Brexit: o futuro dos 3 milhões de cidadãos europeus no Reino Unido

Semana passada, Theresa May anunciou a oferta oficial resolvendo o ‘problema’ dos cidadãos europeus morando no Reino Unido. A PM declarou que, todos os 3 milhões de cidadãos europeus morando no Reino Unido vao poder ficar e manter os direitos que atualmente possuem, ou seja, poderao continuar trabalhando, vivendo e estudando no país sem precisar de visto.

A proposta divide os cidadaos UE em 3 categorias:

I) Aqueles que já estejam no Reino Unido por 5 anos ou mais: serao automaticamente reconhecidos como ‘settled’, um status que os iguala a cidadaos britanicos.

II) Aqueles que estao aqui por menos de 5 anos: continuarao usufruindo dos direitos atuais e assim que completarem 5 anos, poderao pedir o status de ‘settled’ também.

III) Aqueles entrando no país depois da data de saída: serao oferecidas um ‘grace period’ de 2 anos, ao fim do prazo, caso nao tenham um visto de trabalho, terao que se retirar.

O ‘setted’ status atualmente existe no Reino Unido e é como um Green Card americano, permite todos os direitos de um cidadao, mas nao se iguala a cidadania. Caso cidadania seja requerida, o processo é completamente diferente.

Porém, na proposta desenhada pela PM, os cidadaos europeus vao passar a ser administrados pelo Governo Local, nao mais pelo Governo Europeu e a Uniao Européia nao gostou muito.

Atualmente, segundo leis europeias, cidadaos europeus morando fora do seu país de origem sao administrados pelo Governo Europeu e nao Governo Local. Por exemplo, um britanico morando no Reino Unido é administrado pelo Governo Local, enquanto um espanhol é administrado pelo Governo Europeu. Britanicos morando no restando da UE, sao administrados pelo Governo Europeu, e assim vai.

Resumindo, quando no país de origem, administrado pelo Governo Local, quando no restante do bloco, administrado pelo Governo Europeu.

Pois bem, segundo o Governo Local do Reino Unido, um cidadao britanico casado com um nao-UE/UK, nao pode trazer o conjuge pro país se nao ganhar um ganhia X de dinheiro por ano, o que nao acontece com cidadaos europeus. Se eu, Ricardo, casar com alguém fora do bloco UE/UK, eu posso traze-lo pra cá sem problema, enquanto meus amigos britanicos, caso facam o mesmo, nao podem se nao ganharem X.

Outro ponto controverso na proposta do Reino Unido é que, depois de oferecido o status de ‘settled’, se o cidadao resolver sair do Reino Unido por um certo período de tempo (o governo ainda nao informou quanto tempo), esse status pode ser revogado, tornando os cidadaos europeus um espécie de reféms.

Eu, por exemplo, caso fique aqui por 5 anos ou mais, me torne ‘settled’, resolva me mudar pra Alemanha á trabalho e ficar lá por, vamos dizer, 2 anos, posso nao ser permitido a voltar pro Reino Unido. Coisa que hoje, eu posso fazer.

A Uniao Européia disse que a proposta foi um bom comeco para as negociacoes, mas que nao é boa o suficiente pois retira direitos que os cidadaos europeus atualmente possuem. O governo do Reino Unido disse que a proposta está feita e nao será revogada, mas pode ser negociada.

Pessoalmente, nao muda muito pra mim, pois nao tenho planos de morar aqui pra sempre e por ser um profissional qualificado, meu salário base é maior do que o pedido pelo Governo Local pra trazer um conjuge, se eu casar um dia. Porém, nao acredito que retirar direitos seja o melhor jeito de comecar uma negociacao desse porte, sem contar que isso afeta diretamente as pessoas que ganham o mínimo de £7.50, ou seja, a proposta prejudica o pobre.

Fim do segundo ano de mestrado

Estava olhando no ‘baú’ do blog e notei que postei muito pouco a respeito do mestrado por aqui. Escrevi uns tres posts sobre o assunto e nada mais. Dito isso, venho aqui me redimir e falar um pouco mais sobre o curso, sobre as minhas expectativas, sobre o que aprendi e principalmente, se indico o curso.

Pra quem está chegando agora, eu moro em Cardiff, no País de Gales, onde estou fazendo Mestrado em Com. Gráfica (MA in Graphic Communication) na University of South Wales. Comecei o curso em setembro de 2015 e, por estar cursando part-time, vou acabar em setembro de 2017.

O curso é dividido em 3 partes:

Parte I – 60 créditos de aula e projetos (setembro de 2015 / maio de 2016)
Cheguei a escrever dois posts no blog sobre essa primeira parte, aqui e aqui, onde contei um pouquinho sobre o curso e sobre os trabalhos que fiz.

Parte II – 60 créditos de aula e projetos (setembro de 2016 / maio de 2017)
A segunda parte do curso acabou semana passada, quando entreguei e apresentei o último projeto do curso.

Parte III – 60 créditos de trabalho final (junho a setembro de 2017)
Nao temos dissertacao pra escrever, mas sim um projeto final, chamado de Major Project. O tema do major é pessoal, ou seja, eu tenho que escolher um tema que me interesse e explorar esse tema visualmente. Pode ser qualquer coisa, contando que o resultado final seja visual e que eu tenha material suficiente pra explorar 60 créditos, claro.

Ao invés de banca de defesa, nós organisamos uma exposicao, onde os resultados finais sao apresentados a um grupo de ‘jurados’ da indústria. No momento que esse post foi escrito, eu nao faco a menor ideia do meu tema (prometo escrever um post sobre o major quando ele acabar).

Como nao preciso ir na universidade enquanto trabalho no meu major, resolvi repetir a aventura do ano passado e vou viajar. Trabalhar remoto me permite essa regalia e vou aproveitar, mas esse post nao é sobre isso. Se voce quiser saber pra onde eu vou, clique aqui.

Agora que já expliquei como o curso funciona e em qual etapa dele estou, hora de falar do curso em si.

Se comparado com minhas expectativas antes de comecar o mestrado, achei o curso fraco. Tive pouquíssimas aulas e dessas, menos ainda me foram de fato úteis e me ensinaram alguma coisa. Talvez pelo fato de o curso ter sido ‘desenhado’ pensando nos formandos da própria universidade, que diga-se de passagem, nao fazem o mestrado lá, ou pelo fato de termos um misto muito grande de recém-formados e pessoas com experiencia, o curso acabou deixando a desejar.

Expectativas de lado, aproveitei ao máximo e acredito que eu tenha evoluído e aprendido bastante, principalmente em relacao a técnicas de pesquisa, criacao e desenvolvimento. Sou formado em Publicidade e durante a graduacao, vi muito pouco de pesquisa aplicada a criacao e técnicas de criacao e desenvolvimento, enquanto no mestrado, tais técnicas estavam presentes em cada aula e cada projeto.

No total, o mestrado tem 7 módulos: tres na parte I, tres na parte II e um na parte II. Cada módulo explorou uma certa área do design gráfico (branding, editorial, web, motion graphics, prática profissional e estudo independente) e o conjunto de técnicas aplicadas a cada módulo.

Outro ponto interessante foi que durante o percurso do mestrado, fui ‘forcado’ pelo corpo docente a explorar mais as minhas solucoes e nao me fechar na primeira que encontrei. Também aprendi a vender o meu peixe com embasamento técnico, criativo e de pesquisa, pois cada projeto requeriu uma apresentacao diante de toda a classe, onde éramos bombardeados com perguntas e críticas.

Olhando pra trás, acredito que cresci muito, mas se eu soubesse que o curso seria do jeito que foi, talvez eu teria escolhido um curso um pouco mais academico, como o curso em Portugal, que eu rejeitei porque acreditei que o curso no Reino Unido seria melhor.

Anyway…

…at the end of the day, a British degree is a British degree.

Um dia na Suécia

Olhando na mapa, a Dinamarca parece uma Grécia invertida. Um pedacao de terra conecatado ao resto continente (fronteiro com a Alemanha) e um monte de ilhas, uma bem pertinho da outra. E é em uma dessas ilhas, que fica Copenhagen, capital do país.

A ilha onde fica Copenhagen fica bem perto do extremo sul da Suécia, onde fica a cidade de Malmo, terceira maior cidade do país. Como as duas cidades sao muito próximas e os dois países possuem relacoes ótimas (independente da UE), eles construíram uma ponte ligando Copenhagen á Malmo, trajeto que leva apenas 25 minutos de trem!

No 4o dia em Copenhagen, que por sorte estava super ensolarado (ainda frio da porra), resolvi, acompanhado de um grupo de 4 amigos indianos, pegar o trem e ir passar o dia na Suécia. Saímos de Copenhagen de manha e pegamos o trem, que saí do aeroporto, para a cidade de Malmo.

25 minutos depois, estávamos na Suécia! Malmo é uma cidade super charmosa, com cerca de 350 mil habitantes, mas com poucas atracoes turísticas. Passamos a manha toda lá, andando meio sem rumo e acabamos visitando o Castelo de Malmo, o famoso Torso (um prédio todo esquisito) e o Jardim Botanico, onde fica o Malmo Mill.

Almocamos em Malmo e seguimos viagemo rumo a Lund, uma cidadezinha de interior, que segundo os funcionários do hostel, é bem mais suéca do que Malmo. Ficamos impressionados com a beleza da cidadezinha, cheia de casinhas coloridas e ruas de paralelepípedo. É lá que fica uma das Casas do Rei, que mais parece uma igreja.

Lund

De lá seguimos até a cidade de Helsingborg, onde pegamos o barco pra voltar a Dinamarca. De Helsingborg dá pra ver perfeitamente a costa da Dinamarca, em Helsingor.

Suécia pra Dinamarca

A day-trip da Dinamarca pra Suécia é tao comum que eles criaram um ticket integrado só pra isso. O ticket de compramos, que nos custou 249 kr dava direito a fazer o trajeto saindo ou de Copenhagen de trem, ou de Helsingor de ferry e voltar pelo outro lado, fazendo uma volta completa, como no mapa abaixo.

Devido a quantidade de tempo que passamos indo de lugar a lugar, nosso dia na Suécia foi bem corrido. Foi super gostoso, estava ensolarado e super frio, mas foi corrido. Achei a Suécia ainda mais cara que a Dinamarca, coisa de centavos, mas mais cara.

De volta à terra dos Vikings: Copenhagen, Dinamarca

Viajar no feriado de Páscoa já virou tradição: em 2013 eu fui pra Belfast, em 2014 eu fiz um mochilão na costa oeste e norte da Irlanda, em 2015 eu viajei pra França, Holanda e Alemanha e em 2016, pra Praga.

Não podia deixar 2017 passar em branco e resolvi viajar também. A Ryanair ajudou e encontrei passagens pra Copenhagen, na Dinamarca, por um preço super camarada. Pesquisando sobre a cidade, vi que dava pra fazer um day-trip pra Malmo, na Suécia, e bati o marmelo! Dois países em uma viagem só, fechando o rolê Escandinávia/Terra dos Vikings.

To de costas pro sol, eu sei

Saí de Londres na sexta-feira santa e cheguei em Copenhagen por volta das 15h, de um dia nublado e bem feio. Copenhagen não é uma cidade gigante, então chegar no hostel foi super sussa. Como eu tinha 5 dias no total, resolvi sair sem rumo na sexta e sentir a cidade. Estava um frio do cacete, bem estranho pra meados de abril, mas tudo bem.

Voltei pro hostel por volta das 18h, jantei uma comida pronta de supermercado e aproveitei o happy hour do hostel (2 pelo preço de 1) pra fazer amigos. Sentar numa mesa com indianos, americanos, canadenses, australianos e espanhóis é uma das coisas que só um hostel te oferece, então tem que aproveitar (eu aproveitei todos os dias!)

Olha a pequena sereia aí, gente

No sábado, acordei cedo e a ideia era sair com a ‘lista’ de lugares pra ver nas mãos e ir ticando tudo, mas Thor não ajudou e o tempo estava feio, chovendo por bosta! Lá pelas 10h30, já entendiado até as tampas, resolvi ser corajoso e enfrentar a chuva, pelo menos até chegar nos museus. Enfrentei a chuva com sucesso e visitei o Museu Nacional da Dinamarca, que me custou 75kr (£9). Passei umas 3h lá dentro, porque o museu é muito interessante, especialmente o andar sobre os diferentes povos, culturas e religiões do mundo. É aquele choque de realidade de que o mundo não é apenas feitos de cristãos (sem contar que todas as outras religiões são bem mais bacanas).

De lá, ainda debaixo de chuva, segui até o Museu do Design, que é gratuito para estudantes. Se você não gosta de design, provavelmente você vai achar esse museu meio sem graça, mas se você curte, vai achar um prato cheio. Só acho que eles poderiam falar mais de outras áreas, não só design de cadeiras, marca registrada do design dinamarquês.

Museu do Design

Depois dos museus, a chuva já tinha passado e pude sair pra andar. Passeei pelo centro, conheci a Strøget Street, rua de comércio mais cumprida do mundo; visitei Nyhavn, o cartão postal de Copenhagen; visitei o Town Hall e a Dragon Fountain; e subi até o topo da Round Tower, onde pude ver Copenhagen do alto! Com algumas horas de luz do dia sobrando, fui bater a perna em direção à famosa estátua da Little Mermaid, que segundo fontes seguras (Wikipedia) é a segunda maior disappointing do mundo das estátuas. Ela é tão pitica!

Reservei domingo para o day-trip na Suécia, mas isso conto pro próximo post.

No 4o dia em Copenhagen, me rendi a outra tradição e fui visitar a cervejaria da Carlsberg! Assim como Guiness e Heineken, o tour é bem simples e mostra como a cerveja é criada e claro, dá direito a um pint no final! Passei a manhã lá, almocei e segui até a atração mais famosa de Copenhagen, o Tivoli Gardens.

O parque é tão incrível que inspirou ninguém menos que Walt Disney, em uma vista a Copenhagen, a crise algo parecido nos EUA, a Disneyland!

Um americano que estava no hostel, que também estava sozinho, quis me acompanhar e fomos os dois crianças grandes aproveitar o dia no parque de diversões. Não tinha filas e pude andar pelos menos 3 vezes em cada brinquedo, especialmente o The Dragon, uma montanha russa curtinha mas com dois super loops e o Vertigo, um kamikaze em formato de avião que vai tão rápido que é difícil respirar!

Passei a manhã do 5o e último dia, que estava super ensolarado, revisitando alguns pontos, como Strøget e Nyhavn, e andando pelo bairro de Christiania, que parece uma mini Amsterdam dentro de Copenhagen (com cheio de maconha e tudo!) Depois do almoço, peguei o trem pro aeroporto e o mais inesperado aconteceu, começou a nevar e foi assim, com pouquinho de neve, que me despedi da Dinamarca, esse país caro da porra, mas muito incrível.

Um mundo de oportunidades

Quase 9 meses se passaram desde que comecei a busca incessante de emprego em Cardiff e como até agora nao encontrei nada, fui obrigado a comecar a cogitar e explorar possíveis futuros pra mim, que infelizmente nao envolvem Cardiff.

O contrato da casa que moro no momento termina no dia 30 de junho desse ano, e a agencia está nos pressionando pra renovar o contrato para o próximo ano (1 julho 2017 / 30 junho 2018) desde novembro. Na minha cabeca, quando esse momento chegasse, eu já estaria trabalhando em Cardiff e nao teria problema em renovar o contrato. Aconteceu o contrário. Sem um emprego local, acho arriscado demais me comprometer a viver aqui até 2018 e decidi nao renovar.

Decidir nao assimar o contrato foi um decisao muito difícil, porque eu quero MUITO ficar em Cardiff. Sem contar que a casa que moro é boa demais pra perder, mas tive que ouvir a voz da razao e dizer nao. Com isso, um mundo de possibilidades se abriu. Livre do contrato, comecei a cogitar a possibilidade de procurar emprego em outras cidades do Reino Unido, da Europa e até mesmo voltar pra Dublin.

As aulas do meu mestrado terminam no final de maio, deixando os meses de junho, julho e agosto pra gente trabalhar apenas no projeto final, que nao exige presenca. Posso trabalhar nele de Cardiff ou da China, nao importa. Só preciso estar de volta em Cardiff no comeco de setembro, quando apresentaremos o resultado do projeto final em uma exibicao, que fecha o curso.

Com o fim das aulas, sem casa a partir do dia 30 de junho, e o fato de poder trabalhar no projeto final sem precisar estar em Cardiff, e claro, poder trabalhar remoto, resolvi fazer o que já deveria ter feito há tempos atrás…vou botar o pé na estrada!

Dia 30 de junho, é o meu último dia na minha casa em Cardiff, mas também é o primeiro dia da minha maior viagem da vida! Vou comecar por Faro, em Portugal, e passar pela Espanha e Franca, até chegar na Itália. A viagem termina em Roma, no dia 26 de agosto e como preciso estar em Cardiff nas duas primeiras semanas de setembro, vou ficar por aqui um pouquinho mais.

O que vai acontecer depois disso eu nao sei, mas estou ansioso pra descobrir!

Brexit: a contagem regressiva começou

Desde o dia 24 de junho de 2016, Brexit tem sido pauta diária na mídia britanica. Independente de que lado as pessoas estejam, Remainers ou Brexiteers, o assunto está em todos os lugares. Com a enchurrada de conteúdo sobre o Brexit, um assunto em particular tem tirado o sono de muita gente, o tal do Artigo 50, artigo que trata da saída de um país da União Européia.

Expliquei nesse post tudo sobre o Artigo 50, dá uma lida antes de continuar.

Pois bem, hoje, 29 de marco de 2017, a Primeira Ministra Theresa May, assinou a carta que oficialmente notifica a União Europeia da decisao do Reino Unido de deixar o bloco economico e que, oficialmente inicia o período de dois anos de negociacoes previsto no Artigo 50 da constituicao da UE.

Como o Artigo 50 preve dois anos de negociacoes, a saída oficial do Reino Unido da Uniao Européia será dia 29 de marco de 2019. Essa data pode ser alterada caso os 27 países remanescentes concordem, mas isso é muito improvável.

Nos próximos dois anos, o governo britanico vai brigar com a UE pra conseguir, nas palavras da PM, “o melhor acordo possível para todos os cidadaos do Reino Unido”.

Mas e ai, o que muda agora que o Artigo 50 foi gatilhado?

Teoricamente, nada. Todas as regras, leis e benefícios da UE continuam valendo no Reino Unido e vice-versa. Nenhum cidadão europeu será deportado e continua totalmente legal imigrar para o Reino Unido utilizando um passaporte europeu. A UE já informou que o ‘cut off date‘ pra acabar com a lei de movimento livre será o dia da saída, ou seja, 29 de marco de 2019. O Reino Unido pode querer mudar isso, mas só saberemos conforme as negociacoes caminharem.

Azul: UE / Cinza: AAE / Amarelo: nada

O divórcio entre o Reino Unido e a União Européia vai ser extremamente complicado, afinal sao 45 anos de casamentos e muita, mas muita coisa mesmo está em jogo. Porém, 3 coisas sao extremamente prioritárias nas negociacoes, para os dois lados.

1. Acesso ao single market
O Reino Unido quer sair da UE, mas quer continuar tendo acesso ao mercado livre europeu, que vale bilhoes e possui uma populacao de 500 milhoes de pessoas. Nas leis atuais, para ter acesso ao mercado livre, o país tem que aceitar o livre movimento também, assim como fazem Suica, Noruega e Islandia. O Reino Unido nao quer isso, mas quer acesso ao mercado livre, ou um novo acordo completamente novo, como o que foi feito com o Canadá.

2. Great Repeal Bill
Desde a entrada do Reino Unido na União, muitas leis válidas aqui foram na verdade desenhadas em Bruxelas. O Great Repeal Bill é a tarefa árdua de organisar todas essas leis e uma a uma, decidir o que fica e o que sai. O que fica, deverá ser ratificado como lei britanica, o que pode levar anos. Um dos problemas aqui é que as leis trabalhistas, por exemplo, sao UE e os trabalhadores podem, caso o governo queira, perder todos esses direitos.

3. Cidadãos UE no Reino Unido e vice-versa
Atualmente, existem 3 milhoes de cidadaos europeus no Reino Unido e 1,5 milhoes de britanicos vivendo no resto do continente. Ambos Reino Unido e UE querem que um acordo seja estabelecido logo no comeco, permitindo que todas as pessoas mantenham os seus direitos. Nao sabemos como isso vai acontecer, que tipo de sistema será colocado em prática, mas pelo menos podemos dormir tranquilos que nao iremos ser deportados e que nao perderemos nosso direito de trabalhar livremente.

Além disso, também existe o fator Irlanda do Norte x República da Irlanda e claro, a Indepedencia Escocesa, que assim como a Irlanda do Norte, votou pra ficar na União Européia.

Irlanda do Norte x República da Irlanda

Como voces sabem, a Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido, mas fica na mesma área que a República da Irlanda, que continuará sendo um membro da União Européia. Caso a saída do Reino Unido da UE seja uma saída ruim, a Irlanda do Norte estará numa situacao muito complicada, pois será a única área do Reino Unido com borda física com o UE. O que adianta abolir o movimento livre se as pessoas todam livremente chegar da Grécia na Irlanda e de lá, entrar no Reino Unido pela porta dos fundos?

O problema é tao sério que a União Européia já afirmou que, caso a Irlanda do Norte vote por reunificar-se com a República da Irlanda, ela passará automaticamente a ser um membro da UE de novo, já que se juntou a um, assim como aconteceu com as Duas Alemanhas na década de 90. O governo britanico também afirmou que, honrará o Good Friday Agreement de 1998, em que diz que caso a Irlanda do Norte vote por unificacao, o governo britanico nao irá vetar.

Ou seja, a unificacao irlandesa nunca esteve tao presente.

Independendia Escocesa

O resultado do referendo de junho mostrou claramente a divisao do Reino Unido: irlandeses e escoceses pensam mais parecido, enquanto galeses e ingleses sao mais parecidos. A Escócia votou ficar em todos os colégicos eleitorais e desde entao, tem pressionado a PM a tomar uma posicao em relacao a Escócia. A PM é punho de ferro e disse que a Escócia nao terá nenhum tratamento especial, pois o voto foi em nível Reino Unido e nao nacoes do Reino Unido. Essa resposta fez com que a PM da Escócia ressuscitasse um assunto que deveria ter morrido em 2014, a Independencia Escocesa.

Nicola Sturgeon, PM da Escócia, já consegui que Edimburgo votasse a favor do seu referendo e já está mexendo os pauzinhos pra ter um outro referendo de independencia pouco depois da data de saída da UE. O pedido ainda precisa ser ratificado pela PM do Reino Unido, Theresa May, mas já acenda uma esperanca na Escócia. Caso o voto seja sim, a Escócia terá que ir atrás de um novo acordo com a União Européia, embora ministros já tenham afirmado que a entrada será rápida e indolor, pois a Escócia já cumpre todas as exigencias pra ser um membro.

Futuro das Ilhas Britanicas

Um outro ponto interessante que surgiu hoje veio do Parlamento Europeu, que afirmou que independente do resultado das negociacoes, o Reino Unido terá tres anos pra adaptar-se a nova realidade. Tal afirmacao deu uma acalmada no medo de, da noite pro dia, ter que mudar tudo dentro de um país. O governo britanico havia pedido pelo menos 5 anos, mas de novo, isso pode mudar durante as negociacoes.

Particularmente, eu odeio Brexit. Acho o maior tiro no pé! Entendo que a Uniao Européia precisa mudar muito e que nao é perfeita, mas nao acredito que sair seja a saída. O que deixa a coisa menos feia é a possibilidade de ver uma Irlanda unida e uma Escócia independente.

Em busca do sucesso

Em setembro do ano passado, quando fiz aniversário de 1 ano em Cardiff, postei aqui no blog, e disse que eu estava procurando emprego e que sentia falta da vida de escritório. Pois bem, estamos no fim de fevereiro e a busca continua.

Já fiz uma porrada de entrevistas, cheguei até a dizer nao pra uma vaga que, mesmo sendo na área de design gráfico, nao era muito meu perfil e continuo na mesma, trabalhando remoto pra empresa da Irlanda. Que diga-se de passagem, é um emprego maravilhoso! Eu amo meu trabalho e amo a empresa pra qual trabalho. De verdade! Decidi correr atrás de outro porque depois de refletir bastante sobre o rumo que minha vida está tomando, quis retomar as rédeas.

E é nesse ponto que esse texto comeca a fazer sentido.

Desde que essa busca por emprego comecou, eu tenho me sentido um fracasso, um verdadeiro impostor! Foram tantos naos, tantas rejeicoes, tantos emails nao respondidos, que comecei a repensar a minha vida toda. Será que escolhi a profissao certa? Será que eu sou bom no que faco? Porque diabos estou fazendo um mestrado em uma área que tem tanta gente MUITO MELHOR do que eu? Será que já cheguei no ápice da minha carreira e daqui pra frente é só ladeira á baixo?

Além de todas essas questoes, estar de volta dentro de uma universidade é uma bencao e uma maldicao. Uma bencao porque estou aprendendo, estudando e me desenvolvendo mais, mas também é uma maldicao porque é impossível nao se comparar com a galera de 20/21 anos se formando, que já saem da faculdade melhor ou no mesmo nível que eu e vao concorrer ás mesmas vagas comigo.

Quando me mudei pra cá e encasquetei que queria um emprego, meu motivo era bem simples: sentia que minha carreira nao iria progredir mais na empresa que estou e que, se eu quisesse crescer, teria que mudar de ares. E continuo pensando assim.

Mas, e se a vida está me dizendo “nao, voce está errado! Fique onde voce está porque lá fora voce nao tem vez!”?

Conheco pessoas, mais novas e na mesma faixa etária que eu, que estao abrindo empresas, contratando pessoas e penso “eu nunca poderia ser um empresário”. Vejo pessoas sendo contratadas pra trabalhar em empresas grandes, estúdios importantes e penso “isso nunca vai acontecer comigo”. Vejo pessoas investindo na compra da primeira casa, casando, tendo filhos e penso “nao sei nem onde vou morar em 6 meses”.

Há uns dias atrás, em um dia particularmente forte no quesito WTF AM I DOING WITH MY LIFE?, comecei a conversar com um amigo e, gracas a algumas perguntas chave que ele fez, acabei citando algumas de minhas conquistas – que é por si só um feito, porque eu odeio falar de mim dessa maneira. Se tem uma coisa que eu nao quero me tornar nessa vida, é um cara cheio de si mesmo, “se achao” e na minha cabeca, ficar contando, mostrando, compartilhando trófeis e conquistas, é ser esse cara.

Porém, tempos difíceis requerem solucoes difíceis e pra acalmar minha alma, comecei a listar todas as coisas que conquistei até agora, uma a uma.

Ao terminar a lista, olhei pra minha vida e pra minha história com um olhar diferente. Talvez, algumas pessoas olhem pra mim do mesmo jeito que eu olho tantas outras. Afinal, a grama do vizinho é sempre mais verde.

Daqui pra frente, vou tentar me cobrar menos e relaxar mais. Continuarei procurando emprego, mas nao apenas em Cardiff. Continuarei fazendo o meu trabalho da melhor forma que posso. Vou aproveitar mais do fato de trabalhar remoto e viajar mais. Vou focar minhas energias na reta final do mestrado e o mais importante, vou me amar mais.