionaram com muita música, muita dancas e uma fogueira. Depois de muita música, jantamos uma comida típica – tajini com legumes e frango, e finalizamos com o melhor chá de menta que já tomei na vida.

Antes de irmos pra cama (sem tomar banho) saimos em direcao ao nada pra ver as estrelas e cara, nunca tinha visto um céu tao estrelado! Parecia que o céu estava muito perto de nós, como se desse pra tocar. Incrível!

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Acordamos antes do nascer-do-sol e fomos ver o sol nascer no topo de uma montanha. Tao lindo que nao dá pra explicar em palavras. Depois disso, tomamos um café da manha maravilhoso, andamos mais uma hora de camelo e seguimos de van, por mais 7 horas até Marrakech.

Gravei um vídeo pra voces.

A caótica Marrakech

Depois de quase quatro anos viajando apenas por países de cultura crista, branca e européia, decidi que a minha próxima viagem iria ser diferente e iria, de uma forma ou de outra, me oferecer um choque cultural. Minhas opcoes eram um pouco limitadas, pois ou eu voava de Ryanair ou voava de EasyJet, e tive que escolher entre Israel, Turquia, Marrocos e Egito.

O preco dos voos pra Marrakech, no Marrocos, estavam super em conta e sem pensar duas vezes, reservei as passagens e comecei a planejar a minha mini-trip de 4 dias pelo país. Se eu tivesse ficado apenas em Marrakech, 4 dias teriam sido mais do que suficientes, mas como eu fiz uma 2-day-trip pro deserto, achei que 4 dias foi um pouco apertado – 5 dias teria sido o ideal.

Saí de Bristol as 7h da manha de uma terca-feira chuvosa e muito fria e cheguei em Marrakech as 11h da manha de uma terca-feira quente e ensolarada.

Eu havia reservado um transfer do aeroporto até o hostel, mas a imigracao demorou tanto que saí do aeroporto 30 minutos depois do prazo máximo de espera do transfer e o cara já tinha ido embora. Joguei pra sorte e peguei o onibus (300DAH / €3) que sai do aeroporto e vai direto pra Medina, onde meu hostel ficava. Eu nao sabia o endereco do hostel de cabeca, mas sabia que era lá. O trajeto durou uns 25 minutos e já me mostrou bem o que esperar de Marrakech: caos.

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Imagine o transito de Sao Paulo, mas sem um minimo de organizacao. Motociclistas sem capacete, carros cortando us aos outros, caminhoes, carros, kombis e cavalos, tudo ao mesmo tempo.

Ao chegar na Medina, outro choque.

Muita, mas muita gente. Cavalos, burros, macacos, encantadores de cobras, muitos andarilhos, muita gente vendendo coisas, muita crianca correndo e pedindo dinheiro e muito, mas muito homem. Tipo, muito homem junto. As mulheres que vi, ou estavam cobertas, ou eram claramente turistas.

Procurei pelo hostel por mais de uma hora e o resultado foi desastroso, me perdi muitas vezes e por estar claramente perdido, os locais queriam me “ajudar”, mas cobrariam €5 por informacao. Alguns pediam €10! Cansado e com fome, já passava do meio-dia, resolvi sentar em um restaurante, comer e usar o WiFi. Depois do almoco, já com o trajeto até o hostel tracado pelo Google Maps, cheguei lá sao e salvo.

Passei o restante do meu primeiro dia me perdendo pela medina. Visitando casa lojinha de parafernalha, de velas, de couro legítimo, de pashmina, de vasos, de temperos. Marrakech é um turbilha de cheiros, cores e gostos.

Ao cair da noite a medina se transforma e dá lugar ao maior street food festival que eu já vi na vida. Sao muitas, mas muitas mesmo barracas de comida. Eles comecam a montar as barracas pouco antes do por-do-sol e ao anoitecer a loucura realmente comeca. Como todas as barrcas oferecem o mesmo menu: tajine, cous-cous e skewers, a competicao é muita mais acirrada. Andar por ali é um exercício de paciencia e controle, porque os vendedores vao te rodear até voce sentar na barraca deles.

Alguns sao simpáticos, outros já te mandar se fuder no primeiro nao.

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Eu, fraco de negócio, acabei sentando na segunda barraca e pagando 3x mais em um prato típico porque apenas concordei com o vendedor, que nao falava ingles e estava me vendendo tudo em frances, que eu nao entendo uma palavra. Mesmo pagando o triplo, saiu barato porque o cambio marroquino é bem fraco se comparado ao euro.

Perambulei mais pela medina durante a noite e voltei pro hostel por volta das 23h da noite, pois de manha a maior aventura comecava: viagem ao deserto do Saara! A viagem pro deserto merece um post só pra ela, entao vou continuar a relatar aqui o que aconteceu quando voltei de lá.

Chegamos de volta em Marrakech por volta das 19h da noite do terceiro dia. Ao chegar no hostel, fiz amizade com um grupo de irlandeses que haviam chegado de Dublin, uma garota espanhola, uma maltesa, dois canadenses e uma outra brasileira. Nos juntamos e fomos andar pela medina. Comemos em uma barraca, que dessa vez me custou 3x menos do que da primeira vez, entramos em um café/bar e curtimos a vista da medina até o fim da noite.

O último dia foi mais relaxado, fiz comprinhas pela manha, andei mais pela ruelinhas da medina e pouco antes do almoco, me despedi de Marrakech e peguei o onibus pro aeroporto.

Infelizmente eu nao tirei muitas fotos, pois foquei mais em gravar vídeos e assim que eu terminar de editar e subir no YouTube, voces vao poder ver e entender o que é Marrakech. No próximo post eu conto mais sobre o deserto.

30 países antes 30

Semanas atrás eu postei a minha lista de 30 antes dos 30 e o item 1 é conhecer 30 países. Mesmo tendo cada um desses países listados na aba Destinos do blog, teve gente que me perguntou quais países já conheci e quais sao os países que eu quero conhecer pra completar 30.

Foi entao que eu tive uma ideia, fazer uma timeline, ano a ano, com todos os países que conheci.

2012 – Brasil
2013 – Irlanda, Irlanda do Norte, Inglaterra, Escócia, País de Gales, Itália, Vaticano, Grécia e Malta
2014 – Bélgica, Noruega e Portugal
2015 – Espanha, Franca, Holanda, Alemanda, Estados Unidos e Húngria
2016 – Finlandia, República Tcheca, San Marino, Croácia e em novembro, Marrocos

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Até o momento, já visitei 24 países (contando com Marrocos, em novembro) ou seja, faltam apenas 6 pra completar 30.

Daí voce me pergunta, qual serao os outros 6 países? Bem, existem muitos países no mundo e eu quero conhecer todos, mas para os próximos anos vou focar em (tentar) conhecer: Dinamarca, Polonia e Islandia, aqui na Europa mesmo. Além desses, quero muito conhecer a Turquia, a Tailândia, a Australia, a Nova Zelandia e a nossa vizinha, a Argentina.

Claro que esses planos podem mudar e eu posso acabar conhecendo outros países (o que nao tem problema algum), mas enfim, quero chegar em 2019 com a timeline assim:

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Será que dá?

Parques Nacionais do País de Gales: Brecon Beacons

O Reino Unido é bem parecido com a Irlanda no quesito paisagens naturais, é bem verde, cheio de montanhas, vales, lagos e bosques. Como todo país desenvolvido, eles buscam proteger a sua vida selvagem natural e o fazem mantendo Parques Nacionais espalhados pelo país. No total, existem 15 Parques Nacionais no Reino Unido, a maioria na Inglaterra, alguns na Escócia e apenas 3 aqui no País de Gales.

Snowdonia, que fica no norte do país; Pembrokeshire, no sudoeste; e Brecon Beacons, aqui no sul.

Antes de me mudar pra Cardiff, eu já havia pesquisando bastante sobre os Parques Nacionais do País de Gales e coloquei na cabeca que queria conhece-los. Olhando no mapa, Brecon Beacons é bem próximo de Cardiff, mas impossível de chegar com transporte público – o mesmo vale para Pembrokeshire e Snowdonia.

Parques Nacionais em Gales

Parques Nacionais em Gales

Um ano depois, a oportunidade de conhecer Brecon Beacons surgiu!

Os pais de um amigo meu queriam subir a montanha Pen-Y-Fan, montanha mais alta do Brecon Beacons e ele me convidou pra ir junto. Saímos de Cardiff de manha, munidos de água e comida pra fazermos um picnic, e fomos até a base da montanha de carro.

Base da Pen-Y-Fan

O dia estava relativamente ensolarado á hora que chegamos, mas conforme fomos subindo a montanha, as nuvens foram abaixando e o vento ficava cada vez mais forte. Demoramos cerca de 1h20min pra subir até o topo, que em dias claros, oferece uma visao maravilhosa do sul de Gales. Infelizmente a gente nao conseguir ver tanto, mas o pouco que vimos foi incrível!

Durante todo o percurso eu sentia uma forte sensacao de deja-vu com tudo aquilo, afinal é tudo tao parecido com a Irlanda que meu cérebro achava que eu estava em Sligo, subindo a Knocknarea. Foi um experiencia muito legal and I can’t wait to go nos outros dois Parques Nacionais.

No topo da montanha

Eu e os migos no topo da montanha❤

1 ano em Cardiff

Se alguém tivesse me perguntado, há 3 ou 6 meses atrás, como eu imaginava a comemoracao do meu primeiro ano morando em Cardiff, eu provavelmente teria dito algo completamente diferente do que está acontencendo hoje.

No post de 9 meses, comentei que Cardiff enfim tornou-se my home e que eu consigo me ver morando aqui por um período maior do que os dois anos de mestrado. A única coisa que me assustava, back there, era a possibilidade do Brexit (que infelizmente aconteceu, mas que nao discutiremos nesse post).

Pois bem, hoje eu completo um ano morando em Cardiff, essa cidade que, nesse exato momento, eu amo e odeio.

A amo porque me sinto bem aqui, me sinto acolhido e sinto que posso escrever um futuro bem interessante aqui. Fiz grandes amigos, amo localizacao da minha casa, amo poder passear pelos jardins do castelo, amo o Bute Park, amo morar na esquina do Rio Taff, amo fazer tudo a pé ou de skate, amo a bahia da cidade, amo as Arcades. Enfim, sao muitas razoes que me fazem amar Cardiff e todo esse amor me fez tomar uma decisao que, sinto ser a cereja que está faltando nesse bolo.

Cardiff Bay <3

Cardiff Bay❤

Quero conseguir um emprego aqui.

Quando saí de Sligo, a ideia de me tornar um nomade digital/remote worker me parecia um sonho muito maravilhoso. Poder trabalhar e viajar ao mesmo tempo é realmente uma experiencia incrível, minha (maravilhosa, diga-se de passagem) estadia na Itália me provou isso…mas, infelizmente, eu nao me adaptei.

Por conta do mestrado, eu preciso estar em Cardiff por dois anos, o que me impede de sair viajando por aí com meu laptop e trabalhando com os pés enfiados na areia. Preciso trabalhar de casa, todos dias. No comeco foi legal, diferente, inovador…mas agora cansou. Nao aguento mais passar tanto tempo sozinho, quero me arrumar bonitinho pra ir pro trabalho, quero voltar a ter colegas de trabalho, quero falar mal do chefe com outras pessoas e coisas do tipo.

Sem contar que, na minha percepcao, só fazemos parte mesmo de uma sociedade quando interagimos com ela em todos os seus ambitos. E trabalhar de casa estava me deixando de fora do ambito trabalho. Por mais que Cardiff seja incrível e que eu sinto que aqui seja my home, sinto que está sempre faltando algo.

Cardiff City Hall

Cardiff City Hall

Pra resolver esse dilema, resolvi arregacar as mangas e procurar emprego. Atualizei o currículo, atualizei o portfolio e no comeco de julho, comecei a madar CV pra vagas que me interessavam. Já apliquei pra muitaaaaaaaaaas vagas e so far, fiz apenas 3 entrevistas, que nao rolaram, e recebi uns 2138918954954363 emails do tipo ‘sorry but your application has been unsuccessful‘.

Razao pela qual, nesse momento, odeio Cardiff a little bit.

Sei que é fase, sei que vai passar, sei que no final vai dar tudo certo…mas I can’t help thinking que Cardiff está me rejeitando, que Cardiff nao quer que eu fique aqui. Estou vivendo mais um amor nao correspondido e it sucks!

Espero que as águas mudam nas próximas semanas.

30 antes dos 30

Há 3 semanas atrás, completei 27 anos e logo após assobrar a velinha do bolo (que rolou lá em Rimini), me dei conta de uma coisa super importante: faltam apenas 3 anos para eu completar 30! A realizacao de tal fato me assustou, confesso, pois nunca pensei que faria 30 anos. 30 anos é, sei lá, idade de adulto e eu ainda nao sou 100% adulto…sou um quase-adulto.

Depois do choque, comecei a pensar na vida que tenho no momento e também na vida que quero ter, das coisas que quero ter conquistado e das sonhos que quero ter realizando quando o grande dia, 03 de julho de 2019, chegar.

O fruto dessa super reflexao é essa lista (que já vi em inúmeros blogs, inclusive no da Bárbara) com as 30 coisas que eu quero já ter feito ou estar fazendo antes dos meus 30 anos.

Obs: A ordem das metas é totalmente aleatória, ok?

1. Conhecer 30 países
Essa é praxe nas metas de 30 anos dos blogueiros de viagem e nao podia faltar na minha, né? Até o presente momento, já conheci 23 países, faltam apenas 7.

2. Morar sozinho
Faz 3 anos e meio que saí da casa da minha mae e estou dividindo casa com estranhos, já deu o que tinha que dar. Acho que morar sozinho nos 30 é a cereja do bolo da vida adulta e quero chegar lá.

3. Terminar o o mestrado com nota máxima
Essa é meio ‘cheat’, já que estou na metade do curso, mas nao quero apenas fazer um mestrado, quero tirar a nota máxima.

4. Ser professor
Mestrado finalizado, hora de fazer um PGC (teaching course) e realizar o sonho de ser professor. Pode ser até um instrutor técnico no comeco, nao ligo, desde que eu esteja ensinando.

5. Ter um bom emprego
Há uns meses atrás, completei 3 anos de Good4U, acho que está na hora de let it go e focar em outros projetos. Espero estar trabalhando com algo bacana quando eu tiver 30.

6. Adotar um cachorro
Se tudo der certo, o cachorro vai vir bem antes dos 30, mas vai vir.

7. Estar planejando a compra de uma casa
MEU DEUS ESTOU FALANDO EM COMPRAR CASA. Ufa, passou. Nao quero ter comprado um casa com 30, mas quero estar comecando a pensar nisso com mais carinho, coisa que eu ABSOLUTAMENTE nao penso agora, com 27.

8. Conhecer a Australia e a Nova Zelandia
Sempre sonhei em conhecer a Austrália e a Nova Zelandia, espero que os dois países estejam na minha lista de ’30 países antes dos 30′.

9. Ser fluente em italiano
Meu relacionamento com o italiano é bem sossegado e lento, já que a única razao que eu queira dominar o idioma é pessoal. Será que vou sair do B2 quando tiver nos 30?

10. Viajar a Europa com minha mae
Minha mae nunca saiu do Brasil e eu quero MUITO poder sair rodando o velho continente com ela, pelos menos uns 3 países pra ela ter o gostinho de botar o pé na estrada.

11. Aprender a dirigir na mao inglesa
O processo é bem simples, mas eu odeio dirigir e morro de medo de dirigir na mao inglesa. Espero que esse medo passe e que antes dos 30, eu esteja dirigindo (nem que seja carro alugado).

12. Estar namorando
Se eu estiver solteiro com 30, vou ficar solteiro pra sempre. Alguém me salva?

13. Poupar para o futuro
Eu já poupo, e poupo muito, todo mes. Porém, minha poupanca sempre tem um objetivo (viagem X, viagem Y, pagar mestrado), coisa que quero mudar antes dos 30. Quero estar poupando pro futuro mesmo, pro meu eu de 80 anos.

14. Morar em outro país
Com 30, eu espero estar comecando a pensar em settle down (item 7), mas eu nao quero isso antes de ter a oportunidade de morar em pelo menos outro país.

15. Bungee jumping
Porque eu acredito que toda pessoa que faz 30 e nunca fez bungee jumping é responsável pela morte de uma fadinha.

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16. Continuar comendo saudável
Atualmente, eu como bem saudável. Como my greens, minha proteína, meus bons carboidratos e etc. Comer bem é um hábito que eu nao quero perder e espero continuar na mesma vibe nos meus 30.

17. Estar na minha melhor forma
Esse monte de suor que eu derramo na CrossFit e a quantidade de comida saudável que eu como vai dar resultado em algum momento e eu quero manter ao longos dos 30, 40, 50 e tarárá.

18. Ir em mais shows
Eu amo viajar e viajar sempre vai ser prioridade, mas eu também amo músicas e espero que até os 30 eu consiga mais dinheiro para ver meus artistas favoritos.

19. Ter mais tatuagens
Se depender de mim, vou chegar nos 30 com pelo menos umas 5 tatuagens novas.

20. Conhecer um país sul-americano
Eu pago o maior mico do mundo quando digo pra galera aqui que eu nao conheco nenhum dos nossos vizinhos na América do Sul. Espero que, antes dos 30, eu tenha conseguido visitar pelo menos um na minha visita anual ao Brasil.

21. Conhecer mais um estado brasileiro
Conheco apenas 4 estados brasileiros (Sao Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Bahia) e acho que já passou da hora de mudar isso. Quem sabe na próxima visita ao Brasil eu consiga visitar mais um e já posso tick it off da lista.

22. Usar roupas mais adultas
Let’s face it, eu me visto como um adolescente. Estampas coloridas, patterns, Vanz, bonés…nao que eu queira mudar, mas espero ter pelo menos um bom balanco entre esses itens e camisas sóbrias, sapatos, calcas sóbrias e quem sabe, um terno!

23. Continuar blogando
Isso depende de voces também, voces querem continuar me lendo em 2019?

24. Fazer check-up no médico
Odeio ir ao médico, seringas, exames e hospitais, devido a esse medo faz 6 anos que nao faco um exame de check-up. No momento, na flor dos meus 27 anos, se voce tocar no assunto eu fico nervoso e saio do ambiente. Espero ter superado tal medo antes de chegar nos 30 e espero chegar lá saudável como um touro. Ou nao, porque vai que descubro que tenho um cancer terminal e nem nos 30 eu chego. Meu lema é “if I don’t know of it, it can’t hurt me“.

25. Pintar o cabelo de azul
Sempre quis pintar o cabelo e nunca tive coragem e nao acho que depois dos 30 eu vou arriscar. É antes, ou nunca.

26. Conhecer um país africano
Item totalmente conectado com o item 1. Se tudo der certo, Marrocos pode virar realidade muito em breve.

27. Cuidar de animais selvagens
Cuidar de leoes na África do Sul? Dar banho em elefantes na Thailandia?

28. Visitar o litoral com minha família
Pra muita gente, ir `a praia com a família é a coisa mais básica do mundo, mas pra minha família isso nunca foi realidade. Espero ter mudado isso antes dos 30.

29. Conhecer o Harry Potter World em Orlando
Me julguem, mas PRECISO conhecer.

30. Participar de uma competiticao esportiva
Eu nunca fui bom em esportes, logo nunca participei de nenhum tipo de competicao ou compeonato esportivo. Nao acho que eu vá ficar bom em nenhum esporte antes dos 30, mas o esporte que pratico, o CrossFit, tem um campeonato anual chamado OPEN, que é aberto a todos os níveis. Esse ano eu amarelei e nao entrei, mas vou participar ano que vem e quem sabe, todos os anos até os 30.

Questões de cor e raça

Há um tempo atrás a Bárbara postou um texto maravilhoso refletindo sobre os conceitos por trás das palavras expatriado e imigrante. Palavras essas que no dicionário possuem exatamente o mesmo significado (pessoa morando fora do país de origem), mas que na prática apenas contribuem para a segregação racial.

Te aconselho muito a ler o texto dela antes de prosseguir com esse, estarei aqui quando voce voltar.

Antes de sair do Brasil eu nunca tinha experimentado nenhum tipo de discrimação racial. Sempre me considerei branco, minha certidão de nascimento diz que sou branco, venho de uma família branca, tenho antepassados italianos brancos e nunca ninguém questionou esse rótulo.

Daí eu vim pra Europa e assim, logo no primeiro dia, meu rótulo branco me foi arrancado e substituído pelo rótulo de latino. Latino, esse adjetivo que para muitos brasileiros médios, apenas não se aplica. Não falamos espanhol, não dançamos tango, não somos latinos.

Mas ué, nao pode ser latino e ser branco?

Pode, se voce ser loiro/ruivo dos olhos azuis/verdes. Qualquer outra tonalidade de pele e cor de olhos, se vindos da América Latina, é latino. Já encontrei italianos, espanhóis e portugueses considerados brancos com a mesma tonalidade de pele e mesma cor de olhos que os meus, mas eu nao sou.

Latin-America

No começo, assustou. Mas foi bom, pois foi esse choque que me abriu os olhos pra exergar o que acontece ao meu redor. De maioria branca no meu país, eu passei a fazer parte da minoria imigrante e de cor em outro. Isso mudou a minha percepção de mundo e de raças, me fez entender melhor o que são privilégios e, me fez entender igualdade de genero.

Alguns dizem que isso acontece porque o espectro da cor branca no Brasil é bem maior do que o Europeu e o Norte Americano, devido ao nosso clima, mas no fundo isso é apenas um jeito do brasileiro se agarrar ao máximo na ideia de ser branco. De ser europeu. De ser melhor.

Pouco mais de 3 anos morando fora me ensinaram muito e hoje, afirmo com todo o orgulho do mundo que sim, sou imigrante e antes de ser brasileiro, sou latino. Porque se a gente nao se unir e nao tomar posse e controle de quem somos, ninguém vai fazer por nós.